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Cistite idiopática felina : estudo retrospetivo

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Resumo:A Cistite Idiopática Felina é uma síndrome que pertence ao grupo das doenças do trato urinário distal felino. A fisiopatologia é desconhecida, sendo sugerida a existência de alterações da bexiga e neuroendócrinas, assim como o possível envolvimento de stress. Não foi ainda definido um método de diagnóstico definitivo, sendo este feito por exclusão. No que respeita ao tratamento, não existe cura, mas é recomendado como primeira abordagem para o seu maneio o enriquecimento ambiental, antes da utilização de quaisquer fármacos. O prognóstico depende de características próprias do animal, das condições ambientais em que vive e da adesão do detentor à terapêutica e às recomendações do médico veterinário. O presente estudo é retrospetivo e é composto por uma amostra de 34 casos clínicos recolhidos num Centro de Atendimento Médico Veterinário, entre 2020 e 2023. Foram selecionados os felídeos que, em simultâneo, apresentavam pelo menos um sinal clínico típico de doença do trato urinário, realizaram exame físico completo, análises sanguíneas, urianálise, urocultura e pelo menos um exame imagiológico (radiografia ou ultrasonografia). O principal objetivo foi verificar a exposição dos animais selecionados a fatores considerados predisponentes noutros estudos e comparar as apresentações clínicas com e sem obstrução. Os principais sinais clínicos registados foram sinais característicos de doença do trato urinário distal, entre os quais a polaquiúria (64,7%) e disúria (58,8%), seguidas de vocalização (32,4%) e do vómito (32,4%). Nas análises bioquímicas sanguíneas os valores elevados de creatinina e potássio registados nos animais obstruídos destacaram-se. Na urianálise os valores de densidade urinária elevados (58,8%), a hematúria (79,4%), proteinúria (79,4%) e a cristalúria de estruvite (61,8%) foram os parâmetros alterados mais frequentes. Este estudo permitiu confirmar a presença da grande maioria dos fatores considerados de risco, tais como: o sexo masculino (79,4%), a castração (77,8%), o estilo de vida exclusivamente interior (91,2%) e a dieta quase inteiramente seca (75%). Reforçou também a necessidade de desenvolver metodologia de diagnóstico específica, de definir um protocolo terapêutico e a importância do enriquecimento ambiental e do detentor neste último aspeto
Autores principais:Varela, Joana Filipa Campino
Assunto:Cistite Idiopática Felina Obstrução uretral Stress Enriquecimento ambiental Feline Idiopathic Cystitis Urethral Obstruction Stress Environmental Enrichment
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Cistite Idiopática Felina é uma síndrome que pertence ao grupo das doenças do trato urinário distal felino. A fisiopatologia é desconhecida, sendo sugerida a existência de alterações da bexiga e neuroendócrinas, assim como o possível envolvimento de stress. Não foi ainda definido um método de diagnóstico definitivo, sendo este feito por exclusão. No que respeita ao tratamento, não existe cura, mas é recomendado como primeira abordagem para o seu maneio o enriquecimento ambiental, antes da utilização de quaisquer fármacos. O prognóstico depende de características próprias do animal, das condições ambientais em que vive e da adesão do detentor à terapêutica e às recomendações do médico veterinário. O presente estudo é retrospetivo e é composto por uma amostra de 34 casos clínicos recolhidos num Centro de Atendimento Médico Veterinário, entre 2020 e 2023. Foram selecionados os felídeos que, em simultâneo, apresentavam pelo menos um sinal clínico típico de doença do trato urinário, realizaram exame físico completo, análises sanguíneas, urianálise, urocultura e pelo menos um exame imagiológico (radiografia ou ultrasonografia). O principal objetivo foi verificar a exposição dos animais selecionados a fatores considerados predisponentes noutros estudos e comparar as apresentações clínicas com e sem obstrução. Os principais sinais clínicos registados foram sinais característicos de doença do trato urinário distal, entre os quais a polaquiúria (64,7%) e disúria (58,8%), seguidas de vocalização (32,4%) e do vómito (32,4%). Nas análises bioquímicas sanguíneas os valores elevados de creatinina e potássio registados nos animais obstruídos destacaram-se. Na urianálise os valores de densidade urinária elevados (58,8%), a hematúria (79,4%), proteinúria (79,4%) e a cristalúria de estruvite (61,8%) foram os parâmetros alterados mais frequentes. Este estudo permitiu confirmar a presença da grande maioria dos fatores considerados de risco, tais como: o sexo masculino (79,4%), a castração (77,8%), o estilo de vida exclusivamente interior (91,2%) e a dieta quase inteiramente seca (75%). Reforçou também a necessidade de desenvolver metodologia de diagnóstico específica, de definir um protocolo terapêutico e a importância do enriquecimento ambiental e do detentor neste último aspeto