Publicação
A Diplomacia Pública Anticorrupção: uma análise comparativa
| Resumo: | A corrupção impacta o desenvolvimento sustentável, gerando consequências económicas e político-sociais para a sociedade global. A diplomacia pública afigura-se relevante nesta área porque promove interações internacionais entre agentes estatais e não estatais. Contudo, a diplomacia pública anticorrupção ainda é um conceito pouco explorado e compreendido. Com uma ontologia anti-fundacionalista, uma epistemologia interpretativista e uma perspetiva sócioconstrutivista das relações internacionais, esta investigação, de forma inovadora, explicita este conceito utilizando os métodos de revisão bibliográfica estruturada, de intersecção por matriz e de tridimensionalismo conceptual. O argumento é de que a diplomacia pública anticorrupção transcende a função de um mero instrumento de política externa, configurando um processo interativo e bidirecional que molda e é moldado internacionalmente pela identidade do Estado. Através da socialização internacional, os Estados adotam esta norma como parte da identidade nacional, influenciam e redefinem normas e práticas globais, englobando uma extensa rede de agentes estatais e não estatais. A comparação entre Dinamarca, Nova Zelândia, Estados Unidos e Coreia do Sul permitiu extrair generalizações contingentes sobre o processo de diplomacia pública anticorrupção, focando em elementos como identidades, interesses, agentes, vínculos de representação, atividades, e fatores materiais, imateriais e ideacionais. Apesar da diversidade de objetivos, variando ao sabor de identidades e interesses estatais, existe um certo grau de previsibilidade nessas dinâmicas. A diplomacia pública anticorrupção emerge como uma ferramenta crucial para promover a norma global anticorrupção e redefinir práticas internacionais, com uma perspetiva estratégica que reflete a capacidade dos Estados de mobilizar diferentes recursos. Os resultados sugerem que a abordagem processual da diplomacia pública anticorrupção favorece a disseminação de valores e fortalece a norma coletiva anticorrupção, ao criar uma ponte entre as dimensões doméstica e internacional, facilitando a compreensão mútua entre variados agentes. Assim, promove interações que podem beneficiar não apenas a luta anticorrupção, mas também os interesses dos Estados. |
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| Autores principais: | Santos, Niedja de Andrade e Silva Forte dos |
| Assunto: | diplomacia pública anticorrupção; Dinamarca; Nova Zelândia; Estados Unidos; Coreia do Sul; anticorruption public diplomacy; Denmark; New Zealand; United States; South Korea. |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A corrupção impacta o desenvolvimento sustentável, gerando consequências económicas e político-sociais para a sociedade global. A diplomacia pública afigura-se relevante nesta área porque promove interações internacionais entre agentes estatais e não estatais. Contudo, a diplomacia pública anticorrupção ainda é um conceito pouco explorado e compreendido. Com uma ontologia anti-fundacionalista, uma epistemologia interpretativista e uma perspetiva sócioconstrutivista das relações internacionais, esta investigação, de forma inovadora, explicita este conceito utilizando os métodos de revisão bibliográfica estruturada, de intersecção por matriz e de tridimensionalismo conceptual. O argumento é de que a diplomacia pública anticorrupção transcende a função de um mero instrumento de política externa, configurando um processo interativo e bidirecional que molda e é moldado internacionalmente pela identidade do Estado. Através da socialização internacional, os Estados adotam esta norma como parte da identidade nacional, influenciam e redefinem normas e práticas globais, englobando uma extensa rede de agentes estatais e não estatais. A comparação entre Dinamarca, Nova Zelândia, Estados Unidos e Coreia do Sul permitiu extrair generalizações contingentes sobre o processo de diplomacia pública anticorrupção, focando em elementos como identidades, interesses, agentes, vínculos de representação, atividades, e fatores materiais, imateriais e ideacionais. Apesar da diversidade de objetivos, variando ao sabor de identidades e interesses estatais, existe um certo grau de previsibilidade nessas dinâmicas. A diplomacia pública anticorrupção emerge como uma ferramenta crucial para promover a norma global anticorrupção e redefinir práticas internacionais, com uma perspetiva estratégica que reflete a capacidade dos Estados de mobilizar diferentes recursos. Os resultados sugerem que a abordagem processual da diplomacia pública anticorrupção favorece a disseminação de valores e fortalece a norma coletiva anticorrupção, ao criar uma ponte entre as dimensões doméstica e internacional, facilitando a compreensão mútua entre variados agentes. Assim, promove interações que podem beneficiar não apenas a luta anticorrupção, mas também os interesses dos Estados. |
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