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Formação inicial de professores do 1.º e 2.º Ciclo do Ensino Básico para atender à educação inclusiva

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Resumo:As exigências com que a escola se depara vão muito para além das questões pedagógicas. Cada vez mais é solicitado que esta instituição responda a exigências sociais, sejam elas por questões étnicas, raciais, linguísticas, religiosas, deficiência ou outras. Pelo que acabámos de referir percebemos que a escola está perante muitos desafios, desafios que não são apenas para a instituição, são alargados ao trabalho do professor. A Educação para Todos tem sido uma prioridade um pouco por todo o mundo, devendo a tónica ser colocada na equidade e na qualidade do ensino para todos os alunos que frequentam a escola e à qual têm direito, ou seja, no direito à aprendizagem. Pelos desafios que os professores enfrentam diariamente, consideramos importante refletir sobre a sua formação e mais concretamente sobre a forma como estão a ser formados para responderem à diversidade dos seus alunos, tendo em conta os princípios da educação inclusiva (EI). Pretendemos: compreender se os cursos de formação inicial de professores (FIP) estão estruturados tendo em conta o paradigma da EI, nomeadamente através da sua inclusão nos planos de estudo e da análise dos objetivos e conteúdos no âmbito das Unidades Curriculares (UC) de EI/NEE, mas também das restantes UC. Ambicionamos compreender se os cursos estão organizados para preparar os professores de forma a melhorar a competência da resposta à inclusão dos alunos com NEE, entendendo este conceito numa perspetiva mais alargada, numa resposta à diversidade, independentemente da condição do aluno. Esta investigação insere-se no paradigma qualitativo ou interpretativo e recorremos à metodologia qualitativa de estudo de caso múltiplo. Os dados foram recolhidos através da análise documental: dos diplomas legais que regulamentam os cursos, dos planos de estudo das instituições de ensino superior (IES) e das fichas de unidade curricular (FUC) das diferentes UC dos cursos investigados. Realizámos ainda entrevistas semiestruturadas, em duas IES, a nove participantes nucleares deste estudo - coordenadores de curso e docentes das UC de Educação Inclusiva e/ou Necessidades Educativas Especiais (EI/NEE). De uma forma geral verificamos que os planos de estudo abordam conteúdos e objetivos que direcionam o olhar para as perturbações dos alunos em vez de se centrarem mais em práticas e na necessidade de diferenciar para que os alunos participem de forma efetiva. Pela análise das diferentes FUC dos planos de estudo, podemos afirmar ainda que o conceito de infusão não está a ser implementado. De salientar ainda, que os participantes referem que os cursos da FIP não estão a capacitar os futuros professores para porem em prática os princípios da EI. Este dado torna-se mais relevante quando são os próprios formadores de professores que afirmam que a FIP não está a formar adequadamente os professores.
Autores principais:Santos, Nelson
Assunto:Formação Inicial de Professores Educação Inclusiva Necessidades Educativas Especiais Initial Teacher Education Inclusive Education Special Educational Needs
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As exigências com que a escola se depara vão muito para além das questões pedagógicas. Cada vez mais é solicitado que esta instituição responda a exigências sociais, sejam elas por questões étnicas, raciais, linguísticas, religiosas, deficiência ou outras. Pelo que acabámos de referir percebemos que a escola está perante muitos desafios, desafios que não são apenas para a instituição, são alargados ao trabalho do professor. A Educação para Todos tem sido uma prioridade um pouco por todo o mundo, devendo a tónica ser colocada na equidade e na qualidade do ensino para todos os alunos que frequentam a escola e à qual têm direito, ou seja, no direito à aprendizagem. Pelos desafios que os professores enfrentam diariamente, consideramos importante refletir sobre a sua formação e mais concretamente sobre a forma como estão a ser formados para responderem à diversidade dos seus alunos, tendo em conta os princípios da educação inclusiva (EI). Pretendemos: compreender se os cursos de formação inicial de professores (FIP) estão estruturados tendo em conta o paradigma da EI, nomeadamente através da sua inclusão nos planos de estudo e da análise dos objetivos e conteúdos no âmbito das Unidades Curriculares (UC) de EI/NEE, mas também das restantes UC. Ambicionamos compreender se os cursos estão organizados para preparar os professores de forma a melhorar a competência da resposta à inclusão dos alunos com NEE, entendendo este conceito numa perspetiva mais alargada, numa resposta à diversidade, independentemente da condição do aluno. Esta investigação insere-se no paradigma qualitativo ou interpretativo e recorremos à metodologia qualitativa de estudo de caso múltiplo. Os dados foram recolhidos através da análise documental: dos diplomas legais que regulamentam os cursos, dos planos de estudo das instituições de ensino superior (IES) e das fichas de unidade curricular (FUC) das diferentes UC dos cursos investigados. Realizámos ainda entrevistas semiestruturadas, em duas IES, a nove participantes nucleares deste estudo - coordenadores de curso e docentes das UC de Educação Inclusiva e/ou Necessidades Educativas Especiais (EI/NEE). De uma forma geral verificamos que os planos de estudo abordam conteúdos e objetivos que direcionam o olhar para as perturbações dos alunos em vez de se centrarem mais em práticas e na necessidade de diferenciar para que os alunos participem de forma efetiva. Pela análise das diferentes FUC dos planos de estudo, podemos afirmar ainda que o conceito de infusão não está a ser implementado. De salientar ainda, que os participantes referem que os cursos da FIP não estão a capacitar os futuros professores para porem em prática os princípios da EI. Este dado torna-se mais relevante quando são os próprios formadores de professores que afirmam que a FIP não está a formar adequadamente os professores.