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Vivência psicológica de uma gravidez posterior a uma interrupção espontânea da gravidez : culpa, vergonha, luto perinatal e vinculação pré-natal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução teórica: Diversos estudos sobre o impacto psicológico de uma IEG na mulher concluíram que os sentimentos de culpa são bastante frequentes (Broen, Moum, Bodtker & Ekeberg, 2005; Wong, Crawford, Gask & Grinyer, 2003). A vergonha é também relatada por algumas destas mulheres (Bardos, Hercz, Friedenthal, Missmer & Williams, 2015). Para além disso, é uma emoção que cria vulnerabilidade psicológica face a outros sentimentos negativos (Lewis, 1971). Com a nova gravidez, ocorre um decréscimo do sofrimento relacionado com a perda anterior, uma melhor aceitação da perda e diminuição dos sentimentos de culpa (Theut, Moss, Zaslow, Rabinovich, Levin & Bartko, 1992). A vinculação pré-natal, a ligação afetiva entre a mãe e o bebé (Condon, 1993), poderá ser a responsável pela melhor integração da perda. Objetivo: O presente estudo, com grávidas que já experienciaram uma interrupção espontânea da gravidez (IEG), tem como objetivo compreender a relação entre as variáveis psicológicas: culpa, vergonha e intensidade do luto relativamente à vinculação pré-natal numa gravidez posterior. Metodologia: Participaram no estudo grávidas (N = 46) com idades compreendidas entre os 19 e os 50 anos. Foram utilizados três instrumentos: Escala de Culpa e Vergonha, Escala da Intensidade do Luto Perinatal e Escala de Vinculação Pré-Natal Materna. Os resultados foram estudados com análises de regressão linear hierárquica múltipla. Resultados: Os resultados mostraram que, numa gravidez subsequente a uma IEG, os sentimentos de culpa são influenciados pelos sentimentos de vergonha, pelo processo de luto ativo e pela vinculação pré-natal. Por sua vez, o processo de luto ativo é explicado pelos sentimentos de vergonha, pela vinculação pré-natal e as suas dimensões qualidade e intensidade. Já as dificuldades de coping e os sentimentos de desespero são explicados pela vinculação pré-natal e pela sua dimensão intensidade da preocupação. Concluiu-se que a vinculação pré-natal é importante para o processo de luto perinatal e, por sua vez, que este luto influencia os sentimentos de culpa e vergonha. Conclusão: Os resultados contribuem para a compreensão da vivência psicológica de uma IEG numa gravidez posterior e sugerem a pertinência de, no contexto clínico, se proceder à avaliação das dimensões estudadas, com vista a captar o seu impacto e delinear as intervenções em consonância.
Autores principais:Vizinha, Joana Rita Ferreira
Assunto:Vinculação Luto Gravidez Culpa Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução teórica: Diversos estudos sobre o impacto psicológico de uma IEG na mulher concluíram que os sentimentos de culpa são bastante frequentes (Broen, Moum, Bodtker & Ekeberg, 2005; Wong, Crawford, Gask & Grinyer, 2003). A vergonha é também relatada por algumas destas mulheres (Bardos, Hercz, Friedenthal, Missmer & Williams, 2015). Para além disso, é uma emoção que cria vulnerabilidade psicológica face a outros sentimentos negativos (Lewis, 1971). Com a nova gravidez, ocorre um decréscimo do sofrimento relacionado com a perda anterior, uma melhor aceitação da perda e diminuição dos sentimentos de culpa (Theut, Moss, Zaslow, Rabinovich, Levin & Bartko, 1992). A vinculação pré-natal, a ligação afetiva entre a mãe e o bebé (Condon, 1993), poderá ser a responsável pela melhor integração da perda. Objetivo: O presente estudo, com grávidas que já experienciaram uma interrupção espontânea da gravidez (IEG), tem como objetivo compreender a relação entre as variáveis psicológicas: culpa, vergonha e intensidade do luto relativamente à vinculação pré-natal numa gravidez posterior. Metodologia: Participaram no estudo grávidas (N = 46) com idades compreendidas entre os 19 e os 50 anos. Foram utilizados três instrumentos: Escala de Culpa e Vergonha, Escala da Intensidade do Luto Perinatal e Escala de Vinculação Pré-Natal Materna. Os resultados foram estudados com análises de regressão linear hierárquica múltipla. Resultados: Os resultados mostraram que, numa gravidez subsequente a uma IEG, os sentimentos de culpa são influenciados pelos sentimentos de vergonha, pelo processo de luto ativo e pela vinculação pré-natal. Por sua vez, o processo de luto ativo é explicado pelos sentimentos de vergonha, pela vinculação pré-natal e as suas dimensões qualidade e intensidade. Já as dificuldades de coping e os sentimentos de desespero são explicados pela vinculação pré-natal e pela sua dimensão intensidade da preocupação. Concluiu-se que a vinculação pré-natal é importante para o processo de luto perinatal e, por sua vez, que este luto influencia os sentimentos de culpa e vergonha. Conclusão: Os resultados contribuem para a compreensão da vivência psicológica de uma IEG numa gravidez posterior e sugerem a pertinência de, no contexto clínico, se proceder à avaliação das dimensões estudadas, com vista a captar o seu impacto e delinear as intervenções em consonância.