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Epidemiologia molecular da infecção por VIH/SIDA, em Angola

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, no Mundo, em 2008, viviam 33,4 milhões de pessoas infectadas por VIH. A África sub - sariana, continua a ser a região mais afectada pela epidemia, tendo 22,8 milhões de infectados. O primeiro caso de sida, em Angola, foi diagnosticado em 1985 e até ao primeiro semestre de 2009 foram notificados 48.651 casos de infecção por VIH (64). A prevalência ronda os 5,0 %, em 16 milhões de habitantes, mas nas zonas fronteiriças com a República do Congo (Kinshasa), Zâmbia e Namíbia pode atingir os 10,0 %. O objectivo do presente trabalho é: a) determinar o perfil epidemiológico, demográfico, clínico e imunológico dos indivíduos em estudo, b) estudar a diversidade genética de VIH em Angola, assim como investigar a frequência e distribuições de polimorfismos na protease (PR) e na transcriptase reversa (TR) associados à resistência aos anti-retrovíricos, nos indivíduos não tratados. As 219 amostras foram recolhidas dos 302 indivíduos infectados por VIH-1, no Hospital da Divina Providência, em Luanda, de Setembro de 2008 a Janeiro de 2009. Para o presente estudo foram recrutados 57 indivíduos, cujos critérios de inclusão seguiram algumas das recomendações da OMS, para este tipo de trabalho. Cento e cinco sequências foram realizadas, 57 da proteína PR e 48 da TR no gene pol, usando um método in-house. O perfil epidemiológico, clínico, demográfico e imunológico da população estudada é caracterizada, maioritariamente por pertencerem ao sexo feminino (67,5%), com média de idades de 31 anos, a via de transmissão predominante foi a heterossexual (86,8%) e a maior parte estava em estado avançado de doença. A análise filogenética das sequências revelou uma elevada heterogeneidade genética de VIH-1 em Angola. Foram detectados vírus de todos os subtipos pertencentes ao grupo M e 5,3% a subtipos não classificáveis. A análise filogenética das sequências revelou que, somente, 16 (37%) indivíduos albergavam vírus de um único subtipo (subtipo puro). Os restantes indivíduos (n=30, 65%) estavam, na sua maioria, infectados por vírus recombinantes, incluindo formas recombinantes circulantes (CRFs) e outros recombinantes. Um doente (d94) estava infectado por um isolado não tipável (U). O subtipo mais prevalente na PR foi o G (n=12; 21%) seguido do D (n=7; 13%) e C (n=6; 11%). Na TR os subtipos mais prevalentes foram o A, C e F1 todos presentes em cinco indivíduos (10%). Sequências não tipáveis foram detectadas em seis (11%) indivíduos na PR e quatro (8%) indivíduos na TR. Vinte e quatro indivíduos estavam infectados por vírus contendo PRs e TRs pertencentes a diferentes subtipos, a vírus não tipáveis ou a CRFs. O recombinante deste género mais frequente foi o G/U que estava presente em três indivíduos (13%). A CRF mais prevalente foi a CRF02_AG tanto na PR (n=5; 9%) como na TR (n=5; 10%), seguida da CRF01_AE (PR - n=4; 7%; TR - n=4; 8%). Detectaram-se oito (14%) indivíduos, potencialmente, infectados com vírus recombinantes constituídos por CRF01_AE na PR ou na TR. De salientar que 13 (54%) destes indivíduos albergavam recombinantes de 2ª geração, ou seja, vírus que resultam da recombinação entre um CRF e um vírus de um subtipo puro ou um vírus não tipável (U). A análise das sequências na base de dados de Stanford para as mutações de resistência, inequivocamente, associadas com a transmissão de vírus resistentes aos anti-retrovíricos revelou que, não obstante a presença de numerosos polimorfismos invulgares na PR e TR, nenhum dos indivíduos estava infectado por este tipo de vírus.
