Publicação
Impetus animi : a linguagem dos affectus nas tragédias de Séneca
| Resumo: | A partir de um corpus de oito tragédias de Séneca, analisado em função de três temas (a maldição dos Atridas, a cidade de Tebas e as descendentes do deus Sol), pretende-se com este ensaio estudar o campo lexical da formido, da aegritudo, da libido e da uoluptas e respectivos subordinados, centrado no uso de classes morfológicas (substantivos, adjectivos, verbos e advérbios), observando o valor e a intenção estóica que determinaram a sua escolha, semelhante e complementar da que Séneca desenvolve nas obras em prosa: introduzir o stultus ou encaminhar o proficiens no rumo certo do estoicismo, alertando-os para os malefícios dos affectus. Cumpre, numa sectio prima, no capítulo inicial, delinear as partes constituintes da filosofia do Pórtico, com especial atenção prestada à Moral, para compreender o que os estóicos entenderam, ao longo dos tempos (até ao designado período imperial), por tendência, bens e males, virtudes e paixões, observando os termos que dão forma aos uitia (e de que forma foram adaptados, por Cícero, para a língua latina). A emergência ou ausência do estoicismo, com função didáctica, nas peças de Séneca, deu espaço para uma reflexão que não se pode considerar esgotada. Pareceu-nos, assim, fundamental dar um contributo sobre as diversas considerações que se têm colocado sobre este e outros aspectos da produção trágica do nosso autor, tópico que é focado no segundo capítulo da primeira secção. A análise minuciosa das personagens segundo a perspectiva do desenvolvimento de cada um dos uitia, os seus efeitos sob o ponto de vista físico e psicológico, revela, em Séneca, um propósito que não é exclusivamente literário, tema de que a sectio altera se ocupa, em quatro capítulos, distribuídos por cada um dos affectus. Pretende-se dar um contributo para o estudo das tragédias enquanto obras com uma intenção, a um tempo, propedêutica e parenética. Ao introduzir personagens mitológicas que se vão transformando em monstra, criando um distanciamento entre caracteres e espectadores / leitores, Séneca contribuiu para que os seus contemporâneos aprendessem a rejeitar ou dominar os uitia como forma de atingir o bem supremo, a felicidade. |
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| Autores principais: | Silva, Ana Filipa Isidoro da |
| Assunto: | Séneca, 0004 a.C.-0065 - Crítica e interpretação Tragédia grega - História e crítica Estoicismo Paixões - Na literatura Emoções - Na literatura Teses de doutoramento - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A partir de um corpus de oito tragédias de Séneca, analisado em função de três temas (a maldição dos Atridas, a cidade de Tebas e as descendentes do deus Sol), pretende-se com este ensaio estudar o campo lexical da formido, da aegritudo, da libido e da uoluptas e respectivos subordinados, centrado no uso de classes morfológicas (substantivos, adjectivos, verbos e advérbios), observando o valor e a intenção estóica que determinaram a sua escolha, semelhante e complementar da que Séneca desenvolve nas obras em prosa: introduzir o stultus ou encaminhar o proficiens no rumo certo do estoicismo, alertando-os para os malefícios dos affectus. Cumpre, numa sectio prima, no capítulo inicial, delinear as partes constituintes da filosofia do Pórtico, com especial atenção prestada à Moral, para compreender o que os estóicos entenderam, ao longo dos tempos (até ao designado período imperial), por tendência, bens e males, virtudes e paixões, observando os termos que dão forma aos uitia (e de que forma foram adaptados, por Cícero, para a língua latina). A emergência ou ausência do estoicismo, com função didáctica, nas peças de Séneca, deu espaço para uma reflexão que não se pode considerar esgotada. Pareceu-nos, assim, fundamental dar um contributo sobre as diversas considerações que se têm colocado sobre este e outros aspectos da produção trágica do nosso autor, tópico que é focado no segundo capítulo da primeira secção. A análise minuciosa das personagens segundo a perspectiva do desenvolvimento de cada um dos uitia, os seus efeitos sob o ponto de vista físico e psicológico, revela, em Séneca, um propósito que não é exclusivamente literário, tema de que a sectio altera se ocupa, em quatro capítulos, distribuídos por cada um dos affectus. Pretende-se dar um contributo para o estudo das tragédias enquanto obras com uma intenção, a um tempo, propedêutica e parenética. Ao introduzir personagens mitológicas que se vão transformando em monstra, criando um distanciamento entre caracteres e espectadores / leitores, Séneca contribuiu para que os seus contemporâneos aprendessem a rejeitar ou dominar os uitia como forma de atingir o bem supremo, a felicidade. |
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