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Detecção de alto nível de resistência a aminoglicosídeos em estirpes clínicas de enterococci

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Resumo:Os Enterococcus emergiram como agentes patogénicos nosocomiais importantes, com o aparecimento cada vez mais frequente de estirpes multi-resistentes. São intrinsecamente resistentes a várias classes de antibióticos, por exemplo as cefalosporinas, baixas concentrações de aminoglicosídeos, lincosamidas e estreptograminas (Enterococcus faecalis). Adicionalmente, apresentam capacidade de adquirir resistência a outros antibióticos, sendo cada vez mais frequente a ocorrência de resistência à penicilina, cloranfenicol, macrólidos, tetraciclinas, fluoroquinolonas, glicopéptidos e resistência de elevado nível aos aminoglicosídeos, originando graves problemas de tratamento. Desta forma a resistência antimicrobiana em Enterococcus é actualmente motivo de grande preocupação. Este estudo teve como objectivo avaliar e caracterizar o perfil de susceptibilidade de estirpes clínicas de enterococci e proceder a uma comparação entre os diferentes métodos de avaliação da susceptibilidade. Posteriormente caracterizaram-se os mecanismos moleculares de resistência à gentamicina. Foram analisadas 67 estirpes isoladas entre 1998 e 2008 no Laboratório de Análises Clínicas Professor Doutor Braço Forte (FMV - UL). As estirpes foram identificadas pelo sistema BBL Cristal Gram-Positive ID System ® e o perfil de susceptibilidade foi avaliado através dos métodos de difusão em disco e ensaios de microdiluição (standard e DADE Microscan) e interpretado de acordo com os critérios Clinical Laboratory Standards Institute. A espécie predominante foi o Enterococcus faecalis (86,6%) seguido do Enterococcus faecium (9,0%). Nenhuma das estirpes apresentou resistência à vancomicina, teicoplanina e linezolide. A susceptibilidade foi elevada relativamente à penicilina (91,0%), ampicilina (91,0%), associação amoxicilina/ácido clavulânico (91,0%), cloranfenicol (62,7%), nitrofurantoína (80,6%) e associação trimetoprim/sulfametoxazol (80,6%). A resistência foi elevada relativamente às fluoroquinolonas ( 40%), eritromicina (49,3%), tetraciclina (70,2%) e rifampina (43,3%). Foram identificadas oito estirpes resistentes a elevados níveis de gentamicina - HLGR (> 500μg/ml) e 23 estirpes resistentes a elevados níveis de estreptomicina - HLSR (> 1000μg/ml). Destas, sete apresentavam resistência combinada. A comparação entre os diferentes métodos demonstrou que os discos de alta concentração de gentamicina e estreptomicina são fiáveis, ao contrário dos discos de gentamicina 10μg, estreptomicina 10μg e vancomicina30 μg. A avaliação da resistência aos glicopéptidos deve ser realizada através da determinação da concentração inibitória mínima. A microdiluição em meio Müeller-Hinton Broth demonstrou que nem todas as estirpes clínicas apresentam resistência de baixo nível à gentamicina. A caracterização dos mecanismos de resistência demonstrou a presença exclusiva da enzima bifuncional, em todas as estirpes HLGR.
Autores principais:Delgado, Marlene Patrícia Pereira Ferreira
Assunto:Enterococcus Resistência antimicrobiana Elevado nível de resistência aos aminoglicosídeos Enzima bifuncional Genes modificadores da gentamicina Animais de companhia Antimicrobial resistance High-level aminoglycosides resistance Bifunctional enzyme Gentamicin modifying genes Pets
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os Enterococcus emergiram como agentes patogénicos nosocomiais importantes, com o aparecimento cada vez mais frequente de estirpes multi-resistentes. São intrinsecamente resistentes a várias classes de antibióticos, por exemplo as cefalosporinas, baixas concentrações de aminoglicosídeos, lincosamidas e estreptograminas (Enterococcus faecalis). Adicionalmente, apresentam capacidade de adquirir resistência a outros antibióticos, sendo cada vez mais frequente a ocorrência de resistência à penicilina, cloranfenicol, macrólidos, tetraciclinas, fluoroquinolonas, glicopéptidos e resistência de elevado nível aos aminoglicosídeos, originando graves problemas de tratamento. Desta forma a resistência antimicrobiana em Enterococcus é actualmente motivo de grande preocupação. Este estudo teve como objectivo avaliar e caracterizar o perfil de susceptibilidade de estirpes clínicas de enterococci e proceder a uma comparação entre os diferentes métodos de avaliação da susceptibilidade. Posteriormente caracterizaram-se os mecanismos moleculares de resistência à gentamicina. Foram analisadas 67 estirpes isoladas entre 1998 e 2008 no Laboratório de Análises Clínicas Professor Doutor Braço Forte (FMV - UL). As estirpes foram identificadas pelo sistema BBL Cristal Gram-Positive ID System ® e o perfil de susceptibilidade foi avaliado através dos métodos de difusão em disco e ensaios de microdiluição (standard e DADE Microscan) e interpretado de acordo com os critérios Clinical Laboratory Standards Institute. A espécie predominante foi o Enterococcus faecalis (86,6%) seguido do Enterococcus faecium (9,0%). Nenhuma das estirpes apresentou resistência à vancomicina, teicoplanina e linezolide. A susceptibilidade foi elevada relativamente à penicilina (91,0%), ampicilina (91,0%), associação amoxicilina/ácido clavulânico (91,0%), cloranfenicol (62,7%), nitrofurantoína (80,6%) e associação trimetoprim/sulfametoxazol (80,6%). A resistência foi elevada relativamente às fluoroquinolonas ( 40%), eritromicina (49,3%), tetraciclina (70,2%) e rifampina (43,3%). Foram identificadas oito estirpes resistentes a elevados níveis de gentamicina - HLGR (> 500μg/ml) e 23 estirpes resistentes a elevados níveis de estreptomicina - HLSR (> 1000μg/ml). Destas, sete apresentavam resistência combinada. A comparação entre os diferentes métodos demonstrou que os discos de alta concentração de gentamicina e estreptomicina são fiáveis, ao contrário dos discos de gentamicina 10μg, estreptomicina 10μg e vancomicina30 μg. A avaliação da resistência aos glicopéptidos deve ser realizada através da determinação da concentração inibitória mínima. A microdiluição em meio Müeller-Hinton Broth demonstrou que nem todas as estirpes clínicas apresentam resistência de baixo nível à gentamicina. A caracterização dos mecanismos de resistência demonstrou a presença exclusiva da enzima bifuncional, em todas as estirpes HLGR.