Publicação
Tumores da tiroideia : estudo de uma população de doentes operados no Hospital de Santa Maria
| Resumo: | Apesar da elevada prevalência de nódulos da tiroideia, apenas uma pequena percentagem destes é maligna. O cancro da tiroideia é a neoplasia mais comum do sistema endócrino, sendo que 1.1% da população virá a ser diagnosticada com esta patologia. A sua incidência tem vindo a aumentar nos últimos anos, muito à custa de uma melhor vigilância médica e do aperfeiçoamento das técnicas de diagnóstico. Ocorre mais frequentemente em mulheres, tendo as formas mais agressivas igual prevalência em ambos os sexos. Os carcinomas papilar e folicular, com origem nas células foliculares, perfazem 80% e 90% do total de tumores malignos desta glândula, respectivamente. 5% dos tumores são carcinomas medulares, com origem nas células parafoliculares, sendo os restantes 5% outros tipos raros. O prognóstico destes tumores é geralmente bastante favorável. Contudo, as formas mais indiferenciadas tendem a ter um comportamento mais agressivo. Pensámos fazer um estudo retrospectivo desta patologia para melhor caracterização do seu comportamento. Pretendemos caracterizar uma população de doentes operados à tiroideia com suspeita ou com diagnóstico confirmado pré ou pós-operatoriamente de cancro, analisando estatisticamente os dados colhidos e procurando relacionar o tamanho e comportamento tumoral com o tipo de carcinoma, a idade e o sexo do doente. Para tal foram colhidos os dados demográficos, clínicos e anátomo-patológicos dos doentes operados à tiroideia no serviço de Cirurgia I do Hospital de Santa Maria, durante um período de 5 anos, que cumprissem os critérios referidos, sendo estes analisados estatisticamente. Verificou-se que cerca de 77% dos doentes com cancro da tiroideia eram mulheres, sendo a idade média dos doentes operados de 53 anos. 93% dos doentes estudados foram submetidos a tiroidectomia total. Nesta unidade adopta-se uma atitude conservadora no que respeita à dissecção linfática, não se realizando linfadenectomia profilática nos carcinomas diferenciados. Apenas 4.4% dos doentes com cancro realizou dissecção linfática e 45.1% realizou biopsia ganglionar na presença de gânglios suspeitos detectados durante a cirurgia. O carcinoma papilar constituiu 82.3% dos cancros encontrados, o folicular 8% e o medular 6.2%. O tamanho médio dos carcinomas foi de 2 cm (variação 0.1-10 cm), sendo que 31% dos carcinomas eram multicêntricos. 31.2% dos carcinomas invadiam tecidos periféricos, mas apenas 1.8% tinham metástases à distância. 17.3% tinham angioinvasão, sendo que em 20.7% foram encontradas metástases ganglionares. Os doentes com 45 anos ou mais parecem ter tendência a ter tumores mais invasivos. Os macrocarcinomas papilares têm maior tendência que os microcarcinomas para a angioinvasão. A maioria dos carcinomas é diagnosticada correctamente na citologia de aspiração, mas foi encontrado um valor elevado de falsos-positivos no caso dos carcinomas papilares (13.8%). |
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| Autores principais: | Margato, Elmano da Fonseca e Neves |
| Assunto: | Glândula tiroideia Neoplasias da glândula tiroideia Cirurgia |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Apesar da elevada prevalência de nódulos da tiroideia, apenas uma pequena percentagem destes é maligna. O cancro da tiroideia é a neoplasia mais comum do sistema endócrino, sendo que 1.1% da população virá a ser diagnosticada com esta patologia. A sua incidência tem vindo a aumentar nos últimos anos, muito à custa de uma melhor vigilância médica e do aperfeiçoamento das técnicas de diagnóstico. Ocorre mais frequentemente em mulheres, tendo as formas mais agressivas igual prevalência em ambos os sexos. Os carcinomas papilar e folicular, com origem nas células foliculares, perfazem 80% e 90% do total de tumores malignos desta glândula, respectivamente. 5% dos tumores são carcinomas medulares, com origem nas células parafoliculares, sendo os restantes 5% outros tipos raros. O prognóstico destes tumores é geralmente bastante favorável. Contudo, as formas mais indiferenciadas tendem a ter um comportamento mais agressivo. Pensámos fazer um estudo retrospectivo desta patologia para melhor caracterização do seu comportamento. Pretendemos caracterizar uma população de doentes operados à tiroideia com suspeita ou com diagnóstico confirmado pré ou pós-operatoriamente de cancro, analisando estatisticamente os dados colhidos e procurando relacionar o tamanho e comportamento tumoral com o tipo de carcinoma, a idade e o sexo do doente. Para tal foram colhidos os dados demográficos, clínicos e anátomo-patológicos dos doentes operados à tiroideia no serviço de Cirurgia I do Hospital de Santa Maria, durante um período de 5 anos, que cumprissem os critérios referidos, sendo estes analisados estatisticamente. Verificou-se que cerca de 77% dos doentes com cancro da tiroideia eram mulheres, sendo a idade média dos doentes operados de 53 anos. 93% dos doentes estudados foram submetidos a tiroidectomia total. Nesta unidade adopta-se uma atitude conservadora no que respeita à dissecção linfática, não se realizando linfadenectomia profilática nos carcinomas diferenciados. Apenas 4.4% dos doentes com cancro realizou dissecção linfática e 45.1% realizou biopsia ganglionar na presença de gânglios suspeitos detectados durante a cirurgia. O carcinoma papilar constituiu 82.3% dos cancros encontrados, o folicular 8% e o medular 6.2%. O tamanho médio dos carcinomas foi de 2 cm (variação 0.1-10 cm), sendo que 31% dos carcinomas eram multicêntricos. 31.2% dos carcinomas invadiam tecidos periféricos, mas apenas 1.8% tinham metástases à distância. 17.3% tinham angioinvasão, sendo que em 20.7% foram encontradas metástases ganglionares. Os doentes com 45 anos ou mais parecem ter tendência a ter tumores mais invasivos. Os macrocarcinomas papilares têm maior tendência que os microcarcinomas para a angioinvasão. A maioria dos carcinomas é diagnosticada correctamente na citologia de aspiração, mas foi encontrado um valor elevado de falsos-positivos no caso dos carcinomas papilares (13.8%). |
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