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Crescimento pós-traumático em jovens sobreviventes de cancro : estudo das relações com as variáveis intervenientes
| Summary: | Estudos recentes têm vindo a realçar os processos positivos, como o “crescimento”, associados a vivências traumáticas. O crescimento pós-traumático (CPT) é definido como sendo o processo através do qual o indivíduo é capaz de experienciar mudanças psicológicas positivas, resultantes dos esforços empreendidos para lidar com uma situação traumática. Os sobreviventes de cancro viveram não só o trauma do diagnóstico, mas todo um tempo doloroso de tratamento. Os estudos do crescimento pós-traumático e das variáveis que intervêm no processo, em adolescentes e jovens sobreviventes, são ainda escassos e os resultados são pouco consistentes. Objetivo: Explorar e descrever o crescimento pós-traumático em jovens diagnosticados com cancro durante a infância, e estudar a sua relação com variáveis psicológicas como a autoeficácia, coping, otimismo, e com a ruminação. Metodologia: Abordagem metodológica mista, com questionários estandardizados e uma entrevista semiestruturada. Participaram no estudo 36 participantes, com idades entre os 16 e os 33 anos, dos quais uma subamostra de 17 sujeitos participaram também na entrevista semiestruturada. Resultados: Os resultados quantitativos e qualitativos apontam para o crescimento póstraumático, com níveis mais elevados nas dimensões perceção de si (i.e., aumento de competências e recursos) e novas possibilidades e valorização da vida. Valores mais baixos foram encontrados na dimensão relacional. No estudo qualitativo, a maioria dos jovens refere que a vivência da doença não alterou as suas crenças, mas sim determinou o seu desenvolvimento. O CPT mostrou-se positivamente associado à autoeficácia, ao otimismo e à ruminação. Os jovens referiram como fatores associados ao CPT as suas vivências durante a fase de tratamento essencialmente, pela negativa, o tratamento (a sua exigência e implicações), o isolamento, a preocupação com os seus cuidadores, e a discriminação a que foram sujeitos; e, pela positiva, o apoio dos pais e de profissionais de saúde, a relação com crianças internadas, e a boa evolução da doença. Conclusões: Os resultados evidenciam o crescimento pós-traumático como um processo que deve ser entendido de forma ajustada ao desenvolvimento dos sobreviventes. As associações encontradas entre CPT e as variáveis estudadas podem contribuir para a melhoria do apoio psicológico a estes jovens e suas famílias, quer na fase ativa da doença, quer na fase de sobrevivência. |
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| Main Authors: | Canavarro, Maria Teresa Garrido Cauper |
| Subject: | Cancro - crianças Trauma Sobrevivência Teses de mestrado - 2019 |
| Year: | 2019 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | restricted access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | Estudos recentes têm vindo a realçar os processos positivos, como o “crescimento”, associados a vivências traumáticas. O crescimento pós-traumático (CPT) é definido como sendo o processo através do qual o indivíduo é capaz de experienciar mudanças psicológicas positivas, resultantes dos esforços empreendidos para lidar com uma situação traumática. Os sobreviventes de cancro viveram não só o trauma do diagnóstico, mas todo um tempo doloroso de tratamento. Os estudos do crescimento pós-traumático e das variáveis que intervêm no processo, em adolescentes e jovens sobreviventes, são ainda escassos e os resultados são pouco consistentes. Objetivo: Explorar e descrever o crescimento pós-traumático em jovens diagnosticados com cancro durante a infância, e estudar a sua relação com variáveis psicológicas como a autoeficácia, coping, otimismo, e com a ruminação. Metodologia: Abordagem metodológica mista, com questionários estandardizados e uma entrevista semiestruturada. Participaram no estudo 36 participantes, com idades entre os 16 e os 33 anos, dos quais uma subamostra de 17 sujeitos participaram também na entrevista semiestruturada. Resultados: Os resultados quantitativos e qualitativos apontam para o crescimento póstraumático, com níveis mais elevados nas dimensões perceção de si (i.e., aumento de competências e recursos) e novas possibilidades e valorização da vida. Valores mais baixos foram encontrados na dimensão relacional. No estudo qualitativo, a maioria dos jovens refere que a vivência da doença não alterou as suas crenças, mas sim determinou o seu desenvolvimento. O CPT mostrou-se positivamente associado à autoeficácia, ao otimismo e à ruminação. Os jovens referiram como fatores associados ao CPT as suas vivências durante a fase de tratamento essencialmente, pela negativa, o tratamento (a sua exigência e implicações), o isolamento, a preocupação com os seus cuidadores, e a discriminação a que foram sujeitos; e, pela positiva, o apoio dos pais e de profissionais de saúde, a relação com crianças internadas, e a boa evolução da doença. Conclusões: Os resultados evidenciam o crescimento pós-traumático como um processo que deve ser entendido de forma ajustada ao desenvolvimento dos sobreviventes. As associações encontradas entre CPT e as variáveis estudadas podem contribuir para a melhoria do apoio psicológico a estes jovens e suas famílias, quer na fase ativa da doença, quer na fase de sobrevivência. |
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