Publicação
Impacto do excesso de peso e obesidade nos desfechos reprodutivos da FIV/ICSI
| Resumo: | Introdução: A incidência crescente de obesidade e o seu impacto na fertilidade, em paralelo com o adiar da maternidade contribuem para que muitas mulheres com um IMC superior ao recomendado tenham de recorrer a tratamentos de PMA. A obesidade e o excesso de peso têm sido associados a piores desfechos reprodutivos após técnicas de PMA. Objetivos: Avaliar o impacto do IMC feminino nos desfechos reprodutivos após FIV/ICSI num centro terciário. Métodos: Estudo retrospectivo realizado através da revisão da base de dados da Unidade de Medicina da Reprodução do Hospital de Santa Maria com inclusão dos casais que realizaram FIV/ICSI com transferência de embrião a fresco, entre Janeiro de 2012 e Janeiro de 2022. O desfecho primário foi a comparação da taxa de gravidez clínica entre os grupos de mulheres obesas, com excesso de peso e peso normal. Os desfechos secundários foram: a comparação das taxas de nados vivos e da resposta à estimulação ovárica controlada, avaliada através do número de ovócitos colhidos e do follicle to oocyte index (FOI) entre os três grupos. Com o objetivo de avaliar que fatores se associaram a probabilidade de gravidez clínica foi aplicada uma regressão logística de múltiplas variáveis. Resultados: As mulheres com excesso de peso/obesidade registaram uma maior duração da infertilidade, dose total de gonadotrofinas superior e menor proporção de embriões de boa qualidade, comparativamente com mulheres com IMC normal. As obesas apresentaram um valor inferior de FOI, maior proporção de FOI < 0,5, menor taxa de fecundação e menor proporção de transferência de embrião em estadio de blastocisto. A taxa de gravidez clínica e de nados vivos foi semelhante entre os grupos de mulheres obesas, com excesso de peso ou com peso normal. Após a regressão logística de múltiplas variáveis, a qualidade embrionária foi o único parâmetro que manteve a associação estatisticamente significativa com a taxa de gravidez clínica. Conclusões: Na nossa amostra, a obesidade afetou negativamente a eficiência da estimulação ovárica, sem afetar de forma significativa as taxas de gravidez clínica e de nados vivos. A qualidade embrionária foi o fator mais determinante da taxa de gravidez clínica. |
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| Autores principais: | Gouveia, Margarida Maria Jerónimo da Silva Borralho de |
| Assunto: | Índice de massa corporal Obesidade Infertilidade feminina Fertilização in Vitro/ICSI Medicina reprodutiva Obstetrícia |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A incidência crescente de obesidade e o seu impacto na fertilidade, em paralelo com o adiar da maternidade contribuem para que muitas mulheres com um IMC superior ao recomendado tenham de recorrer a tratamentos de PMA. A obesidade e o excesso de peso têm sido associados a piores desfechos reprodutivos após técnicas de PMA. Objetivos: Avaliar o impacto do IMC feminino nos desfechos reprodutivos após FIV/ICSI num centro terciário. Métodos: Estudo retrospectivo realizado através da revisão da base de dados da Unidade de Medicina da Reprodução do Hospital de Santa Maria com inclusão dos casais que realizaram FIV/ICSI com transferência de embrião a fresco, entre Janeiro de 2012 e Janeiro de 2022. O desfecho primário foi a comparação da taxa de gravidez clínica entre os grupos de mulheres obesas, com excesso de peso e peso normal. Os desfechos secundários foram: a comparação das taxas de nados vivos e da resposta à estimulação ovárica controlada, avaliada através do número de ovócitos colhidos e do follicle to oocyte index (FOI) entre os três grupos. Com o objetivo de avaliar que fatores se associaram a probabilidade de gravidez clínica foi aplicada uma regressão logística de múltiplas variáveis. Resultados: As mulheres com excesso de peso/obesidade registaram uma maior duração da infertilidade, dose total de gonadotrofinas superior e menor proporção de embriões de boa qualidade, comparativamente com mulheres com IMC normal. As obesas apresentaram um valor inferior de FOI, maior proporção de FOI < 0,5, menor taxa de fecundação e menor proporção de transferência de embrião em estadio de blastocisto. A taxa de gravidez clínica e de nados vivos foi semelhante entre os grupos de mulheres obesas, com excesso de peso ou com peso normal. Após a regressão logística de múltiplas variáveis, a qualidade embrionária foi o único parâmetro que manteve a associação estatisticamente significativa com a taxa de gravidez clínica. Conclusões: Na nossa amostra, a obesidade afetou negativamente a eficiência da estimulação ovárica, sem afetar de forma significativa as taxas de gravidez clínica e de nados vivos. A qualidade embrionária foi o fator mais determinante da taxa de gravidez clínica. |
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