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Rastreio virológico de cães errantes da cidade de Vila do Maio, Cabo Verde

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Resumo:As infeções pelo parvovírus canino (CPV), vírus da esgana canina (CDV) e coronavírus canino (CCoV) são importantes causas de morbilidade e de mortalidade em cães de todo o mundo. Contudo, aparentemente não se conhece a sua incidência e prevalência no arquipélago de Cabo Verde. Para determinar a prevalência dessas infeções na população canina da cidade de Vila do Maio, situada na ilha do Maio, foram colhidas amostras a partir cães errantes desse local em dois períodos distintos: no ano de 2010 obtiveram-se 53 zaragatoas retais e em 2011 colheram-se 93 zaragatoas retais e 88 amostras de sangue, existindo 56 animais coincidentes nos dois tipos de amostra. Do total de 125 cães amostrados neste último ano apenas 2 eram vacinados. Testou-se a presença de ácido nucleico viral por real-time PCR e real-time RT-PCR a partir das zaragatoas e analisou-se a presença de anticorpos contra CPV e CDV nas amostras de sangue. Em relação a 2010, detetou-se ácido nucleico viral em 43,3% (23/53) das amostras para CPV, 11,3% (6/53) para CDV e 1,9% (1/53) para CCoV. Em 2011, a prevalência de CPV foi de 44,1% (41/93), 0% para CDV e 1,1% (1/93) para CCoV. Ainda neste ano, anticorpos contra o CPV foram detetados em 71,6% (63/88) das amostras de sangue e a seroprevalência no caso do CDV foi de 51,1% (45/88). A presença de anticorpos anti-CPV foi significativamente superior nos cães mais velhos e observou-se uma tendência crescente de seropositividade com o aumento da idade no caso do CDV, embora não fosse estatisticamente significativo. Não se registaram diferenças de seroprevalência em relação ao género dos animais. Este trabalho demonstra a importância da vigilância epidemiológica molecular em populações de animais errantes e domésticos das cidades, uma vez que o seu elevado número possibilita a disseminação e manutenção dos vírus nestes locais, que pode conduzir a uma elevada mortalidade em populações com reduzidas taxas de vacinação. Para além disso, estes animais podem constituir reservatórios das doenças, havendo possibilidade de transmissão às populações de animais selvagens através de contactos ocasionais. Seria importante identificar a fauna silvestre suscetível da ilha do Maio, para se avaliar até que ponto os vírus que se encontram em Vila do Maio podem constituir um perigo para esses animais.
Autores principais:Castanheira, Pedro Joaquim de Carvalho Mendes
Assunto:Rastreio virológico epidemiologia molecular parvovírus canino vírus da esgana canina coronavírus canino Cabo Verde virological survey molecular epidemiology canine parvovirus canine distemper virus canine coronavirus Cape Verde
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As infeções pelo parvovírus canino (CPV), vírus da esgana canina (CDV) e coronavírus canino (CCoV) são importantes causas de morbilidade e de mortalidade em cães de todo o mundo. Contudo, aparentemente não se conhece a sua incidência e prevalência no arquipélago de Cabo Verde. Para determinar a prevalência dessas infeções na população canina da cidade de Vila do Maio, situada na ilha do Maio, foram colhidas amostras a partir cães errantes desse local em dois períodos distintos: no ano de 2010 obtiveram-se 53 zaragatoas retais e em 2011 colheram-se 93 zaragatoas retais e 88 amostras de sangue, existindo 56 animais coincidentes nos dois tipos de amostra. Do total de 125 cães amostrados neste último ano apenas 2 eram vacinados. Testou-se a presença de ácido nucleico viral por real-time PCR e real-time RT-PCR a partir das zaragatoas e analisou-se a presença de anticorpos contra CPV e CDV nas amostras de sangue. Em relação a 2010, detetou-se ácido nucleico viral em 43,3% (23/53) das amostras para CPV, 11,3% (6/53) para CDV e 1,9% (1/53) para CCoV. Em 2011, a prevalência de CPV foi de 44,1% (41/93), 0% para CDV e 1,1% (1/93) para CCoV. Ainda neste ano, anticorpos contra o CPV foram detetados em 71,6% (63/88) das amostras de sangue e a seroprevalência no caso do CDV foi de 51,1% (45/88). A presença de anticorpos anti-CPV foi significativamente superior nos cães mais velhos e observou-se uma tendência crescente de seropositividade com o aumento da idade no caso do CDV, embora não fosse estatisticamente significativo. Não se registaram diferenças de seroprevalência em relação ao género dos animais. Este trabalho demonstra a importância da vigilância epidemiológica molecular em populações de animais errantes e domésticos das cidades, uma vez que o seu elevado número possibilita a disseminação e manutenção dos vírus nestes locais, que pode conduzir a uma elevada mortalidade em populações com reduzidas taxas de vacinação. Para além disso, estes animais podem constituir reservatórios das doenças, havendo possibilidade de transmissão às populações de animais selvagens através de contactos ocasionais. Seria importante identificar a fauna silvestre suscetível da ilha do Maio, para se avaliar até que ponto os vírus que se encontram em Vila do Maio podem constituir um perigo para esses animais.