Publicação

Comunicação farmacêutico - utente em farmácia comunitária : caracterização dos serviços prestados em gabinete

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: As farmácias comunitárias portuguesas têm vindo a prestar cada vez mais serviços farmacêuticos. Os que requerem um atendimento mais personalizado devem ser executados no gabinete privado desta, como por exemplo, simples medições de parâmetros até à consulta farmacêutica. Esta deve ser realizada de forma estruturada e continuada para que se atinjam os objetivos propostos, em geral a garantia da efetividade da terapêutica. Objetivo: Caracterizar a comunicação farmacêutica na prestação de serviços em ambiente de consulta e identificar quais os fatores técnicos ou comunicacionais que durante essa entrevista predispõem o utente a voltar à farmácia. Métodos: Recorreu-se ao banco de dados pertencente ao projeto FCT PTDC/SAUESA/098006/2008. O desenho do estudo seguiu uma abordagem transversal e descritiva, em que a amostra foi composta por um conjunto de entrevistas recolhidas e escolhidas intencionalmente, de farmácias prestadoras de cuidados farmacêuticos. As entrevistas foram transcritas integralmente, codificadas através de um esquema previamente validado, incluindo a sua segmentação. Foi utilizada estatística descritiva, testes uni e multivariados para análise estatística dos dados, a qual recorreu também a regressões logísticas para a análise da fidelização dos utentes aos serviços farmacêuticos. Resultados: Foram analisadas 59 entrevistas. Dos 56 utentes participantes, 71,4% eram do sexo feminino. A média de idades observada foi de 65,7 anos. Em 76,3% dos casos, o serviço prestado foi uma medição de parâmetros ou aplicação de injetável e em 23,7% realizou-se uma consulta farmacêutica de revisão terapêutica. O tipo de declaração mais trocado entre farmacêutico - utente foi o informativo (50%) e as perguntas fechadas (14%) ambos com conteúdo sobre exames realizados, problema de saúde atual, dieta e posologia da medicação do utente. De seguida, foram as declarações de orientação (9%), as conversas coloquiais (8%) e de aconselhamento (8%), estas sobre exames clínicos, consultas futuras, plano terapêutico do utente assim como a sua dieta e exercício físico. Verificou-se que 32,2% dos utentes apresentavam uma propensão estatisticamente significativa para regressar à farmácia. As variáveis que melhor explicam esta possibilidade de fidelização foram as relativas ao estilo de vida e situação psicossocial do utente e a sua idade. A entrevista completa, isto é, com a presença de todos os segmentos assim como o diálogo de natureza coloquial foram também fatores relevantes para explicar a fidelização. Conclusões: Uma vez que os utentes, geralmente quando vão à farmácia é com o intuito de procurar aconselhamento sobre o seu problema de saúde e/ou terapêutica, seria de esperar que o tipo de declaração mais trocado fosse de aconselhamento mas foi o informativo e as perguntas fechadas. Contrariamente ao esperado parece que não são as competências técnicas dos farmacêuticos, sobre medicamentos e seu uso, que predispõe um utente a voltar à farmácia para nova prestação de serviços, mas sim a comunicação de conteúdo coloquial, sobre o estilo de vida e a situação psicossocial, o que não contribui para efetivar o papel do farmacêutico como especialista do medicamento.
Autores principais:Antunes, Liliana Patrícia Alves
Assunto:Comunicação farmacêutico – utente Serviços das farmácias comunitárias Fidelização à farmácia Portugal Teses de mestrado - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: As farmácias comunitárias portuguesas têm vindo a prestar cada vez mais serviços farmacêuticos. Os que requerem um atendimento mais personalizado devem ser executados no gabinete privado desta, como por exemplo, simples medições de parâmetros até à consulta farmacêutica. Esta deve ser realizada de forma estruturada e continuada para que se atinjam os objetivos propostos, em geral a garantia da efetividade da terapêutica. Objetivo: Caracterizar a comunicação farmacêutica na prestação de serviços em ambiente de consulta e identificar quais os fatores técnicos ou comunicacionais que durante essa entrevista predispõem o utente a voltar à farmácia. Métodos: Recorreu-se ao banco de dados pertencente ao projeto FCT PTDC/SAUESA/098006/2008. O desenho do estudo seguiu uma abordagem transversal e descritiva, em que a amostra foi composta por um conjunto de entrevistas recolhidas e escolhidas intencionalmente, de farmácias prestadoras de cuidados farmacêuticos. As entrevistas foram transcritas integralmente, codificadas através de um esquema previamente validado, incluindo a sua segmentação. Foi utilizada estatística descritiva, testes uni e multivariados para análise estatística dos dados, a qual recorreu também a regressões logísticas para a análise da fidelização dos utentes aos serviços farmacêuticos. Resultados: Foram analisadas 59 entrevistas. Dos 56 utentes participantes, 71,4% eram do sexo feminino. A média de idades observada foi de 65,7 anos. Em 76,3% dos casos, o serviço prestado foi uma medição de parâmetros ou aplicação de injetável e em 23,7% realizou-se uma consulta farmacêutica de revisão terapêutica. O tipo de declaração mais trocado entre farmacêutico - utente foi o informativo (50%) e as perguntas fechadas (14%) ambos com conteúdo sobre exames realizados, problema de saúde atual, dieta e posologia da medicação do utente. De seguida, foram as declarações de orientação (9%), as conversas coloquiais (8%) e de aconselhamento (8%), estas sobre exames clínicos, consultas futuras, plano terapêutico do utente assim como a sua dieta e exercício físico. Verificou-se que 32,2% dos utentes apresentavam uma propensão estatisticamente significativa para regressar à farmácia. As variáveis que melhor explicam esta possibilidade de fidelização foram as relativas ao estilo de vida e situação psicossocial do utente e a sua idade. A entrevista completa, isto é, com a presença de todos os segmentos assim como o diálogo de natureza coloquial foram também fatores relevantes para explicar a fidelização. Conclusões: Uma vez que os utentes, geralmente quando vão à farmácia é com o intuito de procurar aconselhamento sobre o seu problema de saúde e/ou terapêutica, seria de esperar que o tipo de declaração mais trocado fosse de aconselhamento mas foi o informativo e as perguntas fechadas. Contrariamente ao esperado parece que não são as competências técnicas dos farmacêuticos, sobre medicamentos e seu uso, que predispõe um utente a voltar à farmácia para nova prestação de serviços, mas sim a comunicação de conteúdo coloquial, sobre o estilo de vida e a situação psicossocial, o que não contribui para efetivar o papel do farmacêutico como especialista do medicamento.