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Desenvolvimento de novos inibidores da necroptose direcionados à RIPK1

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Resumo:A morte celular é um processo fundamental na eliminação de células danificadas. Durante várias décadas, a apoptose foi considerada como a única forma de morte celular programada. Contudo, estudos recentes sugerem que a necrose pode ser altamente regulada, num processo designado por necroptose, o qual incorpora aspetos característicos da necrose e da apoptose. A necroptose, é uma via de morte celular regulada, alternativa e independente de caspases, sendo mediada pelas proteínas cinase que interagem com o recetor 1 (RIPK1) e com o recetor 3 (RIPK3) e a pseudocinase MLKL. Após o estabelecimento da necroptose como uma forma alternativa de morte celular, alguns estudos já evidenciaram este mecanismo como o principal contribuinte na etiologia e/ou progressão de doenças humanas, nomeadamente, em pancreatite, doença isquémica e doenças neurodegenerativas, entre outras. Adicionalmente, a necroptose está também envolvida na regulação de vários tipos de cancros. Como tal, estratégias que tenham como alvo a necroptose, constituem oportunidades únicas para desenvolver novas terapias para o tratamento das doenças anteriormente referidas. Apesar de terem já sido descritos vários compostos que inibem alguns dos elementos da via de sinalização da morte celular por necroptose, a grande maioria apresenta várias limitações a nível farmacológico, não existindo ainda nenhum inibidor da RIPK1/3 na prática clínica. O presente trabalho, focou-se na síntese de novos compostos derivados do hit compound AZ12651922, selecionado através de um screening fenotípico desenvolvido para a identificação de compostos com atividade inibitória contra marcadores da necroptose. Desta forma, este trabalho incidiu no desenvolvimento de novos inibidores da necroptose, avaliando o espaço químico em torno do anel 1,3-tiazol (núcleo central da molécula AZ12651922) de modo a revelar quais as características estruturais que controlam a potência e seletividade para a modulação da cinase RIP1. Todos os compostos finais foram sintetizados com bons rendimentos e caracterizados através de RMN (protão e carbono) e espectrometria de massa. Para avaliar a atividade biológica dos compostos sintetizados, foram realizados estudos de toxicidade nas linhas celulares L929 (linha celular murina de fibrossarcoma) e HT29 (linha celular humana de adenocarcinoma colorretal). Para os compostos selecionados, foram determinados os EC50 (half maximal effective concentration) nos mesmos modelos celulares. Os resultados obtidos indicam que o composto selecionado (36) inibe a necroptose induzida pelo TNF-α em ambas as linhas celulares nas concentrações na ordem dos micromolares (EC50 (L929) = 15,68 μM e EC50 (HT29) = 4,99 μM), não apresentando toxicidade no intervalo de concentrações utilizado.
Autores principais:Cambaio, Beatriz Chaves
Assunto:Morte celular Necroptose RIPK1 Inibidores 1,3-tiazol Teses de mestrado - 2022
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A morte celular é um processo fundamental na eliminação de células danificadas. Durante várias décadas, a apoptose foi considerada como a única forma de morte celular programada. Contudo, estudos recentes sugerem que a necrose pode ser altamente regulada, num processo designado por necroptose, o qual incorpora aspetos característicos da necrose e da apoptose. A necroptose, é uma via de morte celular regulada, alternativa e independente de caspases, sendo mediada pelas proteínas cinase que interagem com o recetor 1 (RIPK1) e com o recetor 3 (RIPK3) e a pseudocinase MLKL. Após o estabelecimento da necroptose como uma forma alternativa de morte celular, alguns estudos já evidenciaram este mecanismo como o principal contribuinte na etiologia e/ou progressão de doenças humanas, nomeadamente, em pancreatite, doença isquémica e doenças neurodegenerativas, entre outras. Adicionalmente, a necroptose está também envolvida na regulação de vários tipos de cancros. Como tal, estratégias que tenham como alvo a necroptose, constituem oportunidades únicas para desenvolver novas terapias para o tratamento das doenças anteriormente referidas. Apesar de terem já sido descritos vários compostos que inibem alguns dos elementos da via de sinalização da morte celular por necroptose, a grande maioria apresenta várias limitações a nível farmacológico, não existindo ainda nenhum inibidor da RIPK1/3 na prática clínica. O presente trabalho, focou-se na síntese de novos compostos derivados do hit compound AZ12651922, selecionado através de um screening fenotípico desenvolvido para a identificação de compostos com atividade inibitória contra marcadores da necroptose. Desta forma, este trabalho incidiu no desenvolvimento de novos inibidores da necroptose, avaliando o espaço químico em torno do anel 1,3-tiazol (núcleo central da molécula AZ12651922) de modo a revelar quais as características estruturais que controlam a potência e seletividade para a modulação da cinase RIP1. Todos os compostos finais foram sintetizados com bons rendimentos e caracterizados através de RMN (protão e carbono) e espectrometria de massa. Para avaliar a atividade biológica dos compostos sintetizados, foram realizados estudos de toxicidade nas linhas celulares L929 (linha celular murina de fibrossarcoma) e HT29 (linha celular humana de adenocarcinoma colorretal). Para os compostos selecionados, foram determinados os EC50 (half maximal effective concentration) nos mesmos modelos celulares. Os resultados obtidos indicam que o composto selecionado (36) inibe a necroptose induzida pelo TNF-α em ambas as linhas celulares nas concentrações na ordem dos micromolares (EC50 (L929) = 15,68 μM e EC50 (HT29) = 4,99 μM), não apresentando toxicidade no intervalo de concentrações utilizado.