Publicação
Drepanocitose : revisão da fisiopatologia e novas abordagens terapêuticas
| Resumo: | A drepanocitose consiste na forma homozigótica da doença de células falciformes, em que a polimerização da HbS (e falciformização dos eritrócitos) está subjacente a dois achados característicos da patologia: hemólise crónica e fenómenos vaso-oclusivos recorrentes, dos quais resultam complicações agudas potencialmente fatais e disfunção multiorgânica progressiva. A elucidação da complexa fisiopatologia da doença tem permitido identificar diferentes alvos terapêuticos: modificação do genótipo, polimerização da hemoglobina S, vaso-oclusão e inflamação (incluindo redução do stress oxidativo). No entanto, a tradução do conhecimento no desenvolvimento de novas terapêuticas tem sido desproporcionalmente lento. Durante cerca de duas décadas, a hidroxicarbamida foi o único fármaco modificador da doença aprovado; até 2017, altura em que a L-glutamina, agente antioxidante de administração oral, foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) para reduzir as complicações agudas em adultos e crianças com mais de 5 anos de idade. Tal marco foi seguido pela aprovação do crizanlizumab e voxelotor, de administração endovenosa e oral respetivamente. O primeiro consiste num anticorpo anti-P-selectina, autorizado pela FDA (2019) e European Medicines Agency (EMA, 2020) para reduzir a frequência de crises vaso-oclusivas em doentes com idade igual ou superior a 16 anos. O voxelotor é modulador e estabilizador da HbS, tendo indicação para aumento do nível de Hb e redução da hemólise. Em 2021, a FDA estendeu a sua aprovação para uso em adultos e crianças com idade ≥4 anos, tendo autorização mais restrita pela EMA (2022), com indicação para doentes com idade ≥12 anos. A presente revisão narrativa foca-se na fisiopatologia da doença, identificando os possíveis alvos de intervenção terapêutica, aborda os três agentes recentemente aprovados, e o seu potencial no tratamento da drepanocitose em idade pediátrica. |
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| Autores principais: | Leão, Inês Filipa Bispo |
| Assunto: | Drepanocitose Fisiopatologia L-glutamina Crizanlizumab Voxelotor Pediatria |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A drepanocitose consiste na forma homozigótica da doença de células falciformes, em que a polimerização da HbS (e falciformização dos eritrócitos) está subjacente a dois achados característicos da patologia: hemólise crónica e fenómenos vaso-oclusivos recorrentes, dos quais resultam complicações agudas potencialmente fatais e disfunção multiorgânica progressiva. A elucidação da complexa fisiopatologia da doença tem permitido identificar diferentes alvos terapêuticos: modificação do genótipo, polimerização da hemoglobina S, vaso-oclusão e inflamação (incluindo redução do stress oxidativo). No entanto, a tradução do conhecimento no desenvolvimento de novas terapêuticas tem sido desproporcionalmente lento. Durante cerca de duas décadas, a hidroxicarbamida foi o único fármaco modificador da doença aprovado; até 2017, altura em que a L-glutamina, agente antioxidante de administração oral, foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) para reduzir as complicações agudas em adultos e crianças com mais de 5 anos de idade. Tal marco foi seguido pela aprovação do crizanlizumab e voxelotor, de administração endovenosa e oral respetivamente. O primeiro consiste num anticorpo anti-P-selectina, autorizado pela FDA (2019) e European Medicines Agency (EMA, 2020) para reduzir a frequência de crises vaso-oclusivas em doentes com idade igual ou superior a 16 anos. O voxelotor é modulador e estabilizador da HbS, tendo indicação para aumento do nível de Hb e redução da hemólise. Em 2021, a FDA estendeu a sua aprovação para uso em adultos e crianças com idade ≥4 anos, tendo autorização mais restrita pela EMA (2022), com indicação para doentes com idade ≥12 anos. A presente revisão narrativa foca-se na fisiopatologia da doença, identificando os possíveis alvos de intervenção terapêutica, aborda os três agentes recentemente aprovados, e o seu potencial no tratamento da drepanocitose em idade pediátrica. |
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