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Estudo das interações entre o óxido nítrico e a adenosina que medeiam a ação da insulina no controlo da homeostasia da glucose

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A adenosina é uma substância ubíqua que está envolvida no controlo de vários processos fisiológicos, entre os quais a sensibilização da ação da insulina e a homeostasia da glucose. Este mediador exerce a sua ação através da ligação a quatro diferentes tipos de recetores de adenosina:A1, A2A, A2B e A3. O óxido nítrico (NO), é o mais potente regulador da homeostasia vascular e a sua ação está positivamente relacionada com a sensibilidade à insulina. A interação entre a adenosina e o NO tem sido amplamente estudada no endotélio, e está bem estabelecido que a adenosina induz a libertação de NO via recetores A1, A2A e A2B em alguns tecidos como o caso do cérebro e do coração. O principal objetivo deste trabalho foi investigar se a adenosina modula a produção de NO nos tecidos sensíveis à insulina, como o músculo-esquelético, fígado e no tecido adiposo e se a possível alteração da interação entre adenosina e o NO pode contribuir para a insulinorresistência. Para tal, utilizaram-se dois grupos de ratos Wistar de ambos os sexos: um grupo controlo, e outro submetido a uma dieta rica em sacarose (Hsu) que se obteve pela administração de 35% de sacarose na água de ingerida durante 28 dias. Após os 28 dias, os animais foram anestesiados com pentobarbital (60 mg / kg, i.p.) e o fígado, tecido adiposo e no músculo-esquelético foram dissecados e incubados durante 3 diferentes tempos 10, 30 e 60 minutos, na ausência ou na presença de várias concentrações dos seguintes agonistas dos recetores de adenosina: CPA (agonista A1 - 3 e 30nM), CGS-21680 (agonista A2A - 30 e 100nM) e BAY-60-6583 (agonistas A2B - 100nM e 1μM). Após incubação os tecidos foram pesados, homogeneizados e depois desproteinizados, tendo sido o NO presente no homogeneizado quantificado. Os valores de NO presentes no fígado após 10, 30 e 60 minutos de incubação em animais controlo (sem fármacos) foram 25,51 ± 3,75, 18,48 ± 2,56 e 12,30 ± 1,98, no músculo-esquelético foram 22,86 ± 2,54, 22,92 ± 3,27 e 25,79 ± 4,41 e no tecido adiposo foram 11,51 ± 2,09, 5,475 ± 18,73 e 16,38 ± 2,65 nmol / grama de tecido, respetivamente. A dieta Hsu aumentou significativamente a produção de NO no fígado em 105,60%, 275,93%, 172,5% e no músculo-esquelético, em 131,45%, 142,54%, 108,34% respetivamente após 10, 30 e 60 minutos de incubação, não afetando no entanto o tecido adiposo. Em animais de controlo: CPA (3 nM) aumentou significativamente a produção de NO no fígado em 64,56% e 115,20% após 30 e 60 minutos de incubação e no músculo-esquelético de 79,45% após 60 minutos de incubação, não afetando o tecido adiposo; CGS-21680 (100 nM) aumentou significativamente a produção de NO no fígado em 120,48% após 60 minutos e no tecido adiposo CGS-21680 (30nM) em 106,52% após 10 minutos de incubação; BAY-60-6583 diminuiu significativamente a produção de NO no fígado com 100nM em 59,19% e 53,16%, após 10 e 30 minutos de incubação e com 1μM em 54,62% após 30 minutos de incubação, no músculo-esquelético BAY-60-6583 (100 nM) diminuiu significativamente em 47,51%, 59,06% e 66,22%, após 10, 30 e 60 minutos de incubação e no tecido adiposo BAY-60-6583 (100 nM) diminuiu a produção de NO em 48,43% e 47,55%, após 30 e 60 minutos de incubação já com BAY-60-6583 (1μM) em 57,46% após 30 minutos de incubação. Em animais Hsu: CPA não alterou a produção de NO em nenhum dos tecidos testados (fígado, músculo-esquelético e tecido adiposo). CGS-21680 (30 e 100 nM) aumentaram significativamente a produção de NO no fígado em 55,13% e 41,06%, após 30 minutos de incubação; no músculo-esquelético, CGS-21680 (100 nM) aumentou significativamente a produção de NO em 77,91%, 119,53% e 77,28%, após 10, 30 e 60 minutos de incubação, não afetando no entanto, o tecido adiposo. BAY-60-6583 diminui a produção de NO em 39,12% no fígado, após 30 minutos de incubação, e no tecido adiposo e em 38,94%, 43 25% após 10 e 30 minutos de incubação. Relativamente à iNOS neste estudo não se encontra alterada no modelo de dieta Hsu. Conclui-se que a adenosina modula na produção de NO via recetores A1 e A2B no fígado e no músculo-esquelético e através dos recetores A2A e A2B no tecido adiposo. Em animais com resistência à insulina, há um aumento da produção de NO no fígado mediada pelo recetor adenosina A2A e um aumento na produção de NO no músculo-esquelético que é abolida pelos agonistas dos recetores de adenosina do subtipo A2.
Autores principais:Ferreira, Cristiana Raquel Soares
Assunto:Diabetes tipo 2 Adenosina Óxido nítrico iNOS (sintase do óxido nítrico induzível) Insulinorresistência Teses de mestrado - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A adenosina é uma substância ubíqua que está envolvida no controlo de vários processos fisiológicos, entre os quais a sensibilização da ação da insulina e a homeostasia da glucose. Este mediador exerce a sua ação através da ligação a quatro diferentes tipos de recetores de adenosina:A1, A2A, A2B e A3. O óxido nítrico (NO), é o mais potente regulador da homeostasia vascular e a sua ação está positivamente relacionada com a sensibilidade à insulina. A interação entre a adenosina e o NO tem sido amplamente estudada no endotélio, e está bem estabelecido que a adenosina induz a libertação de NO via recetores A1, A2A e A2B em alguns tecidos como o caso do cérebro e do coração. O principal objetivo deste trabalho foi investigar se a adenosina modula a produção de NO nos tecidos sensíveis à insulina, como o músculo-esquelético, fígado e no tecido adiposo e se a possível alteração da interação entre adenosina e o NO pode contribuir para a insulinorresistência. Para tal, utilizaram-se dois grupos de ratos Wistar de ambos os sexos: um grupo controlo, e outro submetido a uma dieta rica em sacarose (Hsu) que se obteve pela administração de 35% de sacarose na água de ingerida durante 28 dias. Após os 28 dias, os animais foram anestesiados com pentobarbital (60 mg / kg, i.p.) e o fígado, tecido adiposo e no músculo-esquelético foram dissecados e incubados durante 3 diferentes tempos 10, 30 e 60 minutos, na ausência ou na presença de várias concentrações dos seguintes agonistas dos recetores de adenosina: CPA (agonista A1 - 3 e 30nM), CGS-21680 (agonista A2A - 30 e 100nM) e BAY-60-6583 (agonistas A2B - 100nM e 1μM). Após incubação os tecidos foram pesados, homogeneizados e depois desproteinizados, tendo sido o NO presente no homogeneizado quantificado. Os valores de NO presentes no fígado após 10, 30 e 60 minutos de incubação em animais controlo (sem fármacos) foram 25,51 ± 3,75, 18,48 ± 2,56 e 12,30 ± 1,98, no músculo-esquelético foram 22,86 ± 2,54, 22,92 ± 3,27 e 25,79 ± 4,41 e no tecido adiposo foram 11,51 ± 2,09, 5,475 ± 18,73 e 16,38 ± 2,65 nmol / grama de tecido, respetivamente. A dieta Hsu aumentou significativamente a produção de NO no fígado em 105,60%, 275,93%, 172,5% e no músculo-esquelético, em 131,45%, 142,54%, 108,34% respetivamente após 10, 30 e 60 minutos de incubação, não afetando no entanto o tecido adiposo. Em animais de controlo: CPA (3 nM) aumentou significativamente a produção de NO no fígado em 64,56% e 115,20% após 30 e 60 minutos de incubação e no músculo-esquelético de 79,45% após 60 minutos de incubação, não afetando o tecido adiposo; CGS-21680 (100 nM) aumentou significativamente a produção de NO no fígado em 120,48% após 60 minutos e no tecido adiposo CGS-21680 (30nM) em 106,52% após 10 minutos de incubação; BAY-60-6583 diminuiu significativamente a produção de NO no fígado com 100nM em 59,19% e 53,16%, após 10 e 30 minutos de incubação e com 1μM em 54,62% após 30 minutos de incubação, no músculo-esquelético BAY-60-6583 (100 nM) diminuiu significativamente em 47,51%, 59,06% e 66,22%, após 10, 30 e 60 minutos de incubação e no tecido adiposo BAY-60-6583 (100 nM) diminuiu a produção de NO em 48,43% e 47,55%, após 30 e 60 minutos de incubação já com BAY-60-6583 (1μM) em 57,46% após 30 minutos de incubação. Em animais Hsu: CPA não alterou a produção de NO em nenhum dos tecidos testados (fígado, músculo-esquelético e tecido adiposo). CGS-21680 (30 e 100 nM) aumentaram significativamente a produção de NO no fígado em 55,13% e 41,06%, após 30 minutos de incubação; no músculo-esquelético, CGS-21680 (100 nM) aumentou significativamente a produção de NO em 77,91%, 119,53% e 77,28%, após 10, 30 e 60 minutos de incubação, não afetando no entanto, o tecido adiposo. BAY-60-6583 diminui a produção de NO em 39,12% no fígado, após 30 minutos de incubação, e no tecido adiposo e em 38,94%, 43 25% após 10 e 30 minutos de incubação. Relativamente à iNOS neste estudo não se encontra alterada no modelo de dieta Hsu. Conclui-se que a adenosina modula na produção de NO via recetores A1 e A2B no fígado e no músculo-esquelético e através dos recetores A2A e A2B no tecido adiposo. Em animais com resistência à insulina, há um aumento da produção de NO no fígado mediada pelo recetor adenosina A2A e um aumento na produção de NO no músculo-esquelético que é abolida pelos agonistas dos recetores de adenosina do subtipo A2.