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Linfoma não-Hodgkin e hepatite C : a propósito de um caso clínico

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O vírus da hepatite C (VHC) constitui um importante fator predisponente no desenvolvimento tumoral. Evidência recente aponta para uma potencial relação causal com o linfoma não-Hodgkin (LNH) de células B, principalmente em áreas de maior prevalência do VHC. Neste contexto, apresenta-se o caso clínico de um doente do sexo masculino, 61 anos de idade, etnia caucasiana, com antecedentes pessoais de hábitos toxifílicos, alcoólicos e tabágicos, com o diagnóstico de hepatite C crónica e linfoma esplénico da zona marginal, na sequência do qual é submetido a esplenectomia e a regime de quimioterapia e radioterapia adjuvantes, tendo alcançado resposta hematológica completa. O doente é reencaminhado para consulta de gastrenterologia do Hospital Santa Maria, para tratamento da hepatite C crónica e, neste sentido, administra-se o regime combinado de interferão-α peguilado (pegIFN-α) e ribavirina, suspenso ao terceiro mês de tratamento por ausência de negativação vírica conquanto posteriormente, com recurso a terapêutica combinada de sofosbuvir e ledipasvir, alcança-se a resposta virológica completa. Previamente ao início do segundo regime terapêutico, o doente é diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, de classificação T3N0M0, sendo submetido a regime de quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes e resseção, em bloco, do lobo superior do pulmão direito e segmentos posteriores dos quatro primeiros arcos costais, permitindo a remissão oncológica. Neste contexto e, agora em remissão virológica, posterior recidiva com metastização cerebral, obriga a nova intervenção cirúrgica, com remoção macroscópica da lesão maligna e radioterapia adjuvante, mantendo-se clinicamente e analiticamente estável até à atualidade. Ainda pouco se conhece sobre a melhor abordagem terapêutica de doentes oncológicos com concomitante infeção vírica crónica, ainda que a infeção pelo VHC não deva constituir contraindicação ou protelar o início do tratamento oncológico urgente. Perante este caso clínico, procura-se aprofundar a possível associação entre ambas as patologias e perceber o paradigma terapêutico atual disponível para estes doentes.
Autores principais:Moita, Catarina Pereira
Assunto:Vírus da hepatite C Linfoma não-Hodgkin de células B Linfoma esplénico da zona marginal Células B Tumor sólido Gastroenterologia
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O vírus da hepatite C (VHC) constitui um importante fator predisponente no desenvolvimento tumoral. Evidência recente aponta para uma potencial relação causal com o linfoma não-Hodgkin (LNH) de células B, principalmente em áreas de maior prevalência do VHC. Neste contexto, apresenta-se o caso clínico de um doente do sexo masculino, 61 anos de idade, etnia caucasiana, com antecedentes pessoais de hábitos toxifílicos, alcoólicos e tabágicos, com o diagnóstico de hepatite C crónica e linfoma esplénico da zona marginal, na sequência do qual é submetido a esplenectomia e a regime de quimioterapia e radioterapia adjuvantes, tendo alcançado resposta hematológica completa. O doente é reencaminhado para consulta de gastrenterologia do Hospital Santa Maria, para tratamento da hepatite C crónica e, neste sentido, administra-se o regime combinado de interferão-α peguilado (pegIFN-α) e ribavirina, suspenso ao terceiro mês de tratamento por ausência de negativação vírica conquanto posteriormente, com recurso a terapêutica combinada de sofosbuvir e ledipasvir, alcança-se a resposta virológica completa. Previamente ao início do segundo regime terapêutico, o doente é diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, de classificação T3N0M0, sendo submetido a regime de quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes e resseção, em bloco, do lobo superior do pulmão direito e segmentos posteriores dos quatro primeiros arcos costais, permitindo a remissão oncológica. Neste contexto e, agora em remissão virológica, posterior recidiva com metastização cerebral, obriga a nova intervenção cirúrgica, com remoção macroscópica da lesão maligna e radioterapia adjuvante, mantendo-se clinicamente e analiticamente estável até à atualidade. Ainda pouco se conhece sobre a melhor abordagem terapêutica de doentes oncológicos com concomitante infeção vírica crónica, ainda que a infeção pelo VHC não deva constituir contraindicação ou protelar o início do tratamento oncológico urgente. Perante este caso clínico, procura-se aprofundar a possível associação entre ambas as patologias e perceber o paradigma terapêutico atual disponível para estes doentes.