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Antibiotics and infection in the intensive care unit : the importance of frailty

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Resumo:As infeções são um problema de saúde reconhecido em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). O número crescente de microrganismos multirresistentes traz dificuldades particulares ao tratamento de cada doente. Assim, seguir uma política adequada de utilização de antibióticos é extremamente importante. Com o envelhecimento da população, síndromes geriátricas, tais como a fragilidade, representam um grande peso para o sistema de saúde. O impacto das mesmas na história natural da infeção e nas políticas de antibióticos ótimas ainda precisa ser estabelecido. Este estudo concentra-se na interação entre a fragilidade e a infeção nos doentes críticos, bem como nas políticas de utilização de antibióticos na UCI. Foi realizada uma análise pós-hoc do estudo PalMuSIC, o qual incluiu doentes internados em 23 UCIs portuguesas. Foram incluídos um total de 335 pacientes no estudo, dos quais 20.9% foram identificados como frágeis (CFS ≥5). Mais de 60% dos pacientes incluídos receberam um diagnóstico de infeção, em 10% dos quais foi isolado um microrganismo multirresistente. Os pacientes frágeis mais frequentemente foram admitidos com sépsis e apresentaram culturas microbiológicas positivas com microrganismos MDR. Quase 70% dos pacientes receberam antibióticos durante sua estadia na UCI. Os antibióticos mais utilizados foram os de largo espectro, tanto em pacientes frágeis quanto em não frágeis. De destacar que 63.2% dos pacientes com ordem de não ressuscitação foram considerados infetados e que 60.5% receberam antibióticos. No entanto, é sabido que doentes frágeis em cuidados de fim de vida, são mais suscetíveis aos riscos associados à antibioterapia e têm menos benefícios potenciais. Esta situação impõe a necessidade de comunicação multidisciplinar eficiente e de stewardship de antibióticos. Por outro lado, neste estudo não foi encontrada evidência que a utilização de carbapenemes como terapêutica empírica, apesar de comum, estivesse associada a melhoria dos resultados assistenciais. Estes agentes deveriam ficar restritos para doentes com infeções graves e riscos evidentes de microrganismos multirresistentes. Estudos futuros deveriam focar-se na otimização da terapêutica antibiótica empírica bem como contribuir para definir as melhores estratégias antibióticas nos doentes frágeis (incluindo a sua descontinuação). Estas deveriam promover um cuidado centrado no paciente, promovendo práticas de prescrição criteriosa e mitigando a proliferação de microrganismos multirresistentes na UCI.
Autores principais:Bernardino, Mariana Mendes
Assunto:Unidade de cuidados intensivos Fragilidade Infeção Antibioterapia Organismos multirresistentes Cuidados em fim de vida
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As infeções são um problema de saúde reconhecido em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). O número crescente de microrganismos multirresistentes traz dificuldades particulares ao tratamento de cada doente. Assim, seguir uma política adequada de utilização de antibióticos é extremamente importante. Com o envelhecimento da população, síndromes geriátricas, tais como a fragilidade, representam um grande peso para o sistema de saúde. O impacto das mesmas na história natural da infeção e nas políticas de antibióticos ótimas ainda precisa ser estabelecido. Este estudo concentra-se na interação entre a fragilidade e a infeção nos doentes críticos, bem como nas políticas de utilização de antibióticos na UCI. Foi realizada uma análise pós-hoc do estudo PalMuSIC, o qual incluiu doentes internados em 23 UCIs portuguesas. Foram incluídos um total de 335 pacientes no estudo, dos quais 20.9% foram identificados como frágeis (CFS ≥5). Mais de 60% dos pacientes incluídos receberam um diagnóstico de infeção, em 10% dos quais foi isolado um microrganismo multirresistente. Os pacientes frágeis mais frequentemente foram admitidos com sépsis e apresentaram culturas microbiológicas positivas com microrganismos MDR. Quase 70% dos pacientes receberam antibióticos durante sua estadia na UCI. Os antibióticos mais utilizados foram os de largo espectro, tanto em pacientes frágeis quanto em não frágeis. De destacar que 63.2% dos pacientes com ordem de não ressuscitação foram considerados infetados e que 60.5% receberam antibióticos. No entanto, é sabido que doentes frágeis em cuidados de fim de vida, são mais suscetíveis aos riscos associados à antibioterapia e têm menos benefícios potenciais. Esta situação impõe a necessidade de comunicação multidisciplinar eficiente e de stewardship de antibióticos. Por outro lado, neste estudo não foi encontrada evidência que a utilização de carbapenemes como terapêutica empírica, apesar de comum, estivesse associada a melhoria dos resultados assistenciais. Estes agentes deveriam ficar restritos para doentes com infeções graves e riscos evidentes de microrganismos multirresistentes. Estudos futuros deveriam focar-se na otimização da terapêutica antibiótica empírica bem como contribuir para definir as melhores estratégias antibióticas nos doentes frágeis (incluindo a sua descontinuação). Estas deveriam promover um cuidado centrado no paciente, promovendo práticas de prescrição criteriosa e mitigando a proliferação de microrganismos multirresistentes na UCI.