Publicação

Rituais familiares e o casal : paisagens inter-sistémicas

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente investigação inscreve-se no âmbito da Psicologia da Família e tem como objecto de estudo os rituais familiares no território da conjugalidade. A partir de uma abordagem sistémica, ecológica e desenvolvimental, examinaram-se as associações entre rituais familiares (em contextos familiares e em contextos culturais) e vinculação amorosa, qualidade relacional percebida e proximidade numa amostra de casais que atravessam diferentes momentos do ciclo de vida. Realizaram-se dois estudos empíricos, o primeiro de cariz quantitativo e o segundo de cariz qualitativo. O primeiro estudo, efectuado com recurso a questionários, incluiu uma amostra de 150 casais. Através dos modelos de equações estruturais, avaliaram-se efeitos individuais e inter-cônjuges. As cinco hipóteses enunciadas no início do estudo foram comprovadas na sua generalidade, a saber: níveis mais baixos na dimensão evitamento estavam associados com maior investimento nos rituais familiares; maior investimento nos rituais familiares estava relacionado com percepções mais positivas de qualidade relacional e proximidade; menores níveis de evitamento e ansiedade estavam associados com maior similaridade nos relatos dos cônjuges relativamente aos seus rituais nos contextos familiares; existência de resultados mais significativos para as mulheres do que para os homens nos resultados referidos e, por último, maior relevância nos rituais dos contextos familiares do que nos rituais dos contextos culturais. No segundo estudo, cujo modelo de base foi a Grounded Theory, realizaram-se entrevistas a 20 casais (40 participantes que foram entrevistados individualmente). Os resultados revelaram que, os rituais familiares (1) cumprem funções para famílias e casais, (2) têm múltiplos significados, (3) são associados a sentimentos de cariz positivo e negativo e (4) são eventos nos quais homens e mulheres tendem a adoptar diferentes papéis. Verificou-se que percepções positivas da família (apoio, coesão, partilha e transmissão de valores) estavam relacionadas com percepções positivas de satisfação com os rituais familiares; também ao nível ( do casal se apuraram ligações entre os diferentes contextos dos rituais familiares e dimensões da intimidade do casal (especialmente, a partilha). Adicionalmente, foram encontradas diferenças entre grupos de casais com tempos de casamento distintos que foram explicadas à luz das etapas desenvolvimentais individuais e familiares dos participantes. Por último, identificaram-se vários rituais de casal, propôs-se uma classificação dos mesmos e reflectiram-se as similaridades e diferenças entre estes rituais e os rituais familiares. No âmbito das conclusões, discutiram-se brevemente as implicações dos resultados para os universos da investigação e da intervenção psicoterapêutica.
Autores principais:Crespo, C.
Assunto:Psicologia da família Casais - Vida em comum Conjugalidade Análise sistémica Família Teses de doutoramento - 2007
Ano:2007
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A presente investigação inscreve-se no âmbito da Psicologia da Família e tem como objecto de estudo os rituais familiares no território da conjugalidade. A partir de uma abordagem sistémica, ecológica e desenvolvimental, examinaram-se as associações entre rituais familiares (em contextos familiares e em contextos culturais) e vinculação amorosa, qualidade relacional percebida e proximidade numa amostra de casais que atravessam diferentes momentos do ciclo de vida. Realizaram-se dois estudos empíricos, o primeiro de cariz quantitativo e o segundo de cariz qualitativo. O primeiro estudo, efectuado com recurso a questionários, incluiu uma amostra de 150 casais. Através dos modelos de equações estruturais, avaliaram-se efeitos individuais e inter-cônjuges. As cinco hipóteses enunciadas no início do estudo foram comprovadas na sua generalidade, a saber: níveis mais baixos na dimensão evitamento estavam associados com maior investimento nos rituais familiares; maior investimento nos rituais familiares estava relacionado com percepções mais positivas de qualidade relacional e proximidade; menores níveis de evitamento e ansiedade estavam associados com maior similaridade nos relatos dos cônjuges relativamente aos seus rituais nos contextos familiares; existência de resultados mais significativos para as mulheres do que para os homens nos resultados referidos e, por último, maior relevância nos rituais dos contextos familiares do que nos rituais dos contextos culturais. No segundo estudo, cujo modelo de base foi a Grounded Theory, realizaram-se entrevistas a 20 casais (40 participantes que foram entrevistados individualmente). Os resultados revelaram que, os rituais familiares (1) cumprem funções para famílias e casais, (2) têm múltiplos significados, (3) são associados a sentimentos de cariz positivo e negativo e (4) são eventos nos quais homens e mulheres tendem a adoptar diferentes papéis. Verificou-se que percepções positivas da família (apoio, coesão, partilha e transmissão de valores) estavam relacionadas com percepções positivas de satisfação com os rituais familiares; também ao nível ( do casal se apuraram ligações entre os diferentes contextos dos rituais familiares e dimensões da intimidade do casal (especialmente, a partilha). Adicionalmente, foram encontradas diferenças entre grupos de casais com tempos de casamento distintos que foram explicadas à luz das etapas desenvolvimentais individuais e familiares dos participantes. Por último, identificaram-se vários rituais de casal, propôs-se uma classificação dos mesmos e reflectiram-se as similaridades e diferenças entre estes rituais e os rituais familiares. No âmbito das conclusões, discutiram-se brevemente as implicações dos resultados para os universos da investigação e da intervenção psicoterapêutica.