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COVID-19 e doença cardiovascular - dos mecanismos básicos às perspectivas clínicas

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Resumo:A infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 foi detetada em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan na China, e desde então tem-se propagado pelo mundo, devido à sua rápida e descontrolada transmissão. Face ao número crescente de casos de COVID-19, a doença provocada pelo SARS-CoV-2, e tendo em conta a ameaça global que ela representava, em março de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou-a oficialmente como uma pandemia. Apesar das principais manifestações clínicas da COVID-19 serem essencialmente do foro respiratório, foram reportadas em grande escala complicações cardiovasculares associadas a elevadas taxas de morbilidade e mortalidade. A entrada e patogénese do vírus na célula hospedeira depende fundamentalmente da ligação ao recetor, a enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2) e da presença de proteases como as catepsinas B/L e Transmembrane protease serine 2 (TMPRSS2). A ECA2 regula negativamente o sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona ao converter a Angiotensina II (Ang II), um potente vasoconstritor, em Angiotensina-1,7 (Ang[1-7]) um mediador vasodilatador. A entrada do SARS-CoV-2 no hospedeiro promove a desregulação do recetor ECA2 e consequentemente potencia o eixo ECA/Ang II/ recetor AT1 (RAT1), gerando-se alterações hemodinâmicas no organismo hospedeiro. A expressão da ECA2 nas células do miocárdio de indivíduos saudáveis, revelou ser superior nos pericitos, estando aumentada nos indivíduos com patologias cardiovasculares prévias, tais como a hipertrofia cardíaca, doença arterial coronária e hipertensão. A entrada do SARS-CoV-2 nas células do miocárdio provoca a lesão direta dos cardiomiócitos, o que juntamente com a resposta inflamatória desencadeada pelo organismo e a hipóxia do miocárdio favorece o desenvolvimento de várias complicações cardiovasculares nomeadamente, síndrome coronário agudo, arritmia, tromboembolismo e insuficiência cardíaca. Face ao conhecimento sobre o ciclo de vida do vírus e dos possíveis mecanismos de infeção no organismo humano têm vindo a ser investigadas várias opções farmacoterapêuticas para o tratamento da doença COVID-19, realçando-se ensaios clínicos com análogos nucleotídeos, inibidores de proteases, inibidores da fusão da membrana, anticorpos monoclonais e terapêutica anti-inflamatória.
Autores principais:Almeida, Margarida Martins Bartilotti
Assunto:SARS-CoV-2 COVID-19 Doenças cardiovasculares Fisiopatologia Farmacoterapia Mestrado integrado - 2021
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 foi detetada em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan na China, e desde então tem-se propagado pelo mundo, devido à sua rápida e descontrolada transmissão. Face ao número crescente de casos de COVID-19, a doença provocada pelo SARS-CoV-2, e tendo em conta a ameaça global que ela representava, em março de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou-a oficialmente como uma pandemia. Apesar das principais manifestações clínicas da COVID-19 serem essencialmente do foro respiratório, foram reportadas em grande escala complicações cardiovasculares associadas a elevadas taxas de morbilidade e mortalidade. A entrada e patogénese do vírus na célula hospedeira depende fundamentalmente da ligação ao recetor, a enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2) e da presença de proteases como as catepsinas B/L e Transmembrane protease serine 2 (TMPRSS2). A ECA2 regula negativamente o sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona ao converter a Angiotensina II (Ang II), um potente vasoconstritor, em Angiotensina-1,7 (Ang[1-7]) um mediador vasodilatador. A entrada do SARS-CoV-2 no hospedeiro promove a desregulação do recetor ECA2 e consequentemente potencia o eixo ECA/Ang II/ recetor AT1 (RAT1), gerando-se alterações hemodinâmicas no organismo hospedeiro. A expressão da ECA2 nas células do miocárdio de indivíduos saudáveis, revelou ser superior nos pericitos, estando aumentada nos indivíduos com patologias cardiovasculares prévias, tais como a hipertrofia cardíaca, doença arterial coronária e hipertensão. A entrada do SARS-CoV-2 nas células do miocárdio provoca a lesão direta dos cardiomiócitos, o que juntamente com a resposta inflamatória desencadeada pelo organismo e a hipóxia do miocárdio favorece o desenvolvimento de várias complicações cardiovasculares nomeadamente, síndrome coronário agudo, arritmia, tromboembolismo e insuficiência cardíaca. Face ao conhecimento sobre o ciclo de vida do vírus e dos possíveis mecanismos de infeção no organismo humano têm vindo a ser investigadas várias opções farmacoterapêuticas para o tratamento da doença COVID-19, realçando-se ensaios clínicos com análogos nucleotídeos, inibidores de proteases, inibidores da fusão da membrana, anticorpos monoclonais e terapêutica anti-inflamatória.