Publicação
Deslizamentos na bacia hidrográfica do Rio Grande da Pipa (Portugal):
| Resumo: | A região a Norte de Lisboa de uma forma geral, e a região de Arruda dos Vinhos em particular, apresentam condições naturais bastante favoráveis à ocorrência de movimentos de massa em vertente. O ano hidrológico de 2009/10, foi um ano caracterizado por elevados índices de precipitação o que proporcionou a ocorrência de um também elevado número de deslizamentos nesta região. No presente trabalho analisou-se o comportamento hidrodinâmico da bacia hidrográfica do Rio Grande da Pipa, através de um modelo de parâmetros agregados do balanço hídrico sequencial diário, para compreender a importância deste comportamento na estabilidade das vertentes desta região. Analisaram-se também as condições morfológicas, geotécnicas e hidrológicas locais que favorecem a instabilidade das vertentes, através de retroanálises a dois deslizamentos selecionados. Os deslizamentos ocorridos no ano hidrológico em estudo são, na sua maioria, movimentos superficiais, ou seja, com profundidade máxima da superfície de rotura a não exceder 1,5 m. A maioria corresponde também a movimentos rotacionais que ocorrerem no Complexo das Camadas da Abadia (CCA), a unidade geológica que domina a bacia, ocupando cerca de 58% da área. A comparação entre a ocorrência temporal de 182 deslizamentos ocorridos entre novembro de 2009 e abril 2010 e a oscilação do nível freático regional revela uma associação evidente entre ambas as distribuições. A frequência temporal dos deslizamentos associados ao CCA, nomeadamente os que são superficiais ou de profundidade intermédia, parece ter uma relação direta com a oscilação do nível freático. Trata-se portanto de movimentos de vertente facilmente explicados pela subida do nível freático em zonas onde os terrenos sofreram previamente degradação das suas caracteristicas de resistência. Por outro lado, a frequência temporal dos deslizamentos profundos não segue de forma tão clara a oscilação do nível freático regional, como a dos anteriores. As retroanálises de dois deslizamentos profundos, estudados à escala local, indicam que as suas ocorrências estão fortemente associadas a intervenções humanas nas vertentes e, em parte, a reativações de movimentos antigos. Estes deslizamentos profundos ocorreram em terrenos que atingiram forte degradação das propriedades de resistência (valores de ângulo de atrito e coesão muito baixos) e quando se verificam níveis freáticos mais elevados, associados a eventos de precipitação mais intensa. Estas mesmas propriedades de resistência e condições hidrológicas provavelmente controlam também a ocorrência dos deslizamentos superficiais e intermédios na região de Arruda dos Vinhos. |
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| Autores principais: | Jesus, Carlos César Dias de |
| Assunto: | Deslizamento Retroanálise Hidrologia Balanços hídricos Teses de mestrado - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A região a Norte de Lisboa de uma forma geral, e a região de Arruda dos Vinhos em particular, apresentam condições naturais bastante favoráveis à ocorrência de movimentos de massa em vertente. O ano hidrológico de 2009/10, foi um ano caracterizado por elevados índices de precipitação o que proporcionou a ocorrência de um também elevado número de deslizamentos nesta região. No presente trabalho analisou-se o comportamento hidrodinâmico da bacia hidrográfica do Rio Grande da Pipa, através de um modelo de parâmetros agregados do balanço hídrico sequencial diário, para compreender a importância deste comportamento na estabilidade das vertentes desta região. Analisaram-se também as condições morfológicas, geotécnicas e hidrológicas locais que favorecem a instabilidade das vertentes, através de retroanálises a dois deslizamentos selecionados. Os deslizamentos ocorridos no ano hidrológico em estudo são, na sua maioria, movimentos superficiais, ou seja, com profundidade máxima da superfície de rotura a não exceder 1,5 m. A maioria corresponde também a movimentos rotacionais que ocorrerem no Complexo das Camadas da Abadia (CCA), a unidade geológica que domina a bacia, ocupando cerca de 58% da área. A comparação entre a ocorrência temporal de 182 deslizamentos ocorridos entre novembro de 2009 e abril 2010 e a oscilação do nível freático regional revela uma associação evidente entre ambas as distribuições. A frequência temporal dos deslizamentos associados ao CCA, nomeadamente os que são superficiais ou de profundidade intermédia, parece ter uma relação direta com a oscilação do nível freático. Trata-se portanto de movimentos de vertente facilmente explicados pela subida do nível freático em zonas onde os terrenos sofreram previamente degradação das suas caracteristicas de resistência. Por outro lado, a frequência temporal dos deslizamentos profundos não segue de forma tão clara a oscilação do nível freático regional, como a dos anteriores. As retroanálises de dois deslizamentos profundos, estudados à escala local, indicam que as suas ocorrências estão fortemente associadas a intervenções humanas nas vertentes e, em parte, a reativações de movimentos antigos. Estes deslizamentos profundos ocorreram em terrenos que atingiram forte degradação das propriedades de resistência (valores de ângulo de atrito e coesão muito baixos) e quando se verificam níveis freáticos mais elevados, associados a eventos de precipitação mais intensa. Estas mesmas propriedades de resistência e condições hidrológicas provavelmente controlam também a ocorrência dos deslizamentos superficiais e intermédios na região de Arruda dos Vinhos. |
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