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Banhos de princesas e de Lázaros: termalismo e estratificação social

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este texto analisa dois tipos de narrativa sobre o termalismo europeu – a do luxo, glamour e lazer, por um lado, e a do tratamento de doenças “asquerosas”, por outro – para argumentar que, embora negando- se mutuamente e definindo-se por oposição, estas vertentes são indissociáveis e coexistem, formando estratos e camadas que acomodam diferenças de interesses, de propósitos e de classe. Fazendo uso de literatura recente sobre termalismo vinda da antropologia, da sociologia, da história, dos estudos de ciência e dos estudos literários, e de pesquisa empírica relativa a Monchique (Algarve, Portugal), estudaremos a coexistência de diferentes classes de utilizadores de águas termais e analisaremos, enquanto fenômeno mediador entre as duas vertentes contrastantes, aquilo que chamamos de “cura do lázaro”, ou do indigente paralítico – aquele que, dispensando as muletas “ao terceiro banho”, veicula e materializa a promessa terapêutica, o prestígio simbólico do lugar termal e, por conseguinte, amplia as suas clientelas e os lucros dos empreendedores.
Autores principais:Bastos, Cristiana
Assunto:Termalismo Monchique (Algarve, Portugal)
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este texto analisa dois tipos de narrativa sobre o termalismo europeu – a do luxo, glamour e lazer, por um lado, e a do tratamento de doenças “asquerosas”, por outro – para argumentar que, embora negando- se mutuamente e definindo-se por oposição, estas vertentes são indissociáveis e coexistem, formando estratos e camadas que acomodam diferenças de interesses, de propósitos e de classe. Fazendo uso de literatura recente sobre termalismo vinda da antropologia, da sociologia, da história, dos estudos de ciência e dos estudos literários, e de pesquisa empírica relativa a Monchique (Algarve, Portugal), estudaremos a coexistência de diferentes classes de utilizadores de águas termais e analisaremos, enquanto fenômeno mediador entre as duas vertentes contrastantes, aquilo que chamamos de “cura do lázaro”, ou do indigente paralítico – aquele que, dispensando as muletas “ao terceiro banho”, veicula e materializa a promessa terapêutica, o prestígio simbólico do lugar termal e, por conseguinte, amplia as suas clientelas e os lucros dos empreendedores.