Publicação
Utilização de antibióticos beta-lactâmicos na terapêutica da tuberculose multirresistente
| Resumo: | A tuberculose é uma das dez principais causas de morte em todo o mundo. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde estima que um quarto da população mundial está infetada com Mycobacterium Tuberculosis. Em 2019, foram confirmados 10 milhões de novos casos de tuberculose a nível global, dos quais 1.4 milhões resultaram em morte. A incidência da tuberculose diminuiu nos países desenvolvidos; no entanto, continua a ser uma ameaça em países em desenvolvimento, especialmente com o aparecimento de estirpes multirresistentes. Em Portugal, tem-se observado uma diminuição progressiva e sustentada da incidência de TB. Mycobacterium tuberculosis pode desenvolver resistência aos fármacos de primeira linha utilizados no tratamento da tuberculose. A Tuberculose Multirresistente caracteriza-se pela resistência a pelo menos dois fármacos essenciais para o tratamento da tuberculose: isoniazida e rifampicina. A Tuberculose Multirresistente é mais difícil de diagnosticar, tratar e prevenir e, portanto, representa um desafio considerável para os cuidados de saúde e para a prevenção global da tuberculose. O tratamento da Tuberculose Multirresistente envolve o uso de fármacos de segunda linha que são simultaneamente mais caros e mais tóxicos. Para além disso, estes regimes têm taxas de sucesso mais baixas, necessitando de períodos de tratamento mais prolongados. A falta de novos fármacos para combater a Tuberculose Multirresistente, devido ao processo dispendioso e demorado de investigação e desenvolvimento de novos medicamentos, contribuiu para redirecionar o uso de antibióticos que não são habitualmente usados na terapêutica da tuberculose. Uma das classes de fármacos alternativas investigadas foram os antibióticos beta-lactâmicos, pela vantagem de terem segurança demonstrada numa ampla população e pela sua disponibilidade em países em desenvolvimento. De entre as diferentes subclasses estudadas relativamente à potencial aplicação no tratamento da tuberculose, os carbapenemos destacaram-se como inibidores potentes e evidência emergente demonstra que podem ser utilizados como fármacos repropostos para o tratamento da Tuberculose Multirresistente. O presente trabalho visa abordar, sucintamente, a evidência até à data da utilização de antibióticos beta-lactâmicos em contexto clínico de Tuberculose Multirresistente. |
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| Autores principais: | Danilov, Tatiana |
| Assunto: | Mycobacterium Tuberculose multirresistente Peptidoglicano Antibióticos beta-lactâmicos Carbapenemos Mestrado integrado - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A tuberculose é uma das dez principais causas de morte em todo o mundo. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde estima que um quarto da população mundial está infetada com Mycobacterium Tuberculosis. Em 2019, foram confirmados 10 milhões de novos casos de tuberculose a nível global, dos quais 1.4 milhões resultaram em morte. A incidência da tuberculose diminuiu nos países desenvolvidos; no entanto, continua a ser uma ameaça em países em desenvolvimento, especialmente com o aparecimento de estirpes multirresistentes. Em Portugal, tem-se observado uma diminuição progressiva e sustentada da incidência de TB. Mycobacterium tuberculosis pode desenvolver resistência aos fármacos de primeira linha utilizados no tratamento da tuberculose. A Tuberculose Multirresistente caracteriza-se pela resistência a pelo menos dois fármacos essenciais para o tratamento da tuberculose: isoniazida e rifampicina. A Tuberculose Multirresistente é mais difícil de diagnosticar, tratar e prevenir e, portanto, representa um desafio considerável para os cuidados de saúde e para a prevenção global da tuberculose. O tratamento da Tuberculose Multirresistente envolve o uso de fármacos de segunda linha que são simultaneamente mais caros e mais tóxicos. Para além disso, estes regimes têm taxas de sucesso mais baixas, necessitando de períodos de tratamento mais prolongados. A falta de novos fármacos para combater a Tuberculose Multirresistente, devido ao processo dispendioso e demorado de investigação e desenvolvimento de novos medicamentos, contribuiu para redirecionar o uso de antibióticos que não são habitualmente usados na terapêutica da tuberculose. Uma das classes de fármacos alternativas investigadas foram os antibióticos beta-lactâmicos, pela vantagem de terem segurança demonstrada numa ampla população e pela sua disponibilidade em países em desenvolvimento. De entre as diferentes subclasses estudadas relativamente à potencial aplicação no tratamento da tuberculose, os carbapenemos destacaram-se como inibidores potentes e evidência emergente demonstra que podem ser utilizados como fármacos repropostos para o tratamento da Tuberculose Multirresistente. O presente trabalho visa abordar, sucintamente, a evidência até à data da utilização de antibióticos beta-lactâmicos em contexto clínico de Tuberculose Multirresistente. |
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