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Rastreio parasitológico em aves selvagens ingressadas no Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nos últimos tempos a parasitologia tem explorado mais amiúde o espaço selvagem, inclusivamente as aves, que têm sido motivo de vários estudos recentes, nomeadamente em Portugal. No entanto, existe ainda um longo caminho a fazer e pretende-se que estudos idênticos a este sejam alavancas para trabalhos mais complexos no sentido do conhecimento e preservação de populações animais e respetivos ambientes. Durante o período compreendido entre Maio e Outubro de 2012 foi realizado um rastreio parasitológico em aves selvagens ingressadas no Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa (RIAS). Foram utilizadas três metodologias, de forma a pesquisar parasitas distintos, sendo que cada método foi aplicado a uma população amostral diferente: 75 amostras de fezes para pesquisa de ovos/oocistos através do método de flutuação; 52 esfregaços fecais para pesquisa de Cryptosporidium e Giardia e 53 esfregaços sanguíneos para hemoparasitas. Ocorreu uma prevalência total de parasitismo de 22%. Na coprologia por flutuação obteve-se 24% de amostras positivas e os parasitas encontrados foram: cestodes, ascarídeos, capilarídeos e coccídias. Nos esfregaços fecais os resultados positivos indicaram a presença de Cryptosporidium e Giardia em 1,9% das amostras, para cada parasita. Surgiu uma prevalência de 22,6% para hemoparasitas nas amostras sanguíneas nas quais foram identificados os géneros Leucocytozoon, Haemoproteus e Plasmodium. As aves foram agrupadas mediante a morfologia e/ou habitat preferencial: rapinas, estepárias, aquáticas, marinhas e Passeriformes. As aves estepárias (44,4%) e as rapinas (32,1%) foram as que apresentaram maior prevalência parasitária, sendo que as rapinas representaram o maior número de amostras parasitadas na totalidade dos resultados positivos. As espécies mais parasitadas foram a estepária Falco naumanni (peneireiro-das-torres) e a rapina noturna Athene noctua (mocho-galego). Os outros indivíduos parasitados pertenciam às espécies: Tyto alba (corujadas- torres), Anas platyrhynchos (pato-real), Gallinula chloropus (galinha-d’água), Larus fuscus (gaivota-d’asa-escura), Turdus merula (melro-preto), Streptopelia turtur (rola-brava) Asio flammeus (coruja-do-nabal), Bubo bubo (bufo-real), Strix aluco (coruja-do-mato), Buteo buteo (águia-d’asa-redonda) e Larus michahellis (gaivota-de-patas-amarelas). Este trabalho contribuiu para um melhor e mais alargado conhecimento da parasitofauna portuguesa em ambiente selvagem.
Autores principais:Zacarias, Nina Vanessa Afonso
Assunto:Aves selvagens Helmintes Coccídias Cryptosporidium Giardia Hemoparasitas Centro de Recuperação Portugal Wild birds Helminths Coccidia Blood parasites Rehabilitation Centre
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nos últimos tempos a parasitologia tem explorado mais amiúde o espaço selvagem, inclusivamente as aves, que têm sido motivo de vários estudos recentes, nomeadamente em Portugal. No entanto, existe ainda um longo caminho a fazer e pretende-se que estudos idênticos a este sejam alavancas para trabalhos mais complexos no sentido do conhecimento e preservação de populações animais e respetivos ambientes. Durante o período compreendido entre Maio e Outubro de 2012 foi realizado um rastreio parasitológico em aves selvagens ingressadas no Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa (RIAS). Foram utilizadas três metodologias, de forma a pesquisar parasitas distintos, sendo que cada método foi aplicado a uma população amostral diferente: 75 amostras de fezes para pesquisa de ovos/oocistos através do método de flutuação; 52 esfregaços fecais para pesquisa de Cryptosporidium e Giardia e 53 esfregaços sanguíneos para hemoparasitas. Ocorreu uma prevalência total de parasitismo de 22%. Na coprologia por flutuação obteve-se 24% de amostras positivas e os parasitas encontrados foram: cestodes, ascarídeos, capilarídeos e coccídias. Nos esfregaços fecais os resultados positivos indicaram a presença de Cryptosporidium e Giardia em 1,9% das amostras, para cada parasita. Surgiu uma prevalência de 22,6% para hemoparasitas nas amostras sanguíneas nas quais foram identificados os géneros Leucocytozoon, Haemoproteus e Plasmodium. As aves foram agrupadas mediante a morfologia e/ou habitat preferencial: rapinas, estepárias, aquáticas, marinhas e Passeriformes. As aves estepárias (44,4%) e as rapinas (32,1%) foram as que apresentaram maior prevalência parasitária, sendo que as rapinas representaram o maior número de amostras parasitadas na totalidade dos resultados positivos. As espécies mais parasitadas foram a estepária Falco naumanni (peneireiro-das-torres) e a rapina noturna Athene noctua (mocho-galego). Os outros indivíduos parasitados pertenciam às espécies: Tyto alba (corujadas- torres), Anas platyrhynchos (pato-real), Gallinula chloropus (galinha-d’água), Larus fuscus (gaivota-d’asa-escura), Turdus merula (melro-preto), Streptopelia turtur (rola-brava) Asio flammeus (coruja-do-nabal), Bubo bubo (bufo-real), Strix aluco (coruja-do-mato), Buteo buteo (águia-d’asa-redonda) e Larus michahellis (gaivota-de-patas-amarelas). Este trabalho contribuiu para um melhor e mais alargado conhecimento da parasitofauna portuguesa em ambiente selvagem.