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Nova metodologia de avaliação da sensibilidade ao sódio : implicações clínicas

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Resumo:A hipertensão arterial (HTA) constitui, mundialmente, o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares, morbilidade e mortalidade. Afeta 1,28 biliões de pessoas. Associa-se a inúmeras complicações, doença cardíaca isquémica, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, demência e doença renal crónica. Em 2015 causou 10,7 milhões de mortes. Estabeleceu-se causalidade entre o consumo de sal, a disrupção da homeostasia de sódio e HTA. A HTA sal sensível (≈50% dos doentes) carateriza-se pela elevação concomitante do consumo de sal e valores tensionais, constituindo um fator de risco para morbilidade e mortalidade cardiovascular tão importante como os fatores de risco tradicionais. Polimorfismos dos genes envolvidos no sistema renina-angiotensina-aldosterona, hiperativação do SNS e disfunção renal constituem fatores etiológicos importantes. Segundo o modelo clássico de homeostasia, o sódio distribui-se equitativamente nos compartimentos intravascular e intersticial, existindo relação direta entre a composição do organismo em sódio, volume extracelular e pressão arterial. Foi criticado após constatação de dissociação entre o consumo e excreção diárias de sódio. Verificou-se acumulação de sódio em compartimentos, que o acumulam e libertam ciclicamente, sob regulação de eixos neuroendócrinos, incluindo endotélio, pele, cartilagem, músculo e osso. A exposição endotelial a excesso de sal compromete a sua integridade estrutural e funcional. Observa-se disrupção do glicocálice e aumento da rigidez endotelial, desencadeando disfunção endotelial e vasoconstrição. Na pele, a acumulação de sódio causa hiperplasia capilar linfática. A sua disrupção provoca aumento da resistência vascular epitelial. Em indivíduos sal sensíveis, há alteração dos mecanismos centrais de regulação da pressão arterial, desencadeando hiperativação simpática, e consequente elevação tensional. Tendo em conta a importância da avaliação da sensibilidade ao sódio, propõe-se um novo método, desenvolvido por Oberleithner et al., através da avaliação doglicocálice eritocitário. A sua aplicação permite a demarcação de um fenótipo distinto, do ponto de vista fisiopatológico e abordagem terapêutica, podendo requerer atualização das guidelines.
Autores principais:Lourenço, Elsa Catarina Paiva
Assunto:Hipertensão arterial Sensibilidade ao sódio Endotélio vascular Sistema renina-angiotensina-aldosterona
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A hipertensão arterial (HTA) constitui, mundialmente, o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares, morbilidade e mortalidade. Afeta 1,28 biliões de pessoas. Associa-se a inúmeras complicações, doença cardíaca isquémica, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, demência e doença renal crónica. Em 2015 causou 10,7 milhões de mortes. Estabeleceu-se causalidade entre o consumo de sal, a disrupção da homeostasia de sódio e HTA. A HTA sal sensível (≈50% dos doentes) carateriza-se pela elevação concomitante do consumo de sal e valores tensionais, constituindo um fator de risco para morbilidade e mortalidade cardiovascular tão importante como os fatores de risco tradicionais. Polimorfismos dos genes envolvidos no sistema renina-angiotensina-aldosterona, hiperativação do SNS e disfunção renal constituem fatores etiológicos importantes. Segundo o modelo clássico de homeostasia, o sódio distribui-se equitativamente nos compartimentos intravascular e intersticial, existindo relação direta entre a composição do organismo em sódio, volume extracelular e pressão arterial. Foi criticado após constatação de dissociação entre o consumo e excreção diárias de sódio. Verificou-se acumulação de sódio em compartimentos, que o acumulam e libertam ciclicamente, sob regulação de eixos neuroendócrinos, incluindo endotélio, pele, cartilagem, músculo e osso. A exposição endotelial a excesso de sal compromete a sua integridade estrutural e funcional. Observa-se disrupção do glicocálice e aumento da rigidez endotelial, desencadeando disfunção endotelial e vasoconstrição. Na pele, a acumulação de sódio causa hiperplasia capilar linfática. A sua disrupção provoca aumento da resistência vascular epitelial. Em indivíduos sal sensíveis, há alteração dos mecanismos centrais de regulação da pressão arterial, desencadeando hiperativação simpática, e consequente elevação tensional. Tendo em conta a importância da avaliação da sensibilidade ao sódio, propõe-se um novo método, desenvolvido por Oberleithner et al., através da avaliação doglicocálice eritocitário. A sua aplicação permite a demarcação de um fenótipo distinto, do ponto de vista fisiopatológico e abordagem terapêutica, podendo requerer atualização das guidelines.