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Efeito do fibrinogénio na formação de fibras de TTR em doentes com amiloidose familiar

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) é uma doença neurodegenerativa hereditária caracterizada pela deposição de transtirretina (TTR) no sistema nervoso periférico. Como consequência, verifica-se perda de sensibilidade nos membros dos pacientes, seguida de atrofia muscular, fraqueza e morte 10 a 20 anos após o início dos sintomas. O desenvolvimento desta doença requer a presença de TTR mutada, conhecendo-se mais de 80 mutações que levam à formação de fibras amilóides. Como mecanismo para a formação destes agregados, estudos in vitro apontam para uma destabilização dos tetrâmeros que contêm variantes da TTR, resultando na formação de monómeros amiloidogénicos. No entanto, existem diversas observações que sugerem um mecanismo mais complexo in vivo, envolvendo factores não genéticos. Por exemplo, indivíduos que possuem a mesma mutação no gene da TTR, incluindo gémeos monozigóticos, não mostram o início da sintomatologia com a mesma idade. Existem ainda diferenças geográficas no que toca à idade de desenvolvimento dos sintomas e na própria morfologia dos agregados. Ao contrário do expectável, indivíduos homozigóticos para genes de TTR mutada não apresentam uma forma mais agressiva da doença. Com um papel central nestas diferenças fenotípicas poderão constar mecanismos de defesa, como é o caso do conjunto de proteínas denominadas chaperones moleculares. Seguindo esta hipótese, observou-se recentemente uma interacção da TTR com o chaperone extracelular fibrinogénio. Curiosamente, o fibrinogénio encontra-se selectivamente modificado em pacientes PAF. Esta modificação pós-traducional, denominada glicação, foi descrita como estando envolvida noutras doenças de natureza semelhante à PAF, como é o caso da doença de Alzheimer ou de Parkinson. Neste trabalho, investigou-se o efeito do fibrinogénio e da glicação na amiloidogénese da TTR. Verificou-se que o fibrinogénio tem a capacidade de prevenir a sua agregação, atingindo-se a actividade máxima numa proporção molar fibrinogénio:TTR de 1:20, sugerindo uma relevância desta interacção in vivo, já que neste caso esta proporção é aproximadamente 1:2. Adicionalmente, observou-se que a glicação do fibrinogénio leva a uma abolição da referida função. Paralelamente, foi realizado um mapeamento dos locais modificados do fibrinogénio com vista a estabelecer a correlação entre os locais modificados e a perda de função deste. Desta forma, foi estabelecido um método optimizado para realizar este mapeamento por espectrometria de massa, tendo-se identificado um total de 60 locais modificados nas três cadeias do fibrinogénio, α, β e γ, com uma cobertura de sequência média de 82%.
Autores principais:Gilberto, Samuel Filipe da Graça
Assunto:Polineuropatia amiloidótica familiar Transtirretina Glicação Fibrinogénio Espectrometria de massa Teses de mestrado - 2011
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) é uma doença neurodegenerativa hereditária caracterizada pela deposição de transtirretina (TTR) no sistema nervoso periférico. Como consequência, verifica-se perda de sensibilidade nos membros dos pacientes, seguida de atrofia muscular, fraqueza e morte 10 a 20 anos após o início dos sintomas. O desenvolvimento desta doença requer a presença de TTR mutada, conhecendo-se mais de 80 mutações que levam à formação de fibras amilóides. Como mecanismo para a formação destes agregados, estudos in vitro apontam para uma destabilização dos tetrâmeros que contêm variantes da TTR, resultando na formação de monómeros amiloidogénicos. No entanto, existem diversas observações que sugerem um mecanismo mais complexo in vivo, envolvendo factores não genéticos. Por exemplo, indivíduos que possuem a mesma mutação no gene da TTR, incluindo gémeos monozigóticos, não mostram o início da sintomatologia com a mesma idade. Existem ainda diferenças geográficas no que toca à idade de desenvolvimento dos sintomas e na própria morfologia dos agregados. Ao contrário do expectável, indivíduos homozigóticos para genes de TTR mutada não apresentam uma forma mais agressiva da doença. Com um papel central nestas diferenças fenotípicas poderão constar mecanismos de defesa, como é o caso do conjunto de proteínas denominadas chaperones moleculares. Seguindo esta hipótese, observou-se recentemente uma interacção da TTR com o chaperone extracelular fibrinogénio. Curiosamente, o fibrinogénio encontra-se selectivamente modificado em pacientes PAF. Esta modificação pós-traducional, denominada glicação, foi descrita como estando envolvida noutras doenças de natureza semelhante à PAF, como é o caso da doença de Alzheimer ou de Parkinson. Neste trabalho, investigou-se o efeito do fibrinogénio e da glicação na amiloidogénese da TTR. Verificou-se que o fibrinogénio tem a capacidade de prevenir a sua agregação, atingindo-se a actividade máxima numa proporção molar fibrinogénio:TTR de 1:20, sugerindo uma relevância desta interacção in vivo, já que neste caso esta proporção é aproximadamente 1:2. Adicionalmente, observou-se que a glicação do fibrinogénio leva a uma abolição da referida função. Paralelamente, foi realizado um mapeamento dos locais modificados do fibrinogénio com vista a estabelecer a correlação entre os locais modificados e a perda de função deste. Desta forma, foi estabelecido um método optimizado para realizar este mapeamento por espectrometria de massa, tendo-se identificado um total de 60 locais modificados nas três cadeias do fibrinogénio, α, β e γ, com uma cobertura de sequência média de 82%.