Publicação
Osteomielite vertebral purulenta em suínos : impacto na segurança sanitária da carne
| Resumo: | A Osteomielite Vertebral Purulenta (OVP) é a maior causa de reprovação total nos Suínos, causando prejuízos elevados às economias. Noutros países, as carcaças afetadas por um processo crónico de OVP são sujeitas a um processo de desmancha especializada com eventual aprovação das carnes resultantes. A reprovação parcial das zonas afetadas têm sido sugerida como alternativa. A corrente dissertação visa abordar o impacto que a OVP tem em Portugal através da análise de diversos indicadores de abate de suínos em 2018, bem como as suas lesões características, o possível impacto na salubridade das carcaças e por fim, explorar possíveis alternativas à medida sanitária atualmente em vigor em Portugal e noutros países da União Europeia (UE). No ano de 2018 foram abatidos e sujeitos a inspeção 4.346.944 suínos, destes, 0,33% foram alvo de rejeição total. As Osteítes foram a causa de rejeição mais frequente, coincidindo com 33% (n=4.345) das rejeições totais post mortem. Foram estudadas 40 carcaças reprovadas totalmente devido a OVP, sendo que 70% (n=28/40) correspondiam a machos. A condição corporal média obtida com o uso de escala desenvolvida nesta tese foi de 2,325. Nos 33 lotes analisados, 84,8% apresentava apenas um caso de OVP (n=28/33). Nas explorações analisadas 75% (n=21/28) apresentava apenas um caso de OVP. A presença de abcesso paravertebral verificou-se em 74,2% (n=23/31) das carcaças analisadas. O corte de cauda foi efetuado em 87,5% dos casos observados (n=28/32) e 59,38% dos animais apresentavam lesões de mordedura (n=19/32). Apenas foi possível a determinação da presença de fístula óssea em dois casos devido à divisão da carcaça. Relativamente à localização, os abcessos paravertebrais foram os mais frequentes, seguidos de abcessos nos músculos com 10% das carcaças afetadas (n=4/40) e no tecido subcutâneo dos membros, com 5% das carcaças (n=2/40) a exibirem abcessos nessa localização. Das 22 carcaças estudadas, 17 encontravam-se isentas de abcessos nas vísceras e no tecido muscular. As vértebras mais afetadas foram as torácicas e as sacrais, mais especificamente as vértebras T1, T2, S1, S2 e S3. O agente microbiológico mais prevalente nas amostras analisadas foi Trueperella pyogenes. Foi identificado que 45% das carcaças (n=14/31) encontravam-se atingidas por um processo inflamatório crónico, podendo destas, 7 ser aprovadas para consumo segundo os critérios utilizados. A reprovação parcial das zonas afetadas por OVP crónica, aparenta não acarretar riscos adicionais para a saúde pública e pode mitigar os prejuízos económicos causados pela OVP em Portugal, embora devam ser elaborados estudos a nível nacional. |
|---|---|
| Autores principais: | Pires, Diogo Alexandre da Silva |
| Assunto: | Médico Veterinário Oficial Inspeção Sanitária Suíno Osteomielite Vertebral Meat Inspection Official Veterinarian Pigs Purulent Vertebral Osteomyelitis Pyaemia |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Osteomielite Vertebral Purulenta (OVP) é a maior causa de reprovação total nos Suínos, causando prejuízos elevados às economias. Noutros países, as carcaças afetadas por um processo crónico de OVP são sujeitas a um processo de desmancha especializada com eventual aprovação das carnes resultantes. A reprovação parcial das zonas afetadas têm sido sugerida como alternativa. A corrente dissertação visa abordar o impacto que a OVP tem em Portugal através da análise de diversos indicadores de abate de suínos em 2018, bem como as suas lesões características, o possível impacto na salubridade das carcaças e por fim, explorar possíveis alternativas à medida sanitária atualmente em vigor em Portugal e noutros países da União Europeia (UE). No ano de 2018 foram abatidos e sujeitos a inspeção 4.346.944 suínos, destes, 0,33% foram alvo de rejeição total. As Osteítes foram a causa de rejeição mais frequente, coincidindo com 33% (n=4.345) das rejeições totais post mortem. Foram estudadas 40 carcaças reprovadas totalmente devido a OVP, sendo que 70% (n=28/40) correspondiam a machos. A condição corporal média obtida com o uso de escala desenvolvida nesta tese foi de 2,325. Nos 33 lotes analisados, 84,8% apresentava apenas um caso de OVP (n=28/33). Nas explorações analisadas 75% (n=21/28) apresentava apenas um caso de OVP. A presença de abcesso paravertebral verificou-se em 74,2% (n=23/31) das carcaças analisadas. O corte de cauda foi efetuado em 87,5% dos casos observados (n=28/32) e 59,38% dos animais apresentavam lesões de mordedura (n=19/32). Apenas foi possível a determinação da presença de fístula óssea em dois casos devido à divisão da carcaça. Relativamente à localização, os abcessos paravertebrais foram os mais frequentes, seguidos de abcessos nos músculos com 10% das carcaças afetadas (n=4/40) e no tecido subcutâneo dos membros, com 5% das carcaças (n=2/40) a exibirem abcessos nessa localização. Das 22 carcaças estudadas, 17 encontravam-se isentas de abcessos nas vísceras e no tecido muscular. As vértebras mais afetadas foram as torácicas e as sacrais, mais especificamente as vértebras T1, T2, S1, S2 e S3. O agente microbiológico mais prevalente nas amostras analisadas foi Trueperella pyogenes. Foi identificado que 45% das carcaças (n=14/31) encontravam-se atingidas por um processo inflamatório crónico, podendo destas, 7 ser aprovadas para consumo segundo os critérios utilizados. A reprovação parcial das zonas afetadas por OVP crónica, aparenta não acarretar riscos adicionais para a saúde pública e pode mitigar os prejuízos económicos causados pela OVP em Portugal, embora devam ser elaborados estudos a nível nacional. |
|---|