Publicação
Discrepância no desempenho em testes de fluência semântica e fonológica : um novo preditor de declínio cognitivo?
| Resumo: | Introdução: O declínio cognitivo varia desde o processo normal associado ao envelhecimento, até ao patológico - como defeito cognitivo ligeiro ou demência. O rastreio de declínio cognitivo assume assim grande importância na redução da morbilidade por permitir a adoção precoce de medidas que atrasem a progressão da doença. Objetivos: Este estudo tem como objetivo principal averiguar a capacidade de uma medida ainda pouco explorada poder ser preditora de declínio cognitivo numa amostra de indivíduos saudáveis avaliados em cuidados de saúde primários assim como produzir normas que possam ser usadas na população portuguesa. A medida é a diferença entre duas provas de fluência verbal (fluência fonológica menos a fluência semântica), que deterioram de forma díspar ao longo do envelhecimento patológico, traduzindo uma perda mais marcada da memória semântica. Métodos: Foi utilizada uma base de dados do Laboratório de Estudos da Linguagem do Centro de Estudos Egas Moniz, criada no âmbito do projeto “Mindful Aging: Avoiding Age-Related Cognitive Decline”. Os 470 participantes foram submetidos a uma bateria de testes neuropsicológicos na avaliação inicial dos quais 270 foram reavaliados 5 anos mais tarde, sendo que 31 evoluíram para defeito cognitivo ligeiro ou demência. Foram analisados os testes de fluência verbal – semântica (Animais e Alimentos) e fonológica (Letra P). A medida da diferença entre estes dois testes foi estudada em relação aos dados demográficos (idade, género e escolaridade) e analisada quanto ao seu possível efeito preditor de declínio cognitivo. Resultados: Os resultados obtidos revelaram que a) na avaliação inicial, esta medida não se relacionava com os dados demográficos, à exceção da diferença [fluência semântica (alimentos) – fluência fonológica (Letra P)] que era maior no género feminino; b) houve um declínio significativo desta medida ao longo do tempo, sobretudo à custa da perda da fluência semântica e c) as medidas não eram preditoras de declínio cognitivo. Conclusão: A medida da diferença entre as fluências semântica e fonológica parece constituir uma medida de declínio cognitivo associada ao envelhecimento normal, já que se verificou uma redução significativa do seu valor ao longo do tempo; contudo, parece não ser útil para a predição de declínio cognitivo. |
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| Autores principais: | Silvestre, Alexandra Sofia Conceição |
| Assunto: | Fluência semântica Fluência fonológica Declínio cognitivo Neurologia |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: O declínio cognitivo varia desde o processo normal associado ao envelhecimento, até ao patológico - como defeito cognitivo ligeiro ou demência. O rastreio de declínio cognitivo assume assim grande importância na redução da morbilidade por permitir a adoção precoce de medidas que atrasem a progressão da doença. Objetivos: Este estudo tem como objetivo principal averiguar a capacidade de uma medida ainda pouco explorada poder ser preditora de declínio cognitivo numa amostra de indivíduos saudáveis avaliados em cuidados de saúde primários assim como produzir normas que possam ser usadas na população portuguesa. A medida é a diferença entre duas provas de fluência verbal (fluência fonológica menos a fluência semântica), que deterioram de forma díspar ao longo do envelhecimento patológico, traduzindo uma perda mais marcada da memória semântica. Métodos: Foi utilizada uma base de dados do Laboratório de Estudos da Linguagem do Centro de Estudos Egas Moniz, criada no âmbito do projeto “Mindful Aging: Avoiding Age-Related Cognitive Decline”. Os 470 participantes foram submetidos a uma bateria de testes neuropsicológicos na avaliação inicial dos quais 270 foram reavaliados 5 anos mais tarde, sendo que 31 evoluíram para defeito cognitivo ligeiro ou demência. Foram analisados os testes de fluência verbal – semântica (Animais e Alimentos) e fonológica (Letra P). A medida da diferença entre estes dois testes foi estudada em relação aos dados demográficos (idade, género e escolaridade) e analisada quanto ao seu possível efeito preditor de declínio cognitivo. Resultados: Os resultados obtidos revelaram que a) na avaliação inicial, esta medida não se relacionava com os dados demográficos, à exceção da diferença [fluência semântica (alimentos) – fluência fonológica (Letra P)] que era maior no género feminino; b) houve um declínio significativo desta medida ao longo do tempo, sobretudo à custa da perda da fluência semântica e c) as medidas não eram preditoras de declínio cognitivo. Conclusão: A medida da diferença entre as fluências semântica e fonológica parece constituir uma medida de declínio cognitivo associada ao envelhecimento normal, já que se verificou uma redução significativa do seu valor ao longo do tempo; contudo, parece não ser útil para a predição de declínio cognitivo. |
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