Publicação
Dinâmicas do desenvolvimento urbano e estratégias espaciais da distribuição alimentar na Área Metropolitana de Lisboa
| Resumo: | As profundas mudanças das dinâmicas urbanas nas áreas metropolitanas e a crescente concentração do capital da distribuição alimentar, registadas nas últimas décadas, apelam para uma análise da evolução da relação cidade e comércio. Com a difusão das grandes cadeias de distribuição, essas mudanças caracterizaram-se inicialmente por transições espaciais que, descurando a cidade-centro, privilegiaram modelos de abastecimento descentralizados, decorrentes da suburbanização metropolitana, para, mais recentemente, apostarem em formatos comerciais com padrões espaciais ancorados na proximidade. Neste contexto, a investigação teve como objetivo central relacionar a evolução da organização espacial da distribuição de dominante alimentar com as dinâmicas espaciais do desenvolvimento urbano na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Considerando que as transições espácio-temporais se intensificaram com o advento das cadeias de distribuição, que desenvolvem, também nas áreas metropolitanas, vigorosas estratégias de seletividade territorial, adotou-se como caso de estudo a cadeia Sonae MC, líder no mercado nacional da distribuição alimentar, que explora distintos formatos na AML. Metodologicamente, através da reconstrução das dinâmicas demográficas centro-periferia, analisou-se a evolução espácio-temporal do desenvolvimento urbano na AML. Construíram-se, seguidamente, instrumentos relativos às estratégias espaciais da distribuição alimentar. A partir de métricas espaciais, discutiu-se a reconfiguração do padrão e da morfologia espaciais desenvolvidos pela Sonae MC. Posteriormente, através de medidas de densidade e de proximidade, caracterizaram-se os atributos espaciais privilegiados pelos distintos formatos comerciais explorados pela cadeia. Finalmente, mobilizando a linguagem coremática, elaborou-se um modelo gráfico das relações entre as dinâmicas urbanas e a recomposição das estratégias espaciais da Sonae MC na AML. Os resultados demonstraram que as estratégias espaciais da distribuição alimentar na AML decorrem, em parte, das dinâmicas do desenvolvimento urbano. Em períodos de forte crescimento suburbano, a Sonae MC desenvolveu estratégias espaciais descentralizadas, investindo em estabelecimentos de grande dimensão, como os hipermercados e os grandes supermercados, localizados em áreas de elevada acessibilidade. Contudo, mais recentemente, observaram-se tendências de abrandamento da robustez demográfica da periferia metropolitana e de reversão do declínio acentuado da cidade-centro, dinâmica urbana também decalcada pela cadeia, que, pela primeira vez, desenvolveu uma estratégia espacial mais centralizada, resultante do investimento em pequenos estabelecimentos de proximidade em áreas residenciais consolidadas e do progressivo ou total desinvestimento em formatos de grande dimensão na periferia. As conclusões da investigação permitem afirmar que, para se ajustar às diferentes dinâmicas do desenvolvimento urbano e continuar a crescer, a Sonae MC foi mobilizando o espaço e desenvolvendo novos formatos comerciais como estratégias adaptativas face às novas exigências do mercado. |
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| Autores principais: | Silva, Diogo António Gaspar e |
| Assunto: | Desenvolvimento urbano Destruição criativa do ambiente construído Capital espacial Estratégias espaciais da distribuição alimentar Sonae MC |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As profundas mudanças das dinâmicas urbanas nas áreas metropolitanas e a crescente concentração do capital da distribuição alimentar, registadas nas últimas décadas, apelam para uma análise da evolução da relação cidade e comércio. Com a difusão das grandes cadeias de distribuição, essas mudanças caracterizaram-se inicialmente por transições espaciais que, descurando a cidade-centro, privilegiaram modelos de abastecimento descentralizados, decorrentes da suburbanização metropolitana, para, mais recentemente, apostarem em formatos comerciais com padrões espaciais ancorados na proximidade. Neste contexto, a investigação teve como objetivo central relacionar a evolução da organização espacial da distribuição de dominante alimentar com as dinâmicas espaciais do desenvolvimento urbano na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Considerando que as transições espácio-temporais se intensificaram com o advento das cadeias de distribuição, que desenvolvem, também nas áreas metropolitanas, vigorosas estratégias de seletividade territorial, adotou-se como caso de estudo a cadeia Sonae MC, líder no mercado nacional da distribuição alimentar, que explora distintos formatos na AML. Metodologicamente, através da reconstrução das dinâmicas demográficas centro-periferia, analisou-se a evolução espácio-temporal do desenvolvimento urbano na AML. Construíram-se, seguidamente, instrumentos relativos às estratégias espaciais da distribuição alimentar. A partir de métricas espaciais, discutiu-se a reconfiguração do padrão e da morfologia espaciais desenvolvidos pela Sonae MC. Posteriormente, através de medidas de densidade e de proximidade, caracterizaram-se os atributos espaciais privilegiados pelos distintos formatos comerciais explorados pela cadeia. Finalmente, mobilizando a linguagem coremática, elaborou-se um modelo gráfico das relações entre as dinâmicas urbanas e a recomposição das estratégias espaciais da Sonae MC na AML. Os resultados demonstraram que as estratégias espaciais da distribuição alimentar na AML decorrem, em parte, das dinâmicas do desenvolvimento urbano. Em períodos de forte crescimento suburbano, a Sonae MC desenvolveu estratégias espaciais descentralizadas, investindo em estabelecimentos de grande dimensão, como os hipermercados e os grandes supermercados, localizados em áreas de elevada acessibilidade. Contudo, mais recentemente, observaram-se tendências de abrandamento da robustez demográfica da periferia metropolitana e de reversão do declínio acentuado da cidade-centro, dinâmica urbana também decalcada pela cadeia, que, pela primeira vez, desenvolveu uma estratégia espacial mais centralizada, resultante do investimento em pequenos estabelecimentos de proximidade em áreas residenciais consolidadas e do progressivo ou total desinvestimento em formatos de grande dimensão na periferia. As conclusões da investigação permitem afirmar que, para se ajustar às diferentes dinâmicas do desenvolvimento urbano e continuar a crescer, a Sonae MC foi mobilizando o espaço e desenvolvendo novos formatos comerciais como estratégias adaptativas face às novas exigências do mercado. |
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