Publicação
A reflexão como estratégia de formação contínua de educadores de infância num contexto de investigação-acção
| Resumo: | A reflexão sobre o exercício da própria profissão é assumida nesta dissertação como estratégia, talvez a mais adequada, de formação contínua de Educadores de Infância. O contexto dessa formação, porque dialecticamente interpenetra a teoria e a prática, numa constante renovação e afirmação de ambas, parece-nos ser de uma investigação-acção, porque permite clarificar e produzir novos conhecimentos, porque pretende contribuir para uma modificação da realidade social e, fundamentalmente, porque forma os intervenientes nessa investigação e nessa acção. O “modus faciendi“ dessa reflexão não foi fácil encontrá-lo. As propostas de SCHÖN e ZEICHNER apontaram-nos caminhos que se evidenciaram seguros, dando-nos indicações adequadas à proposta de um modelo de formação contínua para educadores de infância com extensão legítima a outros níveis de ensino/aprendizagem. Este modelo é, para nós, apenas uma forma de reflectir sobre a acção, uma forma de investigar sobre a própria acção, uma forma de “contestar uma racionalidade técnica assumida como ponto de partida, para evidenciar uma nova racionalidade técnica como ponto de chegada (= a um novo ponto de partida). E, como é fácil verificar, não estamos sós na aplicação deste modelo de formação contínua. Fizemo-lo apenas doutra forma. Utilizámos apenas outros instrumentos de recolha de elementos para a reflexão sobre o exercício da profissão. O vídeo feed-back, utilizado com as precauções que salientámos oportunamente, é sem dúvida um instrumento eficaz para “transportar a realidade jardim-escola para uma autoscopia serena, capaz de dar indicações do que interessa reformular em actividades futuras. Mas as indicações dadas por outros profissionais interessados em melhorar tanto a sua actividade como a do profissional em observação, através da prática da heteroscopia que viva das vantagens de uma supervisão clínica, são imprescindíveis a uma boa utilização do vídeo feed-back. Dos protocolos entre os dados de uma lúcida autoscopia e uma sensata heteroscopia resultarão benefícios para todos os intervenientes nesse processo comum de investigação-acção. Para avaliar de forma o mais objectiva possível os dados colhidos pelo vídeo há que construir grades de observação que permitam traduzir em termos concretos, entre dois momentos de observação/avaliação de atitudes, as melhorias que o observado foi introduzindo na sua acção educativa. Para já o nosso trabalho é um produto em construção. Deixamos algumas grades de observação que os vários grupos de investigação-acção foram construindo e reformulando. Os educadores que aderiram à nossa proposta de formação preferem tentar avaliar os progressos das suas crianças, inferindo daí que, se as suas crianças evoluíram, eles exerceram melhor a sua profissão, melhoraram as suas atitudes. É uma evidência ao longo desta dissertação. Mas fica também claro que a nossa linha de investigação futura (tanto a nível da formação contínua como e sobretudo da formação inicial) é promover uma auto e heteroscopia em pequenos grupos de actores empaticamente colaborantes e com o único objectivo de transformarem constantemente o seu processo de auto-formação através de uma sempre renovada melhoria de atitudes. |
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| Autores principais: | Gomes, António Ferreira, 1942- |
| Assunto: | Educação permanente Investigação-acção Reflexão Teses de doutoramento - 2002 |
| Ano: | 2002 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A reflexão sobre o exercício da própria profissão é assumida nesta dissertação como estratégia, talvez a mais adequada, de formação contínua de Educadores de Infância. O contexto dessa formação, porque dialecticamente interpenetra a teoria e a prática, numa constante renovação e afirmação de ambas, parece-nos ser de uma investigação-acção, porque permite clarificar e produzir novos conhecimentos, porque pretende contribuir para uma modificação da realidade social e, fundamentalmente, porque forma os intervenientes nessa investigação e nessa acção. O “modus faciendi“ dessa reflexão não foi fácil encontrá-lo. As propostas de SCHÖN e ZEICHNER apontaram-nos caminhos que se evidenciaram seguros, dando-nos indicações adequadas à proposta de um modelo de formação contínua para educadores de infância com extensão legítima a outros níveis de ensino/aprendizagem. Este modelo é, para nós, apenas uma forma de reflectir sobre a acção, uma forma de investigar sobre a própria acção, uma forma de “contestar uma racionalidade técnica assumida como ponto de partida, para evidenciar uma nova racionalidade técnica como ponto de chegada (= a um novo ponto de partida). E, como é fácil verificar, não estamos sós na aplicação deste modelo de formação contínua. Fizemo-lo apenas doutra forma. Utilizámos apenas outros instrumentos de recolha de elementos para a reflexão sobre o exercício da profissão. O vídeo feed-back, utilizado com as precauções que salientámos oportunamente, é sem dúvida um instrumento eficaz para “transportar a realidade jardim-escola para uma autoscopia serena, capaz de dar indicações do que interessa reformular em actividades futuras. Mas as indicações dadas por outros profissionais interessados em melhorar tanto a sua actividade como a do profissional em observação, através da prática da heteroscopia que viva das vantagens de uma supervisão clínica, são imprescindíveis a uma boa utilização do vídeo feed-back. Dos protocolos entre os dados de uma lúcida autoscopia e uma sensata heteroscopia resultarão benefícios para todos os intervenientes nesse processo comum de investigação-acção. Para avaliar de forma o mais objectiva possível os dados colhidos pelo vídeo há que construir grades de observação que permitam traduzir em termos concretos, entre dois momentos de observação/avaliação de atitudes, as melhorias que o observado foi introduzindo na sua acção educativa. Para já o nosso trabalho é um produto em construção. Deixamos algumas grades de observação que os vários grupos de investigação-acção foram construindo e reformulando. Os educadores que aderiram à nossa proposta de formação preferem tentar avaliar os progressos das suas crianças, inferindo daí que, se as suas crianças evoluíram, eles exerceram melhor a sua profissão, melhoraram as suas atitudes. É uma evidência ao longo desta dissertação. Mas fica também claro que a nossa linha de investigação futura (tanto a nível da formação contínua como e sobretudo da formação inicial) é promover uma auto e heteroscopia em pequenos grupos de actores empaticamente colaborantes e com o único objectivo de transformarem constantemente o seu processo de auto-formação através de uma sempre renovada melhoria de atitudes. |
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