Publicação
Padrão microbiológico das infeções associadas aos cuidados de saúde numa unidade de cuidados intensivos pediátrica
| Resumo: | Introdução: As infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) são um problema contínuo em ambiente hospitalar que, apesar de um controlo e medidas de prevenção constantes, continuam a ter uma prevalência elevada. Estas infeções ocorrem após um internamento superior a 48 horas e contribuem para o aumento da morbimortalidade. Objetivo: Estudar o padrão microbiológico da Unidade de Cuidados Intensivos Pediátrica do Hospital Santa Maria de forma a caracterizar as IACS nos últimos dois anos, assim como o perfil de resistências aos antibióticos das bactérias identificadas. Material e métodos: Estudo observacional retrospetivo, com base na consulta dos processos clínicos e base de dados da unidade, das infeções associadas a cuidados de saúde adquiridas na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital Santa Maria, no período compreendido entre 1 de janeiro 2022 e 31 de dezembro de 2023. Resultados: No período estudado ocorreram 737 admissões na UCIPed do HSM, sendo elegíveis 550 por apresentarem um internamento de duração igual ou superior a 48 horas. Ocorreram 71 IACS em 57 crianças e a incidência global de IACS foi de 12,9%, das quais 85,9% foram infeções respiratórias, 8,5% bacteriemias, 4,2% infeções urinárias; houve um caso de infeção por Clostridium difficile. Foram isoladas 83 bactérias, das quais 19,3% correspondiam a bactérias Gram+ e 81,9% a Gram-. Foram detetadas 2,4% (2/83) de bactérias MRSA, 21% (7/33) Enterobactereáceas produtoras de ESBL e a resistência a carbapenemes registou-se em 4,8% (4/83) dos isolamentos. Não se encontrou associação entre ocorrência de IAC e doença crónica, mas quase todos os doentes com IAC tinham um dispositivo médico invasivo. A duração de internamento e de ventilação invasiva, bem como a taxa de mortalidade, foram significativamente superiores nos doentes com IAC, relativamente aos restantes. Conclusão: A presença de pelo menos uma IAC associou-se a maior duração de internamento e mortalidade. Os isolamentos realizados neste período de tempo permitiram-nos concluir que os valores de MRSA, resistências a vancomicina e a carbapenemes assim como a presença de bactérias produtoras de carbapenemases são inferiores quando comparadas com Portugal e Europa. |
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| Autores principais: | Gonçalves, Filipa João |
| Assunto: | Infecções Resistências a antibióticos Cuidados intensivos Pediatria |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: As infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) são um problema contínuo em ambiente hospitalar que, apesar de um controlo e medidas de prevenção constantes, continuam a ter uma prevalência elevada. Estas infeções ocorrem após um internamento superior a 48 horas e contribuem para o aumento da morbimortalidade. Objetivo: Estudar o padrão microbiológico da Unidade de Cuidados Intensivos Pediátrica do Hospital Santa Maria de forma a caracterizar as IACS nos últimos dois anos, assim como o perfil de resistências aos antibióticos das bactérias identificadas. Material e métodos: Estudo observacional retrospetivo, com base na consulta dos processos clínicos e base de dados da unidade, das infeções associadas a cuidados de saúde adquiridas na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital Santa Maria, no período compreendido entre 1 de janeiro 2022 e 31 de dezembro de 2023. Resultados: No período estudado ocorreram 737 admissões na UCIPed do HSM, sendo elegíveis 550 por apresentarem um internamento de duração igual ou superior a 48 horas. Ocorreram 71 IACS em 57 crianças e a incidência global de IACS foi de 12,9%, das quais 85,9% foram infeções respiratórias, 8,5% bacteriemias, 4,2% infeções urinárias; houve um caso de infeção por Clostridium difficile. Foram isoladas 83 bactérias, das quais 19,3% correspondiam a bactérias Gram+ e 81,9% a Gram-. Foram detetadas 2,4% (2/83) de bactérias MRSA, 21% (7/33) Enterobactereáceas produtoras de ESBL e a resistência a carbapenemes registou-se em 4,8% (4/83) dos isolamentos. Não se encontrou associação entre ocorrência de IAC e doença crónica, mas quase todos os doentes com IAC tinham um dispositivo médico invasivo. A duração de internamento e de ventilação invasiva, bem como a taxa de mortalidade, foram significativamente superiores nos doentes com IAC, relativamente aos restantes. Conclusão: A presença de pelo menos uma IAC associou-se a maior duração de internamento e mortalidade. Os isolamentos realizados neste período de tempo permitiram-nos concluir que os valores de MRSA, resistências a vancomicina e a carbapenemes assim como a presença de bactérias produtoras de carbapenemases são inferiores quando comparadas com Portugal e Europa. |
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