Publicação
Amigdalite e psoríase
| Resumo: | A psoríase é uma doença inflamatória crónica da pele, que afeta cerca de 3% da população adulta. É uma doença autoimune e multifatorial, mediada por células T, com grande impacto na qualidade de vida. A inauguração ou a descompensação de uma psoríase de base, tem sido correlacionada fortemente ao longo dos anos com a amigdalite estreptocócica. O objetivo desta revisão passa por analisar a literatura disponível até a data, de modo a compreender melhor esta relação causal, com base em conceitos epidemiológicos, genéticos, histológicos, fisiopatológicos e clínicos. Geneticamente, verificou-se que os alelos de risco associados à psoríase (HLA-C*06:02) eram mais comuns em doentes com amigdalite crónica e/ou recorrente. Histologicamente, as amígdalas de doentes com psoríase possuem folículos mais pequenos e menor área de centro germinativo, mas com uma maior zona de manto, que é congruente com uma desregulação na resposta imunitária das amígdalas psoriáticas. Esta resposta imunitária alterada traduz-se em mecanismos de mimetismo molecular e reação cruzada entre antigénios bacterianos (proteína M do estreptococos) e humanos (queratinas da pele), mediadas por células T, que resulta na ativação de uma cascata inflamatória com secreção de citocinas, células inflamatórias e ativação de queratinócitos na pele, resultantes da ação de células T procriadas nas amígdalas que migraram via circulação sanguínea para a pele, onde consequentemente acabam por desencadear o fenótipo psoriático. A abordagem terapêutica nestes doentes passa pela antibioterapia ou a amigdalectomia. A amigdalectomia apresenta benefício superior em relação à antibioterapia. No entanto, ainda existem poucos estudos controlados na literatura que fortaleçam o seu nível de evidência. Maior investigação, com recurso a estudos controlados, é necessária para esclarecer a verdadeira eficácia desta cirurgia e discriminar com melhor precisão, quais os grupos de doentes elegíveis para a mesma. |
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| Autores principais: | Fernandes, João Nuno Sardinha |
| Assunto: | Amigdalite Estreptococos Psoríase Células T Amigdalectomia Otorrinolaringologia |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A psoríase é uma doença inflamatória crónica da pele, que afeta cerca de 3% da população adulta. É uma doença autoimune e multifatorial, mediada por células T, com grande impacto na qualidade de vida. A inauguração ou a descompensação de uma psoríase de base, tem sido correlacionada fortemente ao longo dos anos com a amigdalite estreptocócica. O objetivo desta revisão passa por analisar a literatura disponível até a data, de modo a compreender melhor esta relação causal, com base em conceitos epidemiológicos, genéticos, histológicos, fisiopatológicos e clínicos. Geneticamente, verificou-se que os alelos de risco associados à psoríase (HLA-C*06:02) eram mais comuns em doentes com amigdalite crónica e/ou recorrente. Histologicamente, as amígdalas de doentes com psoríase possuem folículos mais pequenos e menor área de centro germinativo, mas com uma maior zona de manto, que é congruente com uma desregulação na resposta imunitária das amígdalas psoriáticas. Esta resposta imunitária alterada traduz-se em mecanismos de mimetismo molecular e reação cruzada entre antigénios bacterianos (proteína M do estreptococos) e humanos (queratinas da pele), mediadas por células T, que resulta na ativação de uma cascata inflamatória com secreção de citocinas, células inflamatórias e ativação de queratinócitos na pele, resultantes da ação de células T procriadas nas amígdalas que migraram via circulação sanguínea para a pele, onde consequentemente acabam por desencadear o fenótipo psoriático. A abordagem terapêutica nestes doentes passa pela antibioterapia ou a amigdalectomia. A amigdalectomia apresenta benefício superior em relação à antibioterapia. No entanto, ainda existem poucos estudos controlados na literatura que fortaleçam o seu nível de evidência. Maior investigação, com recurso a estudos controlados, é necessária para esclarecer a verdadeira eficácia desta cirurgia e discriminar com melhor precisão, quais os grupos de doentes elegíveis para a mesma. |
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