Publicação
Ecotoxicidade de um fármaco neuroativo, a Risperidona, em Artemia spp.
| Resumo: | O objetivo deste estudo foi avaliar a ecotoxicidade da risperidona em Artemia spp., para obter informações sobre os potenciais efeitos deletérios deste composto em organismos marinhos não-alvo. A risperidona é um composto neuroativo que pode comprometer processos fisiológicos e comportamentais essenciais, podendo conduzir a efeitos a nível populacional. Tendo por base o funcionamento deste fármaco, foram realizados testes letais e sub-letais, nomeadamente a análise de biomarcadores bioquímicos e respostas comportamentais. Os resultados deste estudo demonstraram que a exposição à risperidona pode afetar significativamente os comportamentos ecológicos, bem como os biomarcadores bioquímicos. De um modo geral, a concentração de 0,3 µg/L, que se encontra dentro da gama ambiental, induziu respostas ao nível dos biomarcadores (aumento da peroxidação lipídica, alterações na atividade da Glutationa S-transferase e Acetilcolinesterase) e das variáveis comportamentais (diminuição da velocidade mediana, distância total percorrida por indivíduo, velocidade máxima e a distância máxima) que sugerem possíveis impactos da exposição da risperidona no meio ambiente. Apesar dos efeitos subletais visualizados, inclusive a concentrações ecologicamente relevantes, os valores de concentrações letais são muito superiores aos observados atualmente no meio marinho. Estas descobertas implicam que o fármaco utilizado pode induzir danos que servem como precursores de fatores de stress ambiental, sendo espectáveis alterações bioquímicas e fisiológicas antes da manifestação de efeitos letais. As alterações comportamentais observadas têm ramificações ecológicas de elevada importância (capacidade de sobrevivência, reprodução e interação com o seu ambiente). A adoção de programas de monitorização para encontrar e medir a risperidona em ambientes naturais é essencial, uma vez que esta substância já demonstrou ter efeitos substanciais em organismos marinhos a concentrações ambientais. Além disso, são necessárias ações de mitigação para reduzir a quantidade libertada deste fármaco no ambiente, como a regulamentação da eliminação de medicamentos e o tratamento de efluentes. |
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| Autores principais: | Santos, André Filipe Rodrigues |
| Assunto: | Biomarcadores Comportamento Contaminantes Emergentes Crustáceo marinho Ecotoxicologia Teses de mestrado - 2024 |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O objetivo deste estudo foi avaliar a ecotoxicidade da risperidona em Artemia spp., para obter informações sobre os potenciais efeitos deletérios deste composto em organismos marinhos não-alvo. A risperidona é um composto neuroativo que pode comprometer processos fisiológicos e comportamentais essenciais, podendo conduzir a efeitos a nível populacional. Tendo por base o funcionamento deste fármaco, foram realizados testes letais e sub-letais, nomeadamente a análise de biomarcadores bioquímicos e respostas comportamentais. Os resultados deste estudo demonstraram que a exposição à risperidona pode afetar significativamente os comportamentos ecológicos, bem como os biomarcadores bioquímicos. De um modo geral, a concentração de 0,3 µg/L, que se encontra dentro da gama ambiental, induziu respostas ao nível dos biomarcadores (aumento da peroxidação lipídica, alterações na atividade da Glutationa S-transferase e Acetilcolinesterase) e das variáveis comportamentais (diminuição da velocidade mediana, distância total percorrida por indivíduo, velocidade máxima e a distância máxima) que sugerem possíveis impactos da exposição da risperidona no meio ambiente. Apesar dos efeitos subletais visualizados, inclusive a concentrações ecologicamente relevantes, os valores de concentrações letais são muito superiores aos observados atualmente no meio marinho. Estas descobertas implicam que o fármaco utilizado pode induzir danos que servem como precursores de fatores de stress ambiental, sendo espectáveis alterações bioquímicas e fisiológicas antes da manifestação de efeitos letais. As alterações comportamentais observadas têm ramificações ecológicas de elevada importância (capacidade de sobrevivência, reprodução e interação com o seu ambiente). A adoção de programas de monitorização para encontrar e medir a risperidona em ambientes naturais é essencial, uma vez que esta substância já demonstrou ter efeitos substanciais em organismos marinhos a concentrações ambientais. Além disso, são necessárias ações de mitigação para reduzir a quantidade libertada deste fármaco no ambiente, como a regulamentação da eliminação de medicamentos e o tratamento de efluentes. |
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