Publicação
Avaliação da eficácia de um descontaminante de partículas oxidantes aplicado por aerossol gasoso em esporos de Bacillus cereus
| Resumo: | RESUMO - Assiste-se na atualidade a uma necessidade crescente de desenvolver novos métodos de descontaminação, uma vez que os métodos convencionais são insuficientes para eliminar agentes patogénicos resistentes. O projeto “Descontaminação por Aerossol Gasoso de Partículas Oxidantes” (DRACO), desenvolvido pela Unidade Militar Laboratorial de Defesa Biológica e Química, em parceria com o Centro de Investigação da Academia Militar, tem por objetivos testar e desenvolver abordagens inovadoras para a descontaminação operacional. Neste âmbito pretende testar a eficácia de um novo descontaminante, baseado em nano partículas oxidantes. A tecnologia em teste, designada por dryVHP (formulação sólida de peróxido de hidrogénio vaporizado) foi desenvolvida pela Delox, uma startup inovadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Esta tecnologia tem como objetivo permitir a criação de uma nova geração de sistemas de descontaminação com maior compatibilidade para materiais e eletrónica, permitindo também a redução do impacto ambiental e redução dos recursos humanos em cenários de contaminação biológica. Pretende-se que esta tecnologia seja empregue em áreas civis na descontaminação de infraestruturas, mas também na descontaminação de interiores, edifícios e viaturas militares. Deste modo, propomo-nos neste trabalho testar a eficácia deste novo descontaminante, comparando o seu potencial esporicida ao de outros descontaminantes líquidos (peróxido de hidrogénio líquido a 10% e ácido peracético a 0.1%), recorrendo ao uso de esporos de Bacillus cereus, como substituto de Bacillus anthracis. A estirpe de B. cereus NCTC 11143 estudada neste trabalho produz duas frações de esporos, do topo e do fundo, que se diferenciam entre si essencialmente pelas suas propriedades físico-químicas, nomeadamente a nível da hidrofobicidade. As experiências de descontaminação foram efetuadas com estas subpopulações de esporos de B. cereus em separado e testaram-se duas superfícies de plástico diferentes, uma limpa e outra suja com óleo alimentar. O peróxido de hidrogénio líquido a 10% e o ácido peracético a 0.1% demonstraram ação esporicida para as duas frações de esporos de B. cereus tanto quando aplicado em superfícies limpas, como em superfícies sujas. Por outro lado, dryVHP, disperso por vaporização pela Delox demonstrou-se apenas eficaz na descontaminação dos esporos do fundo (hidrofílicos), não exercendo ação esporicida nos esporos do topo (hidrofóbicos). Pensa-se que a diferente hidrofobicidade das duas frações de esporos esteja relacionada com as suas resistências diferenciais aos descontaminantes testados. O presente estudo permitiu destacar que o modo de aplicação do descontaminante é um fator condicionante do mecanismo de ação das substâncias ativas oxidantes, e contribuiu para aumentar o conhecimento no âmbito da descontaminação de esporos de B. cereus. |
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| Autores principais: | Taoufiq, Amin Henrique Tavares |
| Assunto: | Descontaminação Bacillus cereus endósporos peróxido de hidrogénio Decontamination Bacillus cereus bacterial spores hydrogen peroxide |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | RESUMO - Assiste-se na atualidade a uma necessidade crescente de desenvolver novos métodos de descontaminação, uma vez que os métodos convencionais são insuficientes para eliminar agentes patogénicos resistentes. O projeto “Descontaminação por Aerossol Gasoso de Partículas Oxidantes” (DRACO), desenvolvido pela Unidade Militar Laboratorial de Defesa Biológica e Química, em parceria com o Centro de Investigação da Academia Militar, tem por objetivos testar e desenvolver abordagens inovadoras para a descontaminação operacional. Neste âmbito pretende testar a eficácia de um novo descontaminante, baseado em nano partículas oxidantes. A tecnologia em teste, designada por dryVHP (formulação sólida de peróxido de hidrogénio vaporizado) foi desenvolvida pela Delox, uma startup inovadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Esta tecnologia tem como objetivo permitir a criação de uma nova geração de sistemas de descontaminação com maior compatibilidade para materiais e eletrónica, permitindo também a redução do impacto ambiental e redução dos recursos humanos em cenários de contaminação biológica. Pretende-se que esta tecnologia seja empregue em áreas civis na descontaminação de infraestruturas, mas também na descontaminação de interiores, edifícios e viaturas militares. Deste modo, propomo-nos neste trabalho testar a eficácia deste novo descontaminante, comparando o seu potencial esporicida ao de outros descontaminantes líquidos (peróxido de hidrogénio líquido a 10% e ácido peracético a 0.1%), recorrendo ao uso de esporos de Bacillus cereus, como substituto de Bacillus anthracis. A estirpe de B. cereus NCTC 11143 estudada neste trabalho produz duas frações de esporos, do topo e do fundo, que se diferenciam entre si essencialmente pelas suas propriedades físico-químicas, nomeadamente a nível da hidrofobicidade. As experiências de descontaminação foram efetuadas com estas subpopulações de esporos de B. cereus em separado e testaram-se duas superfícies de plástico diferentes, uma limpa e outra suja com óleo alimentar. O peróxido de hidrogénio líquido a 10% e o ácido peracético a 0.1% demonstraram ação esporicida para as duas frações de esporos de B. cereus tanto quando aplicado em superfícies limpas, como em superfícies sujas. Por outro lado, dryVHP, disperso por vaporização pela Delox demonstrou-se apenas eficaz na descontaminação dos esporos do fundo (hidrofílicos), não exercendo ação esporicida nos esporos do topo (hidrofóbicos). Pensa-se que a diferente hidrofobicidade das duas frações de esporos esteja relacionada com as suas resistências diferenciais aos descontaminantes testados. O presente estudo permitiu destacar que o modo de aplicação do descontaminante é um fator condicionante do mecanismo de ação das substâncias ativas oxidantes, e contribuiu para aumentar o conhecimento no âmbito da descontaminação de esporos de B. cereus. |
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