Publicação
O regresso à vida quotidiana após o primeiro internamento em psiquiatria : A experiência vivida
| Resumo: | O regresso à vida quotidiana após um internamento hospitalar em psiquiatria pode constituir-se como marcadamente difícil no retomar das atividades e relações que constituem a vida, mas também lhe dão propósito. Assim, procurou-se responder à questão: Qual é a experiência vivida do regresso à vida quotidiana após o primeiro internamento num serviço de psiquiatria de agudos? Os objetivos delineados foram: Compreender e Evidenciar os significados experienciais vividos no regresso à vida quotidiana após o primeiro internamento num serviço de psiquiatria de agudos. A metodologia estabelecida fundamentou-se na fenomenologia da prática de Van Manen. A recolha de material experiencial foi conseguida através de entrevistas fenomenológicas, tendo participado 12 pessoas que tiveram um internamento em psiquiatria num hospital geral. Da análise temática e hermenêutica foram captados sete temas: 1) o (des)velar a marca que há em si; 2) o assombro da memória que há em si; 3) da desconexão à assimilação do corpo medicado em si; 4) do reconhecimento à superação da fragilidade que há em si; 5) a relação com os profissionais de saúde: da expectativa à resposta; 6) a relação com os outros: reformular os laços da alteridade; 7) a relação com o mundo: religar-se como sentido de si. Estes revelaram-se num patamar de interação recíproca e penetrante, em que nenhum se destaca ou sobrepõe, mas antes se afetam e potenciam naquilo que se constitui como a complexidade desta experiência vivida. Os resultados obtidos permitem estabelecer o fenómeno em estudo como um evento de cariz transicional que coloca em causa a estabilidade da pessoa e a sua habilidade para ser-bem e ser-mais. Considera-se que esta transição particular deve ser foco de intervenção transversal a todos os doentes por parte dos serviços de saúde, nomeadamente pela enfermagem. Estas intervenções deverão ter uma lógica de redução gradual do suporte dado pelos profissionais de saúde e acautelar a possibilidade de vivências traumáticas do internamento, os limites de iatrogenia que o doente considera capaz de tolerar, e os recursos e pessoas que o doente quer envolver no que é o seu processo de saúde. Sugere-se ainda a reflexão acerca dos espaços de cuidar das pessoas que são acompanhadas pelos serviços de saúde após a alta pelos significados que atribuem ao espaço da consulta, ainda associado ao internamento. Isto pode ser inibidor da sua adesão plena ao plano terapêutico proposto, mas também de procurar ajuda quando se depara numa fase prodrómica da sua doença pelo medo de regressar ao internamento. |
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| Autores principais: | Tomás, Margarida |
| Assunto: | Enfermagem psiquiátrica Pesquisa qualitativa Fenomenologia da prática Experiência vivida pós-alta Internamento Hospitais psiquiátricos Integração comunitária Continuidade da Assistência ao Paciente |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O regresso à vida quotidiana após um internamento hospitalar em psiquiatria pode constituir-se como marcadamente difícil no retomar das atividades e relações que constituem a vida, mas também lhe dão propósito. Assim, procurou-se responder à questão: Qual é a experiência vivida do regresso à vida quotidiana após o primeiro internamento num serviço de psiquiatria de agudos? Os objetivos delineados foram: Compreender e Evidenciar os significados experienciais vividos no regresso à vida quotidiana após o primeiro internamento num serviço de psiquiatria de agudos. A metodologia estabelecida fundamentou-se na fenomenologia da prática de Van Manen. A recolha de material experiencial foi conseguida através de entrevistas fenomenológicas, tendo participado 12 pessoas que tiveram um internamento em psiquiatria num hospital geral. Da análise temática e hermenêutica foram captados sete temas: 1) o (des)velar a marca que há em si; 2) o assombro da memória que há em si; 3) da desconexão à assimilação do corpo medicado em si; 4) do reconhecimento à superação da fragilidade que há em si; 5) a relação com os profissionais de saúde: da expectativa à resposta; 6) a relação com os outros: reformular os laços da alteridade; 7) a relação com o mundo: religar-se como sentido de si. Estes revelaram-se num patamar de interação recíproca e penetrante, em que nenhum se destaca ou sobrepõe, mas antes se afetam e potenciam naquilo que se constitui como a complexidade desta experiência vivida. Os resultados obtidos permitem estabelecer o fenómeno em estudo como um evento de cariz transicional que coloca em causa a estabilidade da pessoa e a sua habilidade para ser-bem e ser-mais. Considera-se que esta transição particular deve ser foco de intervenção transversal a todos os doentes por parte dos serviços de saúde, nomeadamente pela enfermagem. Estas intervenções deverão ter uma lógica de redução gradual do suporte dado pelos profissionais de saúde e acautelar a possibilidade de vivências traumáticas do internamento, os limites de iatrogenia que o doente considera capaz de tolerar, e os recursos e pessoas que o doente quer envolver no que é o seu processo de saúde. Sugere-se ainda a reflexão acerca dos espaços de cuidar das pessoas que são acompanhadas pelos serviços de saúde após a alta pelos significados que atribuem ao espaço da consulta, ainda associado ao internamento. Isto pode ser inibidor da sua adesão plena ao plano terapêutico proposto, mas também de procurar ajuda quando se depara numa fase prodrómica da sua doença pelo medo de regressar ao internamento. |
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