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Viagens e diálogos epistolares na construção científica do mundo atlântico: Alberto do Mónaco (1848-1922), Afonso Chaves (1857-1926) e a meteorologia nos Açores

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta tese é um estudo sobre o projecto de criação de um Serviço Meteorológico Internacional nos Açores, no final do século XIX, que pretendia dar resposta a uma antiga aspiração dos estudiosos da meteorologia na Europa a obtenção de dados dos fenómenos atmosféricos no coração do Atlântico. A emergência da meteorologia científica, a caracterização da sua metodologia baconiana e o surgimento das respectivas instituições nacionais e internacionais são aqui abordadas enquanto quadro histórico no qual se manifesta, com regular insistência, a necessidade de criação de um observatório numa das ilhas ocidentais do arquipélago dos Açores. Por outro lado, é possível observar, ao longo da segunda metade de oitocentos, uma abertura insular às ciências, motivada pelas visitas de viajantes naturalistas e pelo transporte para o arquipélago das novidades e das práticas científicas por elementos das suas elites instruídas. Dá-se, assim, nos Açores um feliz e frutuoso encontro entre um militar naturalista, Afonso Chaves, e um Príncipe pioneiro da oceanografia, Albert I do Mónaco. Este promove um projecto de uma instituição de cooperação e financiamento internacional, com o objectivo de colmatar a falta de dados meteorológicos atlânticos e de promover o aperfeiçoamento da previsão do tempo para a Europa. O seu colaborador local neste empreendimento, Afonso Chaves, torna-se, entretanto, director da meteorologia no arquipélago, dando fôlego a uma transformação da natureza periférica dos Açores, que se torna um pólo central de distribuição de dados atmosféricos. Devido a um contexto internacional desfavorável, o projecto do Príncipe não vinga, mas a sua importância estratégica é tal, que leva o poder político a apropriar-se dos seus objectivos e a criar o Serviço Meteorológico dos Açores, em 1901. Para além da herança institucional e científica do projecto internacional, este trabalho analisa também a multiplicidade dinâmica dos diálogos científicos entre centros e periferias.
Autores principais:Tavares, Maria da Conceição da Silva
Assunto:História da meteorologia Teses de mestrado
Ano:2007
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta tese é um estudo sobre o projecto de criação de um Serviço Meteorológico Internacional nos Açores, no final do século XIX, que pretendia dar resposta a uma antiga aspiração dos estudiosos da meteorologia na Europa a obtenção de dados dos fenómenos atmosféricos no coração do Atlântico. A emergência da meteorologia científica, a caracterização da sua metodologia baconiana e o surgimento das respectivas instituições nacionais e internacionais são aqui abordadas enquanto quadro histórico no qual se manifesta, com regular insistência, a necessidade de criação de um observatório numa das ilhas ocidentais do arquipélago dos Açores. Por outro lado, é possível observar, ao longo da segunda metade de oitocentos, uma abertura insular às ciências, motivada pelas visitas de viajantes naturalistas e pelo transporte para o arquipélago das novidades e das práticas científicas por elementos das suas elites instruídas. Dá-se, assim, nos Açores um feliz e frutuoso encontro entre um militar naturalista, Afonso Chaves, e um Príncipe pioneiro da oceanografia, Albert I do Mónaco. Este promove um projecto de uma instituição de cooperação e financiamento internacional, com o objectivo de colmatar a falta de dados meteorológicos atlânticos e de promover o aperfeiçoamento da previsão do tempo para a Europa. O seu colaborador local neste empreendimento, Afonso Chaves, torna-se, entretanto, director da meteorologia no arquipélago, dando fôlego a uma transformação da natureza periférica dos Açores, que se torna um pólo central de distribuição de dados atmosféricos. Devido a um contexto internacional desfavorável, o projecto do Príncipe não vinga, mas a sua importância estratégica é tal, que leva o poder político a apropriar-se dos seus objectivos e a criar o Serviço Meteorológico dos Açores, em 1901. Para além da herança institucional e científica do projecto internacional, este trabalho analisa também a multiplicidade dinâmica dos diálogos científicos entre centros e periferias.