Autores principais:Clemente, Sofia Vanda Lôa, 1970-
Assunto:Epidemiologia molecular Genótipos VIH-1 Infecções por HIV/Sida Mutações de resistência Angola Teses de mestrado - 2011
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, no Mundo, em 2008, viviam 33,4 milhões de pessoas infectadas por VIH. A África sub - sariana, continua a ser a região mais afectada pela epidemia, tendo 22,8 milhões de infectados. O primeiro caso de sida, em Angola, foi diagnosticado em 1985 e até ao primeiro semestre de 2009 foram notificados 48.651 casos de infecção por VIH (64). A prevalência ronda os 5,0 %, em 16 milhões de habitantes, mas nas zonas fronteiriças com a República do Congo (Kinshasa), Zâmbia e Namíbia pode atingir os 10,0 %. O objectivo do presente trabalho é: a) determinar o perfil epidemiológico, demográfico, clínico e imunológico dos indivíduos em estudo, b) estudar a diversidade genética de VIH em Angola, assim como investigar a frequência e distribuições de polimorfismos na protease (PR) e na transcriptase reversa (TR) associados à resistência aos anti-retrovíricos, nos indivíduos não tratados. As 219 amostras foram recolhidas dos 302 indivíduos infectados por VIH-1, no Hospital da Divina Providência, em Luanda, de Setembro de 2008 a Janeiro de 2009. Para o presente estudo foram recrutados 57 indivíduos, cujos critérios de inclusão seguiram algumas das recomendações da OMS, para este tipo de trabalho. Cento e cinco sequências foram realizadas, 57 da proteína PR e 48 da TR no gene pol, usando um método in-house. O perfil epidemiológico, clínico, demográfico e imunológico da população estudada é caracterizada, maioritariamente por pertencerem ao sexo feminino (67,5%), com média de idades de 31 anos, a via de transmissão predominante foi a heterossexual (86,8%) e a maior parte estava em estado avançado de doença. A análise filogenética das sequências revelou uma elevada heterogeneidade genética de VIH-1 em Angola. Foram detectados vírus de todos os subtipos pertencentes ao grupo M e 5,3% a subtipos não classificáveis. A análise filogenética das sequências revelou que, somente, 16 (37%) indivíduos albergavam vírus de um único subtipo (subtipo puro). Os restantes indivíduos (n=30, 65%) estavam, na sua maioria, infectados por vírus recombinantes, incluindo formas recombinantes circulantes (CRFs) e outros recombinantes. Um doente (d94) estava infectado por um isolado não tipável (U). O subtipo mais prevalente na PR foi o G (n=12; 21%) seguido do D (n=7; 13%) e C (n=6; 11%). Na TR os subtipos mais prevalentes foram o A, C e F1 todos presentes em cinco indivíduos (10%). Sequências não tipáveis foram detectadas em seis (11%) indivíduos na PR e quatro (8%) indivíduos na TR. Vinte e quatro indivíduos estavam infectados por vírus contendo PRs e TRs pertencentes a diferentes subtipos, a vírus não tipáveis ou a CRFs. O recombinante deste género mais frequente foi o G/U que estava presente em três indivíduos (13%). A CRF mais prevalente foi a CRF02_AG tanto na PR (n=5; 9%) como na TR (n=5; 10%), seguida da CRF01_AE (PR - n=4; 7%; TR - n=4; 8%). Detectaram-se oito (14%) indivíduos, potencialmente, infectados com vírus recombinantes constituídos por CRF01_AE na PR ou na TR. De salientar que 13 (54%) destes indivíduos albergavam recombinantes de 2ª geração, ou seja, vírus que resultam da recombinação entre um CRF e um vírus de um subtipo puro ou um vírus não tipável (U). A análise das sequências na base de dados de Stanford para as mutações de resistência, inequivocamente, associadas com a transmissão de vírus resistentes aos anti-retrovíricos revelou que, não obstante a presença de numerosos polimorfismos invulgares na PR e TR, nenhum dos indivíduos estava infectado por este tipo de vírus.