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Leishmaniose visceral e infeção por VIH em retrospetiva de 2000 a 2017 num hospital central de Lisboa

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Resumo:A leishmaniose visceral em contexto de infeção por VIH é caracterizada por alteração da expressão clínica, aumento da gravidade dos episódios clínicos, diminuição da resposta ao tratamento e à profilaxia secundária (além do aumento da incidência dos seus efeitos adversos), verificando-se aumento da letalidade e uma diminuição da sobrevida desta população. Realizámos um estudo retrospetivo e observacional em que foram analisados todos os casos de leishmaniose visceral confirmados por mielograma e co-infetados por VIH entre 2000 e 2017 no Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de Santa Maria. O objetivo principal foi investigar a eficácia de terapêutica e da profilaxia instituída pela determinação de número de recidivas e sobrevida. Os objetivos secundários foram a caracterização epidemiológica e clínica da população. Foram estudados 24 indivíduos co-infetados por VIH, que totalizaram 44 episódios clínicos. A contagem sérica média de células CD4+ registada foi de 69 células/ μL, sendo que em apenas 2 dos 44 episódios a contagem sérica de células CD4+ foi superior a 200 células/ μL. A febre e hipergamaglobulinémia manifestaram-se com menos frequência do que na população imunocompetente, á semelhança do que está descrito na literatura. Um terço da população faleceu no primeiro episódio clínico. Metade da população que não faleceu no primeiro episódio veio a recidivar uma ou múltiplas vezes. A anfotericina B teve uma eficácia curativa de 62%. As medidas profiláticas instituídas preveniram a recidiva com uma eficácia mais de duas vezes superior á ausência de profilaxia. A sobrevida após 5 anos de follow-up foi de 46%. Conclui-se que a LV no contexto da infeção VIH é uma doença de prognóstico reservado. A resposta sub-ótima á terapêutica verificada no estudo sugere a instituição de esquemas de maior eficácia, como a terapêutica combinada relatada na literatura. A profilaxia secundária está indicada dada a importância na prevenção de recaídas.
Autores principais:Caria, João Pedro Bretes Menezes
Assunto:Leishmaniose visceral VIH Doenças transmissíveis
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A leishmaniose visceral em contexto de infeção por VIH é caracterizada por alteração da expressão clínica, aumento da gravidade dos episódios clínicos, diminuição da resposta ao tratamento e à profilaxia secundária (além do aumento da incidência dos seus efeitos adversos), verificando-se aumento da letalidade e uma diminuição da sobrevida desta população. Realizámos um estudo retrospetivo e observacional em que foram analisados todos os casos de leishmaniose visceral confirmados por mielograma e co-infetados por VIH entre 2000 e 2017 no Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de Santa Maria. O objetivo principal foi investigar a eficácia de terapêutica e da profilaxia instituída pela determinação de número de recidivas e sobrevida. Os objetivos secundários foram a caracterização epidemiológica e clínica da população. Foram estudados 24 indivíduos co-infetados por VIH, que totalizaram 44 episódios clínicos. A contagem sérica média de células CD4+ registada foi de 69 células/ μL, sendo que em apenas 2 dos 44 episódios a contagem sérica de células CD4+ foi superior a 200 células/ μL. A febre e hipergamaglobulinémia manifestaram-se com menos frequência do que na população imunocompetente, á semelhança do que está descrito na literatura. Um terço da população faleceu no primeiro episódio clínico. Metade da população que não faleceu no primeiro episódio veio a recidivar uma ou múltiplas vezes. A anfotericina B teve uma eficácia curativa de 62%. As medidas profiláticas instituídas preveniram a recidiva com uma eficácia mais de duas vezes superior á ausência de profilaxia. A sobrevida após 5 anos de follow-up foi de 46%. Conclui-se que a LV no contexto da infeção VIH é uma doença de prognóstico reservado. A resposta sub-ótima á terapêutica verificada no estudo sugere a instituição de esquemas de maior eficácia, como a terapêutica combinada relatada na literatura. A profilaxia secundária está indicada dada a importância na prevenção de recaídas.