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Terapias biológicas e a artrite reumatóide

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Resumo:A artrite reumatóide é uma doença autoimune, de etiologia desconhecida, caracterizada pela destruição, mais ou menos gradual, das articulações, podendo essa destruição estender-se até à cartilagem e ossos. Afeta sobretudo mulheres, e a sua incidência é maior com o avançar da idade. Um diagnóstico precoce e tratamento adequado são dois fatores preditivos de bom prognóstico. Os objetivos do tratamento são a redução da inflamação, alívio da dor e impedir a disfunção articular. Tal pode ser conseguido não só com tratamento farmacológico, mas também colocando em prática medidas não farmacológicas, como a prática de exercício físico regular e uma alimentação cuidada. Relativamente ao tratamento farmacológico, irá variar de acordo com a atividade da doença e manifestação de sintomas, que geralmente incluem rigidez matinal, poliartrite simétrica com envolvimento das articulações das mãos e fadiga. Habitualmente, para um controlo inicial da doença e, se possível, a sua remissão (que raramente é alcançada) são administrados, em primeira linha, antirreumatismais clássicos de que é exemplo o metotrexato, em conjunto com glucocorticoides em baixa dose, até que os antirreumatismais convencionais comecem a exercer a sua ação imunossupressora, que usualmente tem início no período de alguns meses. Em indivíduos reumáticos que se mostram intolerantes aos fármacos antirreumatismais clássicos e/ou há falha na remissão da doença, as terapias biológicas constituem, em grande parte dos casos, uma escolha eficaz. Os fármacos biológicos, de acordo com a classe a que pertencem, podem inibir a ação de citocinas próinflamatórias como o TNF-α, IL-1, Il-6 ou o CD20. Em termos práticos, atuam na redução da inflamação, através da modulação da ação dos componentes do sistema imunitário. Porém, ainda que a introdução dos medicamentos biológicos tenha representado um marco importante no tratamento da artrite reumatóide, tal como acontece com todos os fármacos, sem exceção, os biológicos vêm com as suas desvantagens, sendo o custo elevado, a administração parentérica e os efeitos secundários algumas das razões que podem limitar a sua utilização mais ampla. Neste sentido, esta monografia explora o modo como as terapias biológicas vieram alterar o paradigma do tratamento, assim como os riscos associados à imunossupressão e o futuro destas terapêuticas.
Autores principais:Silva, Sara Alexandra Almeida Barroso da
Assunto:Artrite reumatóide Articulações Inflamação Imunossupressão Terapias biológicas Mestrado Integrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A artrite reumatóide é uma doença autoimune, de etiologia desconhecida, caracterizada pela destruição, mais ou menos gradual, das articulações, podendo essa destruição estender-se até à cartilagem e ossos. Afeta sobretudo mulheres, e a sua incidência é maior com o avançar da idade. Um diagnóstico precoce e tratamento adequado são dois fatores preditivos de bom prognóstico. Os objetivos do tratamento são a redução da inflamação, alívio da dor e impedir a disfunção articular. Tal pode ser conseguido não só com tratamento farmacológico, mas também colocando em prática medidas não farmacológicas, como a prática de exercício físico regular e uma alimentação cuidada. Relativamente ao tratamento farmacológico, irá variar de acordo com a atividade da doença e manifestação de sintomas, que geralmente incluem rigidez matinal, poliartrite simétrica com envolvimento das articulações das mãos e fadiga. Habitualmente, para um controlo inicial da doença e, se possível, a sua remissão (que raramente é alcançada) são administrados, em primeira linha, antirreumatismais clássicos de que é exemplo o metotrexato, em conjunto com glucocorticoides em baixa dose, até que os antirreumatismais convencionais comecem a exercer a sua ação imunossupressora, que usualmente tem início no período de alguns meses. Em indivíduos reumáticos que se mostram intolerantes aos fármacos antirreumatismais clássicos e/ou há falha na remissão da doença, as terapias biológicas constituem, em grande parte dos casos, uma escolha eficaz. Os fármacos biológicos, de acordo com a classe a que pertencem, podem inibir a ação de citocinas próinflamatórias como o TNF-α, IL-1, Il-6 ou o CD20. Em termos práticos, atuam na redução da inflamação, através da modulação da ação dos componentes do sistema imunitário. Porém, ainda que a introdução dos medicamentos biológicos tenha representado um marco importante no tratamento da artrite reumatóide, tal como acontece com todos os fármacos, sem exceção, os biológicos vêm com as suas desvantagens, sendo o custo elevado, a administração parentérica e os efeitos secundários algumas das razões que podem limitar a sua utilização mais ampla. Neste sentido, esta monografia explora o modo como as terapias biológicas vieram alterar o paradigma do tratamento, assim como os riscos associados à imunossupressão e o futuro destas terapêuticas.