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Fundos comunitários e competitividade externa . O caso português.

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Resumo:Portugal, em 1999, participou no grupo fundador da União Económica e Monetária Europeia (zona euro), perdendo o instrumento taxa de câmbio. Ao longo de todo o processo de convergência foi visível uma clara tendência de apreciação da taxa de câmbio real. Esta é definida como o preço relativo dos bens transaccionáveis face aos não-transaccionáveis. Procurou-se analisar em que medida essa tendência foi um fenómeno de equilíbrio, ou se, pelo contrário, reflectiu uma situação de perda de competitividade externa. Por outro lado, pretendeu-se identificar quais os principais factores a explicarem essa tendência de apreciação. Os resultados empíricos permitiram concluir que; i) a apreciação foi um fenómeno de equilíbrio, desta forma não gerando uma perda excessiva de competitividade, mas antes reflectindo o processo de convergência real da economia portuguesa. Em 1999, quando da adopção do euro, a taxa de câmbio real do escudo não se encontrava muito afastada do seu nível de equilíbrio; ii) as principais determinantes desta tendência de longo prazo foram os fundos comunitários e a despesa pública, além dos termos de troca, do progresso técnico e das remessas de emigrantes. A análise permitiu ainda identificar factores de risco para o futuro. Por um lado, a esperada redução dos fundos comunitários implicará um abrandamento do processo de apreciação da taxa de câmbio real de equilíbrio, o que coloca pressões ao nível da apreciação da taxa de câmbio real, que terá de ser igualmente mais limitada. Por outro lado, a despesa pública, na análise da dinâmica de curto prazo, contribui para a apreciação da taxa de câmbio real, por via do mercado de não transaccionáveis, e a recente aceleração da despesa pública, apesar da redução do défice público aumenta os factores de desestabilização macroeconómica. Sai, assim, reforçada a necessidade de aprofundar as reformas estruturais da economia portuguesa, flexibilizando os mercados de bens e de trabalho, além da consolidação das contas públicas, sobretudo através do controlo da despesa pública, visando o rápido cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Autores principais:Constantino, Rui António Lopes
Assunto:Taxa de câmbio real Política cambial Política orçamental União Económica e Monetária Modelos econométricos Real exchange rate Exchange rate policy Fiscal policy Monetary and Economic Union Econometric models
Ano:2001
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Portugal, em 1999, participou no grupo fundador da União Económica e Monetária Europeia (zona euro), perdendo o instrumento taxa de câmbio. Ao longo de todo o processo de convergência foi visível uma clara tendência de apreciação da taxa de câmbio real. Esta é definida como o preço relativo dos bens transaccionáveis face aos não-transaccionáveis. Procurou-se analisar em que medida essa tendência foi um fenómeno de equilíbrio, ou se, pelo contrário, reflectiu uma situação de perda de competitividade externa. Por outro lado, pretendeu-se identificar quais os principais factores a explicarem essa tendência de apreciação. Os resultados empíricos permitiram concluir que; i) a apreciação foi um fenómeno de equilíbrio, desta forma não gerando uma perda excessiva de competitividade, mas antes reflectindo o processo de convergência real da economia portuguesa. Em 1999, quando da adopção do euro, a taxa de câmbio real do escudo não se encontrava muito afastada do seu nível de equilíbrio; ii) as principais determinantes desta tendência de longo prazo foram os fundos comunitários e a despesa pública, além dos termos de troca, do progresso técnico e das remessas de emigrantes. A análise permitiu ainda identificar factores de risco para o futuro. Por um lado, a esperada redução dos fundos comunitários implicará um abrandamento do processo de apreciação da taxa de câmbio real de equilíbrio, o que coloca pressões ao nível da apreciação da taxa de câmbio real, que terá de ser igualmente mais limitada. Por outro lado, a despesa pública, na análise da dinâmica de curto prazo, contribui para a apreciação da taxa de câmbio real, por via do mercado de não transaccionáveis, e a recente aceleração da despesa pública, apesar da redução do défice público aumenta os factores de desestabilização macroeconómica. Sai, assim, reforçada a necessidade de aprofundar as reformas estruturais da economia portuguesa, flexibilizando os mercados de bens e de trabalho, além da consolidação das contas públicas, sobretudo através do controlo da despesa pública, visando o rápido cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento.