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Panorama atual da abordagem à osteonecrose do maxilar induzida por fármacos (MRONJ) : uma revisão da literatura

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A Osteonecrose Mandibular Induzida por Fármacos (internacionalmente designada MRONJ) é um efeito adverso raro, contudo grave, atualmente associado a vários fármacos, sendo os bifosfonatos e o denosumab os mais estudados. Até hoje, existem algumas teorias que tentam explicar a sua fisiopatologia, nenhuma delas comprovada. Apresenta-se, frequentemente, com parestesias da mandíbula e região labial, ou halitose, podendo progredir silenciosamente e manifestar apenas as complicações da necrose óssea, como a infeção. Faz diagnóstico diferencial com várias entidades, desde sinusite, até distúrbios da ATM, sendo fundamental a colheita de uma história clínica completa, incluindo os fatores de risco do doente. A literatura descreve dois tipos de abordagem, um conservador, que passa pelas lavagens orais com antissépticos, e, verificando-se infeção concomitante, antibioticoterapia; e um invasivo, que defende a remoção cirúrgica do tecido necrosado e reconstrução mucosa, para promover a correta cicatrização. Contudo, a falta de consenso na literatura traduz-se na falta de um algoritmo universalmente aceite de gestão desta patologia. A AAOMS, no seu mais recente consenso, de 2014, propõe um sistema de classificação da MRONJ em quatro estádios e um algoritmo de abordagem baseado nos mesmos. Neste trabalho, faz-se uma revisão da literatura, partindo de artigos redigidos sobre o tema, entre 2011 e 2019, no sentido de esclarecer as principais discórdias entre autores, bem como as várias abordagens estudadas até à data. Conclui-se que esta discórdia é principalmente devida à falta de definição dos conceitos base nesta área, pelo que, para que se consiga estabelecer um algoritmo de abordagem universalmente aceite, é necessário esclarecer os critérios de diagnóstico da patologia, bem como rever a sua classificação, possivelmente com recurso a técnicas de imagem, assim como clarificar os resultados pretendidos – controlo sintomático, não recorrência de lesões ou remoção do tecido necrótico com estabilização mucosa a longo prazo.
Autores principais:Samúdio, Maria João da Costa e Silva Oliveira
Assunto:Osteonecrose mandibular induzida por fármacos Osteonecrose Bifosfonatos Denosumab Estomatologia
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Osteonecrose Mandibular Induzida por Fármacos (internacionalmente designada MRONJ) é um efeito adverso raro, contudo grave, atualmente associado a vários fármacos, sendo os bifosfonatos e o denosumab os mais estudados. Até hoje, existem algumas teorias que tentam explicar a sua fisiopatologia, nenhuma delas comprovada. Apresenta-se, frequentemente, com parestesias da mandíbula e região labial, ou halitose, podendo progredir silenciosamente e manifestar apenas as complicações da necrose óssea, como a infeção. Faz diagnóstico diferencial com várias entidades, desde sinusite, até distúrbios da ATM, sendo fundamental a colheita de uma história clínica completa, incluindo os fatores de risco do doente. A literatura descreve dois tipos de abordagem, um conservador, que passa pelas lavagens orais com antissépticos, e, verificando-se infeção concomitante, antibioticoterapia; e um invasivo, que defende a remoção cirúrgica do tecido necrosado e reconstrução mucosa, para promover a correta cicatrização. Contudo, a falta de consenso na literatura traduz-se na falta de um algoritmo universalmente aceite de gestão desta patologia. A AAOMS, no seu mais recente consenso, de 2014, propõe um sistema de classificação da MRONJ em quatro estádios e um algoritmo de abordagem baseado nos mesmos. Neste trabalho, faz-se uma revisão da literatura, partindo de artigos redigidos sobre o tema, entre 2011 e 2019, no sentido de esclarecer as principais discórdias entre autores, bem como as várias abordagens estudadas até à data. Conclui-se que esta discórdia é principalmente devida à falta de definição dos conceitos base nesta área, pelo que, para que se consiga estabelecer um algoritmo de abordagem universalmente aceite, é necessário esclarecer os critérios de diagnóstico da patologia, bem como rever a sua classificação, possivelmente com recurso a técnicas de imagem, assim como clarificar os resultados pretendidos – controlo sintomático, não recorrência de lesões ou remoção do tecido necrótico com estabilização mucosa a longo prazo.