Publicação

Nanoformulations of a potent aquaporin-3 inhibitor with cytotoxic effect against cancer cell lines

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:As aquaporinas (AQPs) são proteínas transmembranares responsáveis pelo transporte de água e de outros solutos, como o glicerol, através das membranas plasmáticas. Estes transportadores entraram recentemente na lista de possíveis alvos terapêuticos na área da oncobiologia uma vez que a sua sobre-expressão está associada a diferentes tipos de cancro. Em particular a aquaporina-3 (AQP3), uma aquagliceroporina abundantemente expressa ao nível da epiderme, é agora tida como “chave” na tumorigénese e quimioresistência em casos de cancro de pele. Deste modo, as AQPs estão a ganhar relevância enquanto alvos biológicos na terapia do cancro e os seus modeladores a reunir interesse por parte da indústria farmacêutica. Recentemente, o nosso grupo descreveu diferentes compostos baseados em iões metálicos como inibidores potentes e selectivos da AQP3 humana. Em particular, o composto derivado de cobre(II) da fenantrolina – Cuphen – demonstrou ter efeito inibitório selectivo sobre a permeabilidade ao glicerol quando testado em eritrócitos humanos, mostrando-se assim promissor para administração in vivo. Por conseguinte, este trabalho teve como principal objectivo o desenvolvimento de um sistema de veiculação adequado, baseado em estruturas lipídicas artificiais, nomeadamente lipossomas, de modo a poder permitir uma estabilização de inibidores da AQP3, alterando o seu perfil de biodistribuição in vivo, proporcionando um direccionamento preferencial para as áreas de interesse terapêutico aquando da sua administração. Assim, e recorrendo à linha celular tumoral A431, derivada de carcinoma epidermoide humano, e que apresenta sobre-expressão endógena de AQP3, foi avaliado o potencial citotóxico de diferentes compostos metálicos inibidores da AQP3. Após identificação do composto mais citotóxico, o Cuphen (([Cu(phen)Cl2]Cl (phen = 1,10-fenantrolina)), já descrito como inibidor selectivo da AQP3 em eritrócitos humanos, foi seleccionado para incorporação em lipossomas de escala nanométrica (inferior a 0.2 μm). Usando diferentes composições lipídicas foram obtidas eficiências de incorporação de cerca de 50%. O efeito citotóxico do Cuphen, nas formas livre e lipossomal, foi avaliado na linha celular A431 e numa linha de cancro de cólon de murganho (C26). Para a forma livre, obtiveram-se valores de IC50 de 3.0 ± 0.4 μM e 1.8 ± 0.1 μM para as linhas A431 e C26, respectivamente, após 72h de incubação. A incorporação do Cuphen em lipossomas permitiu a preservação do seu efeito citotóxico (IC50 ≤ 10 μM após 72h de incubação). É ainda de referir que os lipossomas vazios não apresentaram qualquer efeito a nível da viabilidade das células testadas. Com base nestes resultados, o estudo de formulações lipossomais para encapsular este inibidor deve ser aprofundado e o estabelecimento de um modelo animal de melanoma humano deve ser considerado, por forma a avaliar o efeito terapêutico deste composto metálico.
Autores principais:Nave, Mariana Vieira de Almeida
Assunto:Aquaporina-3 Cancro Cuphen Lipossomas Teses de mestrado - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As aquaporinas (AQPs) são proteínas transmembranares responsáveis pelo transporte de água e de outros solutos, como o glicerol, através das membranas plasmáticas. Estes transportadores entraram recentemente na lista de possíveis alvos terapêuticos na área da oncobiologia uma vez que a sua sobre-expressão está associada a diferentes tipos de cancro. Em particular a aquaporina-3 (AQP3), uma aquagliceroporina abundantemente expressa ao nível da epiderme, é agora tida como “chave” na tumorigénese e quimioresistência em casos de cancro de pele. Deste modo, as AQPs estão a ganhar relevância enquanto alvos biológicos na terapia do cancro e os seus modeladores a reunir interesse por parte da indústria farmacêutica. Recentemente, o nosso grupo descreveu diferentes compostos baseados em iões metálicos como inibidores potentes e selectivos da AQP3 humana. Em particular, o composto derivado de cobre(II) da fenantrolina – Cuphen – demonstrou ter efeito inibitório selectivo sobre a permeabilidade ao glicerol quando testado em eritrócitos humanos, mostrando-se assim promissor para administração in vivo. Por conseguinte, este trabalho teve como principal objectivo o desenvolvimento de um sistema de veiculação adequado, baseado em estruturas lipídicas artificiais, nomeadamente lipossomas, de modo a poder permitir uma estabilização de inibidores da AQP3, alterando o seu perfil de biodistribuição in vivo, proporcionando um direccionamento preferencial para as áreas de interesse terapêutico aquando da sua administração. Assim, e recorrendo à linha celular tumoral A431, derivada de carcinoma epidermoide humano, e que apresenta sobre-expressão endógena de AQP3, foi avaliado o potencial citotóxico de diferentes compostos metálicos inibidores da AQP3. Após identificação do composto mais citotóxico, o Cuphen (([Cu(phen)Cl2]Cl (phen = 1,10-fenantrolina)), já descrito como inibidor selectivo da AQP3 em eritrócitos humanos, foi seleccionado para incorporação em lipossomas de escala nanométrica (inferior a 0.2 μm). Usando diferentes composições lipídicas foram obtidas eficiências de incorporação de cerca de 50%. O efeito citotóxico do Cuphen, nas formas livre e lipossomal, foi avaliado na linha celular A431 e numa linha de cancro de cólon de murganho (C26). Para a forma livre, obtiveram-se valores de IC50 de 3.0 ± 0.4 μM e 1.8 ± 0.1 μM para as linhas A431 e C26, respectivamente, após 72h de incubação. A incorporação do Cuphen em lipossomas permitiu a preservação do seu efeito citotóxico (IC50 ≤ 10 μM após 72h de incubação). É ainda de referir que os lipossomas vazios não apresentaram qualquer efeito a nível da viabilidade das células testadas. Com base nestes resultados, o estudo de formulações lipossomais para encapsular este inibidor deve ser aprofundado e o estabelecimento de um modelo animal de melanoma humano deve ser considerado, por forma a avaliar o efeito terapêutico deste composto metálico.