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Estratégias Socioespaciais e r(existência) de mulheres assentadas no interior de São Paulo - Brasil
| Resumo: | O espaço rural por muito tempo foi interpretado sob uma perspectiva limitada, que colocava como centro de análise a figura masculina: o agricultor, o pai, o esposo, o filho, o chefe da família, desconsiderando assim, outras personagens que o integram: as mulheres, por exemplo. Aquelas cujos braços sustentam a base da produção com seu trabalho reprodutivo. Cozinham, limpam, educam, criam, costuram, alimentam, plantam, colhem, mas muitas vezes são secundarizadas e relegadas ao esquecimento. Tal situação não foi diferente em análises sobre o espaço urbano. A luta pelo reconhecimento e a valorização do trabalho feminino na sociedade como um todo é um processo iniciado há tempos, que ainda se encontra em devir, e sabemos que as mudanças não alcançam os lugares com a mesma intensidade e ao mesmo tempo. O rural, que é heterogêneo e multifacetado, possui tempos de lentidão. É comum que a mulher rural não tenha consciência do trabalho por ela exercido, já que nas pequenas propriedades e assentamento rurais, há a indissociabilidade entre espaço de produção e de reprodução, tornando complexa a definição precisa do trabalho executado. Por isso a luta destas mulheres começou com uma pauta específica: ter o reconhecimento profissional enquanto agricultoras, pois, a partir disso, conquistariam os direitos que lhes foram historicamente negados. Desde o despertar desta realidade de exclusão, violências, silenciamentos, confrontos, a busca por melhorias das condições de vida e de trabalho têm sido incessantes. A princípio, em meados dos anos 1980, as reivindicações das agricultoras pautavam-se na igualdade de direitos à terra, na política de reforma agrária, acesso à previdência social, no reconhecimento profissional, no direito de se sindicalizar e serem incluídas no bloco de notas fiscais do(a) agricultor(a). Porém, com o decorrer do tempo, o movimento aderiu à novas demandas, passando a lutar por causas mais amplas como acesso ao crédito, às políticas de comercialização e assistência técnica especializada, à alimentação saudável e à agroecologia (BUTTO3 ; LEITE, 2011). Não bastassem lutar por si mesmas, essas mulheres estão à frente de intermediações em prol de suas famílias, das comunidades em que vivem, perseguindo demandas por educação, saúde, habitação, infraestrutura, preservação do meio ambiente, direitos de povos originários, como indígenas e quilombolas, ou famílias atingidas por barragens, enfim, são inúmeras pautas. |
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| Autores principais: | Paula, Larissa Araújo Coutinho de |
| Assunto: | Mulheres Interior de S. Paulo Brasil Estratégias Socioespaciais |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O espaço rural por muito tempo foi interpretado sob uma perspectiva limitada, que colocava como centro de análise a figura masculina: o agricultor, o pai, o esposo, o filho, o chefe da família, desconsiderando assim, outras personagens que o integram: as mulheres, por exemplo. Aquelas cujos braços sustentam a base da produção com seu trabalho reprodutivo. Cozinham, limpam, educam, criam, costuram, alimentam, plantam, colhem, mas muitas vezes são secundarizadas e relegadas ao esquecimento. Tal situação não foi diferente em análises sobre o espaço urbano. A luta pelo reconhecimento e a valorização do trabalho feminino na sociedade como um todo é um processo iniciado há tempos, que ainda se encontra em devir, e sabemos que as mudanças não alcançam os lugares com a mesma intensidade e ao mesmo tempo. O rural, que é heterogêneo e multifacetado, possui tempos de lentidão. É comum que a mulher rural não tenha consciência do trabalho por ela exercido, já que nas pequenas propriedades e assentamento rurais, há a indissociabilidade entre espaço de produção e de reprodução, tornando complexa a definição precisa do trabalho executado. Por isso a luta destas mulheres começou com uma pauta específica: ter o reconhecimento profissional enquanto agricultoras, pois, a partir disso, conquistariam os direitos que lhes foram historicamente negados. Desde o despertar desta realidade de exclusão, violências, silenciamentos, confrontos, a busca por melhorias das condições de vida e de trabalho têm sido incessantes. A princípio, em meados dos anos 1980, as reivindicações das agricultoras pautavam-se na igualdade de direitos à terra, na política de reforma agrária, acesso à previdência social, no reconhecimento profissional, no direito de se sindicalizar e serem incluídas no bloco de notas fiscais do(a) agricultor(a). Porém, com o decorrer do tempo, o movimento aderiu à novas demandas, passando a lutar por causas mais amplas como acesso ao crédito, às políticas de comercialização e assistência técnica especializada, à alimentação saudável e à agroecologia (BUTTO3 ; LEITE, 2011). Não bastassem lutar por si mesmas, essas mulheres estão à frente de intermediações em prol de suas famílias, das comunidades em que vivem, perseguindo demandas por educação, saúde, habitação, infraestrutura, preservação do meio ambiente, direitos de povos originários, como indígenas e quilombolas, ou famílias atingidas por barragens, enfim, são inúmeras pautas. |
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