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Cativo com livros : hábitos de leitura no Estabelecimento Prisional Central de Pinheiro da Cruz : estudo do caso

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente pesquisa teve origem no âmbito do Mestrado em Ciências da Educação, cuja Área de Especialização é a Educação e Leitura. A diversidade temática proporcionada nos múltiplos seminários, desenvolvidos desde o início do curso, suscitou-nos o interesse por conhecer e caracterizar os hábitos de leitura dos sujeitos em situação de reclusão. Para o efeito, desenvolvemos um estudo de caso no Estabelecimento Prisional Central de Pinheiro da Cruz. O público alvo foi constituído, não só pelos reclusos que requisitaram (mais e menos) livros, na biblioteca, no período compreendido entre Março de 2005 e Março de 2007, mas também por actores da instituição (responsável pela área da Educação, Ensino e Animação Sociocultural; representante dos guardas prisionais e professor do Io Ciclo do Ensino Recorrente) e exteriores à instituição, nomeadamente, a chefe de Divisão da Educação, Ensino e Animação Sociocultural da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais e dois animadores de leitura. Os objectivos que presidiram ao nosso estudo foram conhecer o modo como os reclusos, enquanto actores, e os restantes actores da instituição percepcionam a leitura em reclusão e que lógicas de acção subjazem à organização da instituição, visando o desenvolvimento de actividades culturais que considerem a leitura como fundamental naquele espaço. A metodologia adoptada para a recolha de dados foi a análise documental, a observação directa e a entrevista semi-directiva, realizada aos diversos actores acima enunciados. Para o tratamento dos dados, procedemos à análise de conteúdo temática. Após o tratamento e a análise dos resultados obtidos, chegámos a algumas conclusões que nos permitem afirmar que os hábitos de leitura, em reclusão, são escassos, porquanto em setecentos e um reclusos, apenas trezentos e vinte e dois requisitaram livros na biblioteca, no período em estudo. Para além disso, os reclusos que mais lêem, na instituição, são aqueles que já tinham hábitos de leitura, desde crianças. Em reclusão, continuam, portanto, um hábito que já haviam, anteriormente, adquirido, embora aqui dediquem mais tempo à leitura. Lêem para passar o tempo, para se libertarem, para sonharem e para adquirirem mais conhecimentos. A nível dos Serviços Centrais constatamos que, nestes últimos anos, há uma vontade política de promover a leitura em reclusão, através do melhoramento do acervo das bibliotecas, através da dinamização, pontual, de actividades relacionadas com a promoção e animação da leitura, embora ainda haja muito a fazer neste domínio, nomeadamente, o acesso directo, de todos os reclusos, à biblioteca; a informatização das bibliotecas; actividades regulares e continuadas de animação da leitura; criação de comunidades de leitores; promoção da leitura na escola da instituição; aquisição de competências de alfabetizados pelos reclusos analfabetos; desenvolvimento de competências de leitura e de escrita nos reclusos já alfabetizados; ... As responsáveis pela área Sociocultural assentam a tónica em questões, que consideram mais preocupantes e urgentes como a sobrelotação, a segurança, a toxicodependência, a saúde, as quais, segundo acreditam, são impeditivas do desenvolvimento de hábitos de leitura por parte dos reclusos, não permitindo que as actividades relacionadas com a leitura sejam prioritárias na instituição. Tendo constatado que os reclusos que mais lêem, consideram a leitura como o melhor coadjuvante para cumprimento da pena e que a leitura contribui para reduzir a conflitualidade, sugerimos que se desenvolvam mais projectos no âmbito do desenvolvimento de práticas de leitura nas instituições de reclusão. Talvez assim possamos minorar os baixos níveis de literacia existentes, no nosso país, quer intra, quer extra muros.
Autores principais:Fontinha, Maria Helena Pires Ramos Alves, 1961-
Assunto:Teses de mestrado - 2007 Educação e leitura Prisão Recluso Hábitos de leitura - Portugal Biblioteca Leitura - Promoção
Ano:2007
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A presente pesquisa teve origem no âmbito do Mestrado em Ciências da Educação, cuja Área de Especialização é a Educação e Leitura. A diversidade temática proporcionada nos múltiplos seminários, desenvolvidos desde o início do curso, suscitou-nos o interesse por conhecer e caracterizar os hábitos de leitura dos sujeitos em situação de reclusão. Para o efeito, desenvolvemos um estudo de caso no Estabelecimento Prisional Central de Pinheiro da Cruz. O público alvo foi constituído, não só pelos reclusos que requisitaram (mais e menos) livros, na biblioteca, no período compreendido entre Março de 2005 e Março de 2007, mas também por actores da instituição (responsável pela área da Educação, Ensino e Animação Sociocultural; representante dos guardas prisionais e professor do Io Ciclo do Ensino Recorrente) e exteriores à instituição, nomeadamente, a chefe de Divisão da Educação, Ensino e Animação Sociocultural da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais e dois animadores de leitura. Os objectivos que presidiram ao nosso estudo foram conhecer o modo como os reclusos, enquanto actores, e os restantes actores da instituição percepcionam a leitura em reclusão e que lógicas de acção subjazem à organização da instituição, visando o desenvolvimento de actividades culturais que considerem a leitura como fundamental naquele espaço. A metodologia adoptada para a recolha de dados foi a análise documental, a observação directa e a entrevista semi-directiva, realizada aos diversos actores acima enunciados. Para o tratamento dos dados, procedemos à análise de conteúdo temática. Após o tratamento e a análise dos resultados obtidos, chegámos a algumas conclusões que nos permitem afirmar que os hábitos de leitura, em reclusão, são escassos, porquanto em setecentos e um reclusos, apenas trezentos e vinte e dois requisitaram livros na biblioteca, no período em estudo. Para além disso, os reclusos que mais lêem, na instituição, são aqueles que já tinham hábitos de leitura, desde crianças. Em reclusão, continuam, portanto, um hábito que já haviam, anteriormente, adquirido, embora aqui dediquem mais tempo à leitura. Lêem para passar o tempo, para se libertarem, para sonharem e para adquirirem mais conhecimentos. A nível dos Serviços Centrais constatamos que, nestes últimos anos, há uma vontade política de promover a leitura em reclusão, através do melhoramento do acervo das bibliotecas, através da dinamização, pontual, de actividades relacionadas com a promoção e animação da leitura, embora ainda haja muito a fazer neste domínio, nomeadamente, o acesso directo, de todos os reclusos, à biblioteca; a informatização das bibliotecas; actividades regulares e continuadas de animação da leitura; criação de comunidades de leitores; promoção da leitura na escola da instituição; aquisição de competências de alfabetizados pelos reclusos analfabetos; desenvolvimento de competências de leitura e de escrita nos reclusos já alfabetizados; ... As responsáveis pela área Sociocultural assentam a tónica em questões, que consideram mais preocupantes e urgentes como a sobrelotação, a segurança, a toxicodependência, a saúde, as quais, segundo acreditam, são impeditivas do desenvolvimento de hábitos de leitura por parte dos reclusos, não permitindo que as actividades relacionadas com a leitura sejam prioritárias na instituição. Tendo constatado que os reclusos que mais lêem, consideram a leitura como o melhor coadjuvante para cumprimento da pena e que a leitura contribui para reduzir a conflitualidade, sugerimos que se desenvolvam mais projectos no âmbito do desenvolvimento de práticas de leitura nas instituições de reclusão. Talvez assim possamos minorar os baixos níveis de literacia existentes, no nosso país, quer intra, quer extra muros.