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Envolvimento de crianças num programa grupal de terapia cognitivo-comportamental para perturbações emocionais – Caracterização e correlatos do envolvimento

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Enquadramento: As perturbações de ansiedade e as perturbações depressivas apresentam a maior prevalência a nível mundial entre crianças e jovens. Tendo em conta o impacto destas perturbações no funcionamento das crianças e jovens, torna-se importante o estudo de intervenções e a sua eficácia. As terapias cognitivo-comportamentais são consideradas a primeira linha de intervenção, demonstrando ser eficazes no tratamento de uma variedade de perturbações mentais, incluindo as perturbações de ansiedade. As terapias cognitivo-comportamentais em formato de grupo têm sido igualmente identificadas como eficazes no tratamento de perturbações de internalização. O envolvimento é uma componente bastante relevante em intervenções em formato de grupo, sendo importante perceber como evolui ao longo do tratamento e quais os seus correlatos. As variáveis sociodemográficas, as características clínicas e a motivação para a mudança têm sido analisadas enquanto preditores do envolvimento, embora os estudos sejam ainda escassos. Objetivo: Este estudo analisou o envolvimento da criança ao longo de um programa terapêutico de grupo dirigido às perturbações emocionais, considerando o envolvimento dentro e fora das sessões. Analisou também os correlatos deste envolvimento, nomeadamente as variáveis sociodemográficas, as características clínicas e a motivação para a mudança. Método: A amostra é constituída por crianças dos sete aos 12 anos com queixas de ansiedade que participam num programa cognitivo-comportamental grupal dirigido às perturbações emocionais. O envolvimento na sessão foi avaliado, ao longo de várias sessões, através de uma medida observacional, a Child Involvement Rating Scale e o envolvimento fora da sessão foi avaliado através de um indicador relativo à adesão às atividades para casa. Para obter os dados referentes aos correlatos foram recolhidos dados sociodemográficos, dados de intensidade da sintomatologia, com recurso à Revised Child Anxiety and Depression Scale, e a uma medida de motivação para a mudança. Resultados: Os resultados deste estudo indicam que não existiram diferenças estatisticamente significativas no envolvimento da criança observado entre o primeiro segmento da intervenção e o segundo segmento. No que concerne ao envolvimento fora das sessões, os resultados apontam para um declínio na adesão às atividades para casa no segundo segmento da intervenção. No que diz respeito aos correlatos de envolvimento dentro e fora das sessões, não se observaram associações estatisticamente significativas com a idade e a motivação para a mudança. Por sua vez, observaram-se diferenças no envolvimento nas sessões em relação ao sexo da criança: crianças do sexo masculino revelaram-se mais envolvidas nas sessões. Também a intensidade da sintomatologia se revelou negativa e significativamente associada ao envolvimento dentro e fora das sessões, nomeadamente crianças com níveis elevados de ansiedade social e sintomatologia depressiva envolveram-se menos nas sessões e revelaram menor adesão às atividades para casa. Conclusões: Os resultados deste estudo contribuem para o conhecimento de quais os fatores que devem ser mais trabalhados, de forma a aumentar o envolvimento das crianças e, por conseguinte, obter melhores resultados no tratamento de perturbações emocionais.
Autores principais:Massano, Laura Reis
Assunto:Ansiedade - Crianças Terapia cognitivo-comportamental Perturbações emocionais Intervenção terapêutica Envolvimento da criança Dissertações de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Enquadramento: As perturbações de ansiedade e as perturbações depressivas apresentam a maior prevalência a nível mundial entre crianças e jovens. Tendo em conta o impacto destas perturbações no funcionamento das crianças e jovens, torna-se importante o estudo de intervenções e a sua eficácia. As terapias cognitivo-comportamentais são consideradas a primeira linha de intervenção, demonstrando ser eficazes no tratamento de uma variedade de perturbações mentais, incluindo as perturbações de ansiedade. As terapias cognitivo-comportamentais em formato de grupo têm sido igualmente identificadas como eficazes no tratamento de perturbações de internalização. O envolvimento é uma componente bastante relevante em intervenções em formato de grupo, sendo importante perceber como evolui ao longo do tratamento e quais os seus correlatos. As variáveis sociodemográficas, as características clínicas e a motivação para a mudança têm sido analisadas enquanto preditores do envolvimento, embora os estudos sejam ainda escassos. Objetivo: Este estudo analisou o envolvimento da criança ao longo de um programa terapêutico de grupo dirigido às perturbações emocionais, considerando o envolvimento dentro e fora das sessões. Analisou também os correlatos deste envolvimento, nomeadamente as variáveis sociodemográficas, as características clínicas e a motivação para a mudança. Método: A amostra é constituída por crianças dos sete aos 12 anos com queixas de ansiedade que participam num programa cognitivo-comportamental grupal dirigido às perturbações emocionais. O envolvimento na sessão foi avaliado, ao longo de várias sessões, através de uma medida observacional, a Child Involvement Rating Scale e o envolvimento fora da sessão foi avaliado através de um indicador relativo à adesão às atividades para casa. Para obter os dados referentes aos correlatos foram recolhidos dados sociodemográficos, dados de intensidade da sintomatologia, com recurso à Revised Child Anxiety and Depression Scale, e a uma medida de motivação para a mudança. Resultados: Os resultados deste estudo indicam que não existiram diferenças estatisticamente significativas no envolvimento da criança observado entre o primeiro segmento da intervenção e o segundo segmento. No que concerne ao envolvimento fora das sessões, os resultados apontam para um declínio na adesão às atividades para casa no segundo segmento da intervenção. No que diz respeito aos correlatos de envolvimento dentro e fora das sessões, não se observaram associações estatisticamente significativas com a idade e a motivação para a mudança. Por sua vez, observaram-se diferenças no envolvimento nas sessões em relação ao sexo da criança: crianças do sexo masculino revelaram-se mais envolvidas nas sessões. Também a intensidade da sintomatologia se revelou negativa e significativamente associada ao envolvimento dentro e fora das sessões, nomeadamente crianças com níveis elevados de ansiedade social e sintomatologia depressiva envolveram-se menos nas sessões e revelaram menor adesão às atividades para casa. Conclusões: Os resultados deste estudo contribuem para o conhecimento de quais os fatores que devem ser mais trabalhados, de forma a aumentar o envolvimento das crianças e, por conseguinte, obter melhores resultados no tratamento de perturbações emocionais.