Publicação
Definição de tempos de evacuação e áreas seguras num cenário de ocorrência de escoadas de detritos
| Resumo: | Os primeiros relatos, documentados, sobre a ocorrência de escoadas de detritos na região de Manteigas e do vale do Zêzere (Serra da Estrela, Portugal) remontam ao séc. XIX, numa altura em que as vertentes, que circundam a vila de Manteigas, se encontravam desprovidas de vegetação. Em 1804, a vila foi afetada por uma escoada de detritos que destruiu cerca de 20 casas e provocou a morte a um igual número de pessoas, tendo sido este o único evento, até à data, onde se verificaram vítimas mortais. Contudo, uma compilação de registos elaborada por Freitas (1989) sugere a recorrência de escoadas de detritos nesta área. O último evento de magnitude considerável teve lugar em outubro de 2005, apenas 2 meses após a deflagração de incêndios florestais no vale do Zêzere. Considerando este evento, Melo et al. (2018) aplicaram um modelo dinâmico, a 2D, com o objetivo de simular, por retroanálise, o comportamento reológico das escoadas de detritos desencadeadas em 2005 e, posteriormente, elaborar cenários de propagação, à escala da bacia hidrográfica, num contexto de ausência de vegetação. O referido modelo, que simula os processos de iniciação, erosão, propagação e deposição de fluxos de uma fase, sobre superfícies topográficas irregulares, permitiu a estimativa da velocidade do fluxo, do volume, da espessura dos depósitos e da extensão da propagação das escoadas de detritos. Adicionalmente, os cenários obtidos revelaram-se consistentes com os registos históricos de escoadas na área de estudo. Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo a comparação do resultado obtido no worst-case scenario (Melo et al., 2018) com o edificado atualmente existente e a população exposta. Pretende-se, assim, determinar as rotas seguras e o tempo de evacuação necessário, de acordo com as características dos residentes e com o declive encontrado ao longo do percurso, desde as suas habitações até aos locais definidos como ponto de encontro seguro. |
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| Autores principais: | Melo, Raquel |
| Outros Autores: | Zêzere, José; Oliveira, Sérgio; Garcia, Ricardo A C; Oliveira, Sandra; Pereira, Susana; Piedade, Aldina; Santos, Pedro Pinto |
| Assunto: | Escoadas de detritos Modelação dinâmica Evacuação pedestre Tempos de evacuação Edifícios em risco População exposta |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os primeiros relatos, documentados, sobre a ocorrência de escoadas de detritos na região de Manteigas e do vale do Zêzere (Serra da Estrela, Portugal) remontam ao séc. XIX, numa altura em que as vertentes, que circundam a vila de Manteigas, se encontravam desprovidas de vegetação. Em 1804, a vila foi afetada por uma escoada de detritos que destruiu cerca de 20 casas e provocou a morte a um igual número de pessoas, tendo sido este o único evento, até à data, onde se verificaram vítimas mortais. Contudo, uma compilação de registos elaborada por Freitas (1989) sugere a recorrência de escoadas de detritos nesta área. O último evento de magnitude considerável teve lugar em outubro de 2005, apenas 2 meses após a deflagração de incêndios florestais no vale do Zêzere. Considerando este evento, Melo et al. (2018) aplicaram um modelo dinâmico, a 2D, com o objetivo de simular, por retroanálise, o comportamento reológico das escoadas de detritos desencadeadas em 2005 e, posteriormente, elaborar cenários de propagação, à escala da bacia hidrográfica, num contexto de ausência de vegetação. O referido modelo, que simula os processos de iniciação, erosão, propagação e deposição de fluxos de uma fase, sobre superfícies topográficas irregulares, permitiu a estimativa da velocidade do fluxo, do volume, da espessura dos depósitos e da extensão da propagação das escoadas de detritos. Adicionalmente, os cenários obtidos revelaram-se consistentes com os registos históricos de escoadas na área de estudo. Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo a comparação do resultado obtido no worst-case scenario (Melo et al., 2018) com o edificado atualmente existente e a população exposta. Pretende-se, assim, determinar as rotas seguras e o tempo de evacuação necessário, de acordo com as características dos residentes e com o declive encontrado ao longo do percurso, desde as suas habitações até aos locais definidos como ponto de encontro seguro. |
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