Publicação
A olhar para ontem : compilação e análise de fotografias relativas a temas de educação publicadas na Ilustração Portuguesa entre 1903 e 1913
| Resumo: | “A olhar para ontem” é uma expressão que faz parte de um certo imaginário estudantil, é uma dimensão do estado de espirito contemplativo. Mas também constitui admoestação severa por parte de alguns mestres quando querem assinalar, num grupo de alunos, algum discípulo menos atento. Nunca compreendi muito bem esta expressão porque, quanto a mim, não é o passado que se constitui como objecto da abstracção mas sim o futuro que sustenta a projecção do sonho do qual, como é sabido, se diz que comanda a vida. Logo, quem sonha não deverá estar a olhar para ontem mas para amanhã. O próprio processo de construção do conhecimento científico, conceptual e teoricamente sustentado, é também ele tributário de uma dimensão subjectiva que pode encontrar fundamento no domínio do onírico. Por esta via, projectos como a alquimia ou a fotografia, para dar só dois exemplos que se relacionam intimamente com a temática deste trabalho, encontraram muitas vezes razão de existir na persistência e pertinácia de alguns, poucos, visionários que devem ter ocupado muito do seu tempo a “olhar para ontem”. No entanto a expressão aí está e através de vários exemplos se pode comprovar a sua utilização no quotidiano da realidade escolar. No contexto do presente trabalho, que se realiza com recurso aos métodos de investigação desenvolvidos no domínio das ciências sociais, a utilização do advérbio de tempo, ontem, remete obviamente para a referência à dimensão temporal que se pretende estabelecer. Significa o passado, o conjunto de acontecimentos que antecedeu o momento presente, com o qual estabelece uma relação de antecedência, mas relativamente ao qual assume também uma dinâmica de continuidade. Ontem, está ainda relacionado com um passado próximo do tempo presente, com um passado de que é ainda possível obter testemunhos directos, histórias e memórias de vidas cumpridas, e compridas, que se constituem como património adquirido de uma coorte de indivíduos à qual pertenço. “Para mim, o barulho do tempo não é triste: gosto dos sinos, dos relógios - e recordo-me de que, na sua origem, o material fotográfico estava ligado às técnicas do marceneiro e da mecânica de precisão; no fundo, os aparelhos eram relógios de ver...” (Barthes, 1980:32) A actividade do olhar, no sentido que entendi dar-lhe, relaciona-se com uma das perplexidades barthesianas no campo da fotografia. Tal como Barthes, no processo de análise das fotografias inventariadas que constituíram o corpus documental do presente trabalho, também eu considero ter estado a olhar para os olhos que, num determinado momento histórico, viram as escolas. A formalização do título atribuído a esta tese encontra-se, então, na confluência da actividade do olhar com a temporalidade das referências. Aqui, o que vou tentar fazer é, através de um conjunto de procedimentos técnicos sustentados por uma formulação teórica que considerei pertinente, reunir de forma sistemática os elementos que me permitam averiguar o que viram os olhos que viram as fotografias das escolas de ontem, publicadas na Ilustração Portuguesa entre 1903 e 1913.(...) |
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| Autores principais: | Fonseca, Paulo Jorge Lopes da, 1964- |
| Assunto: | Fotografia Educação artística |
| Ano: | 1998 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | “A olhar para ontem” é uma expressão que faz parte de um certo imaginário estudantil, é uma dimensão do estado de espirito contemplativo. Mas também constitui admoestação severa por parte de alguns mestres quando querem assinalar, num grupo de alunos, algum discípulo menos atento. Nunca compreendi muito bem esta expressão porque, quanto a mim, não é o passado que se constitui como objecto da abstracção mas sim o futuro que sustenta a projecção do sonho do qual, como é sabido, se diz que comanda a vida. Logo, quem sonha não deverá estar a olhar para ontem mas para amanhã. O próprio processo de construção do conhecimento científico, conceptual e teoricamente sustentado, é também ele tributário de uma dimensão subjectiva que pode encontrar fundamento no domínio do onírico. Por esta via, projectos como a alquimia ou a fotografia, para dar só dois exemplos que se relacionam intimamente com a temática deste trabalho, encontraram muitas vezes razão de existir na persistência e pertinácia de alguns, poucos, visionários que devem ter ocupado muito do seu tempo a “olhar para ontem”. No entanto a expressão aí está e através de vários exemplos se pode comprovar a sua utilização no quotidiano da realidade escolar. No contexto do presente trabalho, que se realiza com recurso aos métodos de investigação desenvolvidos no domínio das ciências sociais, a utilização do advérbio de tempo, ontem, remete obviamente para a referência à dimensão temporal que se pretende estabelecer. Significa o passado, o conjunto de acontecimentos que antecedeu o momento presente, com o qual estabelece uma relação de antecedência, mas relativamente ao qual assume também uma dinâmica de continuidade. Ontem, está ainda relacionado com um passado próximo do tempo presente, com um passado de que é ainda possível obter testemunhos directos, histórias e memórias de vidas cumpridas, e compridas, que se constituem como património adquirido de uma coorte de indivíduos à qual pertenço. “Para mim, o barulho do tempo não é triste: gosto dos sinos, dos relógios - e recordo-me de que, na sua origem, o material fotográfico estava ligado às técnicas do marceneiro e da mecânica de precisão; no fundo, os aparelhos eram relógios de ver...” (Barthes, 1980:32) A actividade do olhar, no sentido que entendi dar-lhe, relaciona-se com uma das perplexidades barthesianas no campo da fotografia. Tal como Barthes, no processo de análise das fotografias inventariadas que constituíram o corpus documental do presente trabalho, também eu considero ter estado a olhar para os olhos que, num determinado momento histórico, viram as escolas. A formalização do título atribuído a esta tese encontra-se, então, na confluência da actividade do olhar com a temporalidade das referências. Aqui, o que vou tentar fazer é, através de um conjunto de procedimentos técnicos sustentados por uma formulação teórica que considerei pertinente, reunir de forma sistemática os elementos que me permitam averiguar o que viram os olhos que viram as fotografias das escolas de ontem, publicadas na Ilustração Portuguesa entre 1903 e 1913.(...) |
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