Publicação
Contribuição da ansiedade e depressão na autoavaliação do impacto da enxaqueca através do HIT-6
| Resumo: | A enxaqueca é uma doença altamente prevalente e com um impacto negativo em vários domínios da vida dos indivíduos e na qualidade de vida em geral. Embora seja frequentemente associada à ansiedade e depressão, a influência exata destas condições na autoavaliação do impacto dos ataques de enxaqueca permanece incerta. Para determinar esse efeito, realizamos um estudo observacional prospetivo em doentes com o diagnóstico de enxaqueca, com a hipótese de que níveis mais elevados de ansiedade e depressão podem influenciar a perceção do impacto das crises. Foram incluídos doentes adultos com enxaqueca seguidos na consulta de Cefaleias do Hospital de Santa Maria. Após a obtenção do consentimento informado, foram recolhidas variáveis demográficas e clínicas e os doentes preencheram os questionários: Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), que avalia os níveis de ansiedade e depressão, o Headache Impact Test 6 (HIT-6) que mede o impacto da enxaqueca em seis áreas da vida dos pacientes e o Headache-Attributed Lost Time (HALT) que quantifica o número de dias que os indivíduos perdem ou não conseguem realizar as suas atividades habituais devido à enxaqueca. Foram excluídos doentes com outras comorbilidades psiquiátricas ou outras síndromes dolorosas. Foi analisada a correlação das diferentes perguntas e da pontuação total do HIT-6 com a escala HADS e identificadas as variáveis explicativas do impacto das crises por análise multivariada. Duzentos pacientes foram incluídos neste estudo, 92% (N=184) eram do sexo feminino, com uma mediana de idades de 47 anos (IQR=36-52), e 53% (N=105) tinham enxaqueca crónica. A mediana das pontuações do HIT-6 foi de 64 pontos (IQR=60-68) e a mediana das pontuações do HADS foi de 17 pontos (IQR=11-22). Na análise multivariada, verificou-se que 14.1% da pontuação do HIT-6 foi explicada pela ansiedade e 6.5% pelo Index, ajustando para a frequência e intensidade das crises, idade, idade de início da enxaqueca, sexo, anos de escolaridade e número de dias mensais com uso de medicação de resgate. Isto sugere que, principalmente, a ansiedade tem um impacto em como os indivíduos avaliam o impacto dos ataques de enxaqueca. Conclusão: A ansiedade pode aumentar a perceção subjetiva do impacto da enxaqueca, potencialmente influenciando a gestão dos pacientes. |
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| Autores principais: | Nobre, João André Bajouco |
| Assunto: | Enxaqueca Ansiedade Depressão Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS) Headache Impact Test 6 (HIT-6) Neurologia |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A enxaqueca é uma doença altamente prevalente e com um impacto negativo em vários domínios da vida dos indivíduos e na qualidade de vida em geral. Embora seja frequentemente associada à ansiedade e depressão, a influência exata destas condições na autoavaliação do impacto dos ataques de enxaqueca permanece incerta. Para determinar esse efeito, realizamos um estudo observacional prospetivo em doentes com o diagnóstico de enxaqueca, com a hipótese de que níveis mais elevados de ansiedade e depressão podem influenciar a perceção do impacto das crises. Foram incluídos doentes adultos com enxaqueca seguidos na consulta de Cefaleias do Hospital de Santa Maria. Após a obtenção do consentimento informado, foram recolhidas variáveis demográficas e clínicas e os doentes preencheram os questionários: Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), que avalia os níveis de ansiedade e depressão, o Headache Impact Test 6 (HIT-6) que mede o impacto da enxaqueca em seis áreas da vida dos pacientes e o Headache-Attributed Lost Time (HALT) que quantifica o número de dias que os indivíduos perdem ou não conseguem realizar as suas atividades habituais devido à enxaqueca. Foram excluídos doentes com outras comorbilidades psiquiátricas ou outras síndromes dolorosas. Foi analisada a correlação das diferentes perguntas e da pontuação total do HIT-6 com a escala HADS e identificadas as variáveis explicativas do impacto das crises por análise multivariada. Duzentos pacientes foram incluídos neste estudo, 92% (N=184) eram do sexo feminino, com uma mediana de idades de 47 anos (IQR=36-52), e 53% (N=105) tinham enxaqueca crónica. A mediana das pontuações do HIT-6 foi de 64 pontos (IQR=60-68) e a mediana das pontuações do HADS foi de 17 pontos (IQR=11-22). Na análise multivariada, verificou-se que 14.1% da pontuação do HIT-6 foi explicada pela ansiedade e 6.5% pelo Index, ajustando para a frequência e intensidade das crises, idade, idade de início da enxaqueca, sexo, anos de escolaridade e número de dias mensais com uso de medicação de resgate. Isto sugere que, principalmente, a ansiedade tem um impacto em como os indivíduos avaliam o impacto dos ataques de enxaqueca. Conclusão: A ansiedade pode aumentar a perceção subjetiva do impacto da enxaqueca, potencialmente influenciando a gestão dos pacientes. |
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