Publicação
Nanopartículas como sistemas de veiculação de fármacos para a via ocular
| Resumo: | A administração ocular de fármacos constitui, ainda nos dias de hoje, um desafio devido à complexa arquitetura do olho. Atualmente, grande parte das formulações comercializadas apresentam-se sob a forma de colírio, não só devido à sua simplicidade de utilização e pela elevada adesão por parte do doente, mas também pelo facto de se tratar de uma solução terapêutica não invasiva. No entanto, a biodisponibilidade ocular dos fármacos administrados topicamente é limitada, tanto pelas propriedades físico-químicas pouco favoráveis das substâncias ativas, como pelos diversos mecanismos de proteção do olho, que são responsáveis por impedir a entrada de xenobióticos. Se por um lado, os tratamentos tópicos convencionais não conseguem entregar o fármaco no local de ação pretendido, por outro, as injeções intravítreas entregam o fármaco diretamente na cavidade vítrea. Contudo, injeções frequentes podem provocar efeitos adversos como por exemplo, descolamento da retina, endoftalmite e hemorragia na retina. Deste modo, torna-se urgente continuar a investigar formas para melhorar a penetração na estrutura ocular, aumentar a biodisponibilidade do fármaco e prolongar o tempo de retenção na superfície ocular. Nos últimos anos, novos sistemas de veiculação de fármacos foram propostos para contornar os principais problemas das formulações oftálmicas convencionais. As nanopartículas surgiram como transportadores promissores, dando origem a colírios e soluções injetáveis “modificados” com o objetivo de melhorar a eficácia do medicamento, sem comprometer a sua segurança e a adesão do doente. Esta revisão aborda não só os diferentes fatores envolvidos no desenvolvimento de nanopartículas como sistemas veiculadores de fármacos, com especial ênfase nas nanopartículas poliméricas, lipídicas e nas de ouro, como também os desafios regulamentares implicados no desenvolvimento das nanopartículas. Por fim, são apresentadas algumas orientações adicionais publicadas pela Agência Europeia do Medicamento, de forma a ultrapassar determinadas questões regulamentares devido à natureza multidisciplinar dos sistemas nanoparticulados com aplicações no campo terapêutico de determinadas patologias oculares. |
|---|---|
| Autores principais: | Lima, Jennifer Antunes |
| Assunto: | Sistemas de veiculação de fármacos Nanopartículas Via oftálmica Segmento anterior Segmento posterior Mestrado integrado - 2020 |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A administração ocular de fármacos constitui, ainda nos dias de hoje, um desafio devido à complexa arquitetura do olho. Atualmente, grande parte das formulações comercializadas apresentam-se sob a forma de colírio, não só devido à sua simplicidade de utilização e pela elevada adesão por parte do doente, mas também pelo facto de se tratar de uma solução terapêutica não invasiva. No entanto, a biodisponibilidade ocular dos fármacos administrados topicamente é limitada, tanto pelas propriedades físico-químicas pouco favoráveis das substâncias ativas, como pelos diversos mecanismos de proteção do olho, que são responsáveis por impedir a entrada de xenobióticos. Se por um lado, os tratamentos tópicos convencionais não conseguem entregar o fármaco no local de ação pretendido, por outro, as injeções intravítreas entregam o fármaco diretamente na cavidade vítrea. Contudo, injeções frequentes podem provocar efeitos adversos como por exemplo, descolamento da retina, endoftalmite e hemorragia na retina. Deste modo, torna-se urgente continuar a investigar formas para melhorar a penetração na estrutura ocular, aumentar a biodisponibilidade do fármaco e prolongar o tempo de retenção na superfície ocular. Nos últimos anos, novos sistemas de veiculação de fármacos foram propostos para contornar os principais problemas das formulações oftálmicas convencionais. As nanopartículas surgiram como transportadores promissores, dando origem a colírios e soluções injetáveis “modificados” com o objetivo de melhorar a eficácia do medicamento, sem comprometer a sua segurança e a adesão do doente. Esta revisão aborda não só os diferentes fatores envolvidos no desenvolvimento de nanopartículas como sistemas veiculadores de fármacos, com especial ênfase nas nanopartículas poliméricas, lipídicas e nas de ouro, como também os desafios regulamentares implicados no desenvolvimento das nanopartículas. Por fim, são apresentadas algumas orientações adicionais publicadas pela Agência Europeia do Medicamento, de forma a ultrapassar determinadas questões regulamentares devido à natureza multidisciplinar dos sistemas nanoparticulados com aplicações no campo terapêutico de determinadas patologias oculares. |
|---|