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Antropologias espiritanas : museus, etnografia e colecções em Angola colonial (c.1919-1960)

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Resumo:Esta tese trata as trajectórias de aquisição, exposição e musealização de duas colecções de objectos associadas aos missionários da Congregação do Espírito Santo, também conhecidos como espiritanos, que hoje se encontram em dois dos principais museus antropológicos em Portugal: o Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa; e a secção de antropologia do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. Procura-se desenvolver as histórias da constituição e circulação destas colecções no contexto da actividade missionária espiritana e da história da antropologia e dos museus antropológicos, em Portugal e em Angola durante o período colonial tardio. O argumento de Antropologias Espiritanas é duplo. Em primeiro lugar, a tese defende que o envolvimento dos espiritanos com a etnografia e com a recolha e circulação de objectos assumiu diversas formas, mas manteve-se sempre em íntima relação com a actividade missionária. Por esse motivo, ele reflecte de forma dinâmica as suas principais características, preocupações, intersecções e contingências históricas. Tal envolvimento só pode ser entendido a partir da pluralidade de práticas e de objectos; de museus e arquivos; de trajectórias e de escalas; de incentivos e interesses; de significados e contextos em que circularam os missionários e os objectos por si coleccionados. Em segundo lugar, argumenta-se que o arquivo etnográfico colonial angolano foi constituído em grande medida com base em múltiplas apropriações de saberes e objectos missionários. A análise da actividade missionária permite assim trazer a lume novos elementos para a história dos museus e da antropologia em contexto colonial português. A tese propõe, portanto, que a antropologia em Portugal, particularmente na sua base museológica, se constituiu e foi influenciada pelas contribuições e pela actividade missionária espiritana.
Autores principais:Amaral, Ana Rita
Assunto:Teses de doutoramento - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta tese trata as trajectórias de aquisição, exposição e musealização de duas colecções de objectos associadas aos missionários da Congregação do Espírito Santo, também conhecidos como espiritanos, que hoje se encontram em dois dos principais museus antropológicos em Portugal: o Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa; e a secção de antropologia do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. Procura-se desenvolver as histórias da constituição e circulação destas colecções no contexto da actividade missionária espiritana e da história da antropologia e dos museus antropológicos, em Portugal e em Angola durante o período colonial tardio. O argumento de Antropologias Espiritanas é duplo. Em primeiro lugar, a tese defende que o envolvimento dos espiritanos com a etnografia e com a recolha e circulação de objectos assumiu diversas formas, mas manteve-se sempre em íntima relação com a actividade missionária. Por esse motivo, ele reflecte de forma dinâmica as suas principais características, preocupações, intersecções e contingências históricas. Tal envolvimento só pode ser entendido a partir da pluralidade de práticas e de objectos; de museus e arquivos; de trajectórias e de escalas; de incentivos e interesses; de significados e contextos em que circularam os missionários e os objectos por si coleccionados. Em segundo lugar, argumenta-se que o arquivo etnográfico colonial angolano foi constituído em grande medida com base em múltiplas apropriações de saberes e objectos missionários. A análise da actividade missionária permite assim trazer a lume novos elementos para a história dos museus e da antropologia em contexto colonial português. A tese propõe, portanto, que a antropologia em Portugal, particularmente na sua base museológica, se constituiu e foi influenciada pelas contribuições e pela actividade missionária espiritana.