Publicação
Abate de corvina (Argyrossomus regius) : qual o método que minimiza o stress e maximiza a qualidade?
| Resumo: | A etapa do abate é um dos pontos críticos na gestão da piscicultura, ao induzir stress nos peixes, o que não só afeta o bem-estar animal, como também a qualidade do produto final. No decorrer das investigações relativas à neuroanatomia e neurofisiologia dos peixes, é cada vez mais aceite que, tal como os mamíferos e aves, os peixes também são animais sencientes. Contudo, não são abrangidos pelo regulamento relativo à proteção dos animais no abate. Como tal, a etapa do abate de peixes acaba por ser negligenciada, ao ter pouca ou nenhuma consideração pelo bem-estar animal. O principal objetivo desta dissertação é dar uma visão integrada dos efeitos de diferentes métodos de atordoamento e abate na corvina (Argyrosomus regius), um peixe teleósteo da família Sciaenidae, com crescente utilização na aquacultura. Os métodos estudados foram asfixia por exposição ao ar, termonarcose, eletronarcose, secção medular e iki jime. Foi avaliada a influência destes métodos nas componentes bem-estar animal e qualidade. No que se refere ao bem-estar animal, procedeu-se à avaliação da insensibilização e da resposta fisiológica ao stress, quanto à qualidade foi avaliada a evolução do músculo post mortem (rigor mortis) em associação com a avaliação sensorial do grau frescura. Os resultados revelaram que, o método japonês iki jime foi o único a induzir insensibilização imediata que, por sua vez, apresentou a resposta ao stress mais discreta e melhores resultados em termos de qualidade. Também foi possível apoiar a tese de que a asfixia por exposição ao ar não é uma prática ética, ao induzir uma resposta ao stress grave, o que demonstrou afetar de forma negativa a qualidade, ao acelerar o desenvolvimento do rigor mortis e, por sua vez, a deterioração do músculo. Como complementaridade ao estudo anterior, foi realizado um inquérito por questionário, com o objetivo de avaliar a perceção do consumidor sobre o abate de peixes. Os resultados revelaram que, existe um forte desconhecimento acerca deste domínio, sobretudo no que se refere aos métodos de atordoamento e abate alternativos ao método praticado na pesca tradicional (asfixia por exposição ao ar). Contudo, os resultados revelaram também que, o método de abate a que o peixe for submetido pode influenciar a atitude do cidadão enquanto consumidor, o que pode representar um impacto no mercado. O reforço desta preocupação com o bem-estar dos peixes no abate, para além de promover a adoção de práticas mais éticas, também contribui para melhorar a qualidade, e assim, satisfazer as necessidades das caraterísticas intrínseca e extrínsecas do produto, exigidas por parte do consumidor. |
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| Autores principais: | Seco, Ana Margarida Maurício |
| Assunto: | Argyrosomus regius métodos de atordoamento e abate iki jime stress rigor mortis stunning and slaughter methods fish stress rigor mortis |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A etapa do abate é um dos pontos críticos na gestão da piscicultura, ao induzir stress nos peixes, o que não só afeta o bem-estar animal, como também a qualidade do produto final. No decorrer das investigações relativas à neuroanatomia e neurofisiologia dos peixes, é cada vez mais aceite que, tal como os mamíferos e aves, os peixes também são animais sencientes. Contudo, não são abrangidos pelo regulamento relativo à proteção dos animais no abate. Como tal, a etapa do abate de peixes acaba por ser negligenciada, ao ter pouca ou nenhuma consideração pelo bem-estar animal. O principal objetivo desta dissertação é dar uma visão integrada dos efeitos de diferentes métodos de atordoamento e abate na corvina (Argyrosomus regius), um peixe teleósteo da família Sciaenidae, com crescente utilização na aquacultura. Os métodos estudados foram asfixia por exposição ao ar, termonarcose, eletronarcose, secção medular e iki jime. Foi avaliada a influência destes métodos nas componentes bem-estar animal e qualidade. No que se refere ao bem-estar animal, procedeu-se à avaliação da insensibilização e da resposta fisiológica ao stress, quanto à qualidade foi avaliada a evolução do músculo post mortem (rigor mortis) em associação com a avaliação sensorial do grau frescura. Os resultados revelaram que, o método japonês iki jime foi o único a induzir insensibilização imediata que, por sua vez, apresentou a resposta ao stress mais discreta e melhores resultados em termos de qualidade. Também foi possível apoiar a tese de que a asfixia por exposição ao ar não é uma prática ética, ao induzir uma resposta ao stress grave, o que demonstrou afetar de forma negativa a qualidade, ao acelerar o desenvolvimento do rigor mortis e, por sua vez, a deterioração do músculo. Como complementaridade ao estudo anterior, foi realizado um inquérito por questionário, com o objetivo de avaliar a perceção do consumidor sobre o abate de peixes. Os resultados revelaram que, existe um forte desconhecimento acerca deste domínio, sobretudo no que se refere aos métodos de atordoamento e abate alternativos ao método praticado na pesca tradicional (asfixia por exposição ao ar). Contudo, os resultados revelaram também que, o método de abate a que o peixe for submetido pode influenciar a atitude do cidadão enquanto consumidor, o que pode representar um impacto no mercado. O reforço desta preocupação com o bem-estar dos peixes no abate, para além de promover a adoção de práticas mais éticas, também contribui para melhorar a qualidade, e assim, satisfazer as necessidades das caraterísticas intrínseca e extrínsecas do produto, exigidas por parte do consumidor. |
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