Publicação

Estudo epidemiológico de Candidíase invasiva na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Egas Moniz-Centro Hospitalar Lisboa Ocidental

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Desde o início da década de 80 que os fungos têm emergido como agentes patogénicos, especialmente em doentes hospitalizados e imunocomprometidos. A mortalidade associada a este tipo de infecção é elevada, estando relacionada com diferentes tipos de fungos, sobretudo dos géneros Candida, Cryptococcus, e Aspergillus. Em Portugal, os dados epidemiológicos são escassos, pelo que o estudo epidemiológico de candidíase invasiva se reveste de alguma importância. Como tal, propusemo-nos estudar a epidemiologia de Candidíase Invasiva (CI) na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Egas Moniz, durante o ano de 2009 (Maio a Dezembro), com recolha de dados populacionais e respectiva análise estatística. Realizaram-se testes de susceptibilidade dos isolados frente ao voriconazol, fluconazol, caspofungina, anidulafungina e anfotericina B, através de 3 métodos: microdiluição, Etest® e método difusão em disco. Observou-se uma incidência de 12,8% de CI. A distribuição de espécies foi a seguinte: C. albicans, 59,3%, C. glabrata, 15,5%, C.krusei, 12,4%, C. tropicalis, 9,7% e C. parapsilosis, 3,1%. Resistência ao fluconazol ocorreu numa percentagem minoritária dos isolados, nomeadamente em C. krusei e C. glabrata. Não se observou qualquer isolado resistente ao voriconazol ou à anfotericina B. Relativamente às equinocandinas estudadas, verificou-se CIMs mais elevadas em isolados de C. parapsilosis e C. guilliermondii. Os Etest® e teste de difusão em discos apresentaram uma concordância categórica com o método de referência superior a 93,34% para todos os fármacos testados. Erros Major, Minor e Muito Graves foram observados infrequentemente. Não se observaram diferenças significativas face a dados apresentados na literatura internacional, relativamente à epidemiologia e presença de factores de risco na nossa população. Constatou-se um peso relativo das espécies não-albicans de cerca de 40%, na etiologia de CI. Em termos microbiológicos, foram identificadas resistências esperadas para o fluconazol e não susceptibilidade às equinocandinas, com resultados discrepantes entre metodologias empregues.
Autores principais:Paróla, Ana Gomes, 1981-
Assunto:Candidíase invasiva Cuidados intensivos Epidemiologia Susceptibilidade aos antifúngicos Teses de mestrado - 2011
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Desde o início da década de 80 que os fungos têm emergido como agentes patogénicos, especialmente em doentes hospitalizados e imunocomprometidos. A mortalidade associada a este tipo de infecção é elevada, estando relacionada com diferentes tipos de fungos, sobretudo dos géneros Candida, Cryptococcus, e Aspergillus. Em Portugal, os dados epidemiológicos são escassos, pelo que o estudo epidemiológico de candidíase invasiva se reveste de alguma importância. Como tal, propusemo-nos estudar a epidemiologia de Candidíase Invasiva (CI) na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Egas Moniz, durante o ano de 2009 (Maio a Dezembro), com recolha de dados populacionais e respectiva análise estatística. Realizaram-se testes de susceptibilidade dos isolados frente ao voriconazol, fluconazol, caspofungina, anidulafungina e anfotericina B, através de 3 métodos: microdiluição, Etest® e método difusão em disco. Observou-se uma incidência de 12,8% de CI. A distribuição de espécies foi a seguinte: C. albicans, 59,3%, C. glabrata, 15,5%, C.krusei, 12,4%, C. tropicalis, 9,7% e C. parapsilosis, 3,1%. Resistência ao fluconazol ocorreu numa percentagem minoritária dos isolados, nomeadamente em C. krusei e C. glabrata. Não se observou qualquer isolado resistente ao voriconazol ou à anfotericina B. Relativamente às equinocandinas estudadas, verificou-se CIMs mais elevadas em isolados de C. parapsilosis e C. guilliermondii. Os Etest® e teste de difusão em discos apresentaram uma concordância categórica com o método de referência superior a 93,34% para todos os fármacos testados. Erros Major, Minor e Muito Graves foram observados infrequentemente. Não se observaram diferenças significativas face a dados apresentados na literatura internacional, relativamente à epidemiologia e presença de factores de risco na nossa população. Constatou-se um peso relativo das espécies não-albicans de cerca de 40%, na etiologia de CI. Em termos microbiológicos, foram identificadas resistências esperadas para o fluconazol e não susceptibilidade às equinocandinas, com resultados discrepantes entre metodologias empregues